24 de outubro de 1966. Parece que foi ontem.

No próximo sábado, dia 24, daqui a três dias, completa 60 anos um acontecimento agressivo, paradoxalmente maravilhoso e pavoroso, que ocorreu com uma grande cantora brasileira. O fato que marcou a artista, deu origem à belíssima Cais, música de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. Vamos lá:
Dia desses eu revi na TV Brasil, sei lá, pela quarta ou quinta vez, o documentário Uma noite em 1967, sobre aquele histórico III Festival de MPB da TV Record (aquela outra Record). Sempre que vejo, volto no tempo, à casa da minha avó, com quem eu morava e, aos 13 anos, me emocionando diante do vídeo-tape apresentado pela TV Rio. Naquele tempo não havia redes. Hoje não há mais TV Rio.
O vencedor foi o Edu Lobo, com Ponteio, dele e Capinan. Edu se apresentou com Marilia Medalha com apoio do ‘Quarteto Novo’ (instrumental) e do ‘Momento Quatro’, formado na época pelos desconhecidos: Zé Rodrix, Maurício Maestro, Ricardo Villas e David Tygel. Eu não me canso de ver.
E com a música na cabeça, buscando ocupação mental que amenize um pouco a angústia em que estamos mergulhados nesses dias, dei uma fugida ao delicioso, Então, foi assim? Livro do pesquisador, escritor, divulgador de MPB, multimídia, Ruy Godinho que nos conta a origem de 80 sucessos da música brasileira. Maravilhoso.
E folheando, passando pelas magnificas canções de várias épocas, chego em Cais, da dupla citada lá em cima, Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. Recordo de uma entrevista antiga de Nana Caymmi dizendo que não conseguia cantar a canção, embora a amasse.
Na mesma noite da vitória de Ponteio, 21 de abril de 1967, acontecia no Rio uma eliminatória do Festival Internacional da Canção (FIC) da TV Globo, que nem de longe se aproximava do peso de qualidade do evento da emissora paulista. Mas naquela noite apareceu um sujeito, meio mineiro/meio carioca chamado Milton Nascimento.
Milton apresentou três canções: Travessia, Morro Velho e Maria, Minha Fé, inscritas no festival pelo cantor Agostinho dos Santos, padrinho e fãzaço de Milton. Nana, que fora assistir a música do irmão Dori Caymmi e Nelson Motta, se desmanchou em lágrimas com as canções e a interpretação daquele desconhecido. “Foi um golpe mortal. Eu nunca tinha visto alguém cantar daquela forma, uma voz tão bonita e canções tão bonitas”.
Resumindo: via Dori, Nana conhece Milton e Ronaldo Bastos. E Ama os dois. Eles sabiam do ocorrido um ano antes. Nana vencera a parte nacional do FIC, da TV Globo, com Saveiros, obra arrebatadora de Dori e Nelson Motta, e quando voltou ao palco para cantar, foi recebida por uma pesada e estrondosa vaia por boa parte da plateia. Ela cantou até o fim. Sob o peso das vaias, e chorando.
Bastou para os novos amigos escreverem Cais, contando em poesia e música, a história dessa noite horrenda, para a grande Nana Caymmi. E, claro, a interpretação de Milton colocou o lacre definitivo na obra prima. Tá lá no livro do Ruy Godinho. Show! Há males que vêm pra bem, diria minha avó.
CONVITE
Estreia do filme longametragem +40 Anos do Clube do Samba, uma coprodução da Cedro Rosa e TV Cultura, nesta quarta-feira, dia 21, às 7 da noite, no Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes, no Centro do Rio. Só chegar! Vamos circular. Grande elenco. Dos fundadores aos continuadores do Clube do Samba.
Venha e circule esse convite. Faz parte do festival SAMBACINE.

Chamada
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Estou ouvindo a playlist Roda de Samba de Alta Qualidade!
Repertório ®CertCon, de músicas certificadas, disponíveis para downloads e trilhas sonoras na Cedro Rosa.




















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