Alô, Dona Ivone Lara, quem sonha assim como eu?
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Dia desses, eu conversava com o amigo Antônio Carlos, parceiro de inúmeras jornadas de bares, de papos e sambas noite adentro, e ele, mais uma vez, me relatou um episódio, para me matar de inveja. Aconteceu no feriado de 7 de Setembro. Enquanto eu estava em casa, encalhado com uma crise de Gota, o malandro flanava pelas redondezas da Rua do Ouvidor. Aquela região que sintetiza a carioquice da cidade. E lá numa transversal do emblemático logradouro, meu amigo chegou em uma luxuosa roda de samba que rolava num dos estabelecimentos de respeito do local. Não exagero quando falo ‘luxuosa roda de samba’. Ou não é um luxo uma roda, que além dos bons músicos, sempre presentes, conta com o reforço de um time formado por Nelson Rufino, Moacyr Luz, Sombrinha e Tia Surica? Eu pedi mais uma e solicitei ao Antônio que falasse dessa tarde esplendorosa. Enquanto, intimamente, eu lamentava não estar presente num momento desses. E toda aquela maravilha acontecendo num bar. Só no Rio mesmo, você chega numa roda e ela está cheia de celebridades. E em meio às imagens que saltitavam na mente, embarquei num samba meu, feito em parceria comigo mesmo tempos atrás. A composição se chama Samba Sonhado, e nele eu cito mais de trinta figuras que curto muito no mundo do Samba, incluindo os que já se foram. Claro que muita gente boa ficou de fora. O próprio Nelson Rufino. “Está faltando uma coisa...”, mas afinal, foi só um sonho. Moa, Sombrinha e Tia Surica estão lá.
Juro que se eu estivesse lá nesse dia, encorajado por muitas ‘umas e outras’, eu pediria licença pra cantar à capela, esse meu samba. E segue a letra aí, começando com o refrão:
‘Sonhei um samba Com miragens bem reais Com artistas geniais E alguns já estão no céu Voltei do sonho Inspirado e de manhã Passei tudo pro papel Que eu também sou bam bam bam’
Fui batizado por bambas E minto como ninguém Mestre Cartola bem sabe Desse afilhado que tem No pagode eu sou um Zeca Minha cabeça vai bem Sua bênção, Velho Aniceto Sou partideiro também
Fui parceiro de Candeia Ninguém há de acreditar E com Nelson Cavaquinho Fui até o Sol brilhar Com Luís Carlos da Vila Fiz um samba comovido Nunca ouvi ninguém cantar Tenho problemas de ouvido
Sonhei um samba... (refrão)
No universo do samba Há nomes de admirar São poetas e rainhas Que nem dá pra enumerar Zé Kéti e Beth a madrinha Sua alteza Clementina Que regaram a semente Para Teresa Cristina Nesse meu doce delírio Acredite que é real Já batuquei com Sereno Lá no Fundo de Quintal Do Martinho e do Sargento Plagiei dois belos hinos Que exaltavam o João E o Aldir que eram divinos
Sonhei um samba...(refrão)
Na velha Lapa de hoje Brilham nomes bem legais Como o bom Casuarina O Tempero e outros mais Pedro Miranda e Ana Costa Dorina, Marquinhos China Nas Sete Cordas reluzem Paulão e Evandro Lima
Me acomodo entre as estrelas Sombrinha, Arlindo Cruz Alô Tuninho Gerais Moyseis e Moacyr Luz Tia Surica um beijo Nei e Paulinho um abraço São todos craques do samba Quem diz é o grande Monarco (BIS)
Sonho meu, sonho meu Alô dona Ivone Lara Quem sonha assim como eu? Estou ouvindo a playlist Didu Nogueira um craque do samba, disponível para download oficial, em https://cedrorosadigital.com.br/api/playlist/share/2de265e5-20ce-4a40-be76-600ae26afeae ![]()
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