TRANSE
- Sonali Maria

- há 6 dias
- 1 min de leitura

“Comigo, as coisas não têm hoje e antontem amanhã: é sempre”
(Guimarães Rosa no Grande Sertão: Veredas)
Na tarde cinzenta
na chuva de inverno
carregada de ácido e oxigênio,
na cidade que não é minha,
cada qual com sua máscara,
dói a morte
do último Irmão Coragem,
que não sei se é o derradeiro
mas o que ficou primeiro
nos evocando
um país de sertões
e tempos de histórias
contadas,
no rádio – o Jerônimo,
depois na tv em preto e branco – os Coragem.
Caminho na chuva
deslizando nas ruas
na cidade de tantos prédios,
sigo na bruma,
eu ciborgue que chora
a morte de um Irmão Coragem
da peste de Covid-19,
prometendo seguir o caminho
na Terra em Transe
em que ele figurou altivo
(presente mesmo foi na Idade da Terra)
me juntando a outros ciborgues que choram
a buscar o vento da mata
da cabocla Jurema
em que me encantei
criança.
12/08/2021
(dos escritos feitos na pandemia de Covid-19)
Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade
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