Que futebol, que nada! Tem um chicabom?

Mudando de assunto, vamos falar de futebol? Isso! Tenho assistido algumas partidas da Liga das Nações, jogos interessantes das seleções Europeias. Da Espanha, da França e outras. Tenho gostado muito. Adoro futebol. Sou botafoguense e vou contar como começou essa mania.
Minhas primeiras lembranças sobre o tema, são de meu pai, tricolor doente, me lavando para o Maracanã, vestido de jogador do Fluminense mirim. Sentávamos diante daquela imensidão verde, meu pai cantando, xingando e minha atenção voltada unicamente aos vendedores de picolé, com suas caixas amarelas zanzando entre os torcedores.
O jogo mesmo, pra mim, era uma chatice insuportável e interminável. De repente, o pessoal se levantava, eu pensava: acabou, que alívio, vamos embora. Aí meu pai jogava o balde de água fria: “acabou o aspirante, agora vem o profissional”. Mais 90 minutos. Era o fim do mundo.
O início foi assim, mas depois eu me apaixonei pelo nobre e rude esporte bretão. Anos depois, numa certa manhã de segunda-feira, eu tomava café na casa dos meus avós, quando vi meu tio Armindo, um caminhoneiro, desenhar o número 3 ao lado do decalque do escudo do Botafogo, colado na pia da cozinha. Logo abaixo, colocou “0” ao lado do escudo do Flamengo. Era o resultado da final carioca de 1962.
Meu pai não exercia mais tanta influência sobre mim, depois da separação dele com minha mãe. Continuávamos muito íntimos, mas passei a sofrer outras influências. Principalmente, desse tio botafoguense. Aos 13 anos, fui à final do Carioca no Maraca, levado por ele. Um jogo vibrante e emocionante: 2 x 1 sobre o Bangu. Gols de Roberto e Gerson. Mário fez o gol deles.
O tempo passou, e aqueles momentos heroicos de seguir o time onde ele jogasse, foi passando, na mesma proporção em que a razão e a consciência iam se encorpando. Mais velho, continuei gostando de futebol, mas hoje, muito mais como um apreciador, um curtidor do jogo, do que torcedor.
E cá pra nós, o nosso futebol anda muito avacalhado. Não motiva. A seleção argentina é melhor que a nossa. E admitir isso em outros tempos, era uma tremenda heresia. E o que falar das boas seleções de Espanha, França, Bélgica, Inglaterra. A coisa tá feia. Viva Lamine Yamal!!
Não sei (ou sei?) o que me levou a sentir aquela velha sensação de enfado, desânimo, como naquelas longínquas tardes de domingo no Maracanã. Eu, com meus cinco anos de idade, entediado e sonhando com um chicabom. O outro jogo tem que ser um picolé.
Estou ouvindo a playlist Música Popular, Brasil.
Repertório ®CertCon, disponível para trilhas sonoras e downloads na Cedro Rosa.

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