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Que futebol, que nada! Tem um chicabom?

há 14 horas
3 min de leitura

 

Mudando de assunto, vamos falar de futebol? Isso! Tenho assistido algumas partidas da Liga das Nações, jogos interessantes das seleções Europeias. Da Espanha, da França e outras. Tenho gostado muito. Adoro futebol. Sou botafoguense e vou contar como começou essa mania.


Minhas primeiras lembranças sobre o tema, são de meu pai, tricolor doente, me lavando para o Maracanã, vestido de jogador do Fluminense mirim. Sentávamos diante daquela imensidão verde, meu pai cantando, xingando e minha atenção voltada unicamente aos vendedores de picolé, com suas caixas amarelas zanzando entre os torcedores.


O jogo mesmo, pra mim, era uma chatice insuportável e interminável. De repente, o pessoal se levantava, eu pensava: acabou, que alívio, vamos embora. Aí meu pai jogava o balde de água fria: “acabou o aspirante, agora vem o profissional”. Mais 90 minutos. Era o fim do mundo.


O início foi assim, mas depois eu me apaixonei pelo nobre e rude esporte bretão. Anos depois, numa certa manhã de segunda-feira, eu tomava café na casa dos meus avós, quando vi meu tio Armindo, um caminhoneiro, desenhar o número 3 ao lado do decalque do escudo do Botafogo, colado na pia da cozinha. Logo abaixo, colocou “0” ao lado do escudo do Flamengo. Era o resultado da final carioca de 1962.


Meu pai não exercia mais tanta influência sobre mim, depois da separação dele com minha mãe. Continuávamos muito íntimos, mas passei a sofrer outras influências. Principalmente, desse tio botafoguense. Aos 13 anos, fui à final do Carioca no Maraca, levado por ele. Um jogo vibrante e emocionante: 2 x 1 sobre o Bangu. Gols de Roberto e Gerson. Mário fez o gol deles.


 O tempo passou, e aqueles momentos heroicos de seguir o time onde ele jogasse, foi passando, na mesma proporção em que a razão e a consciência iam se encorpando. Mais velho, continuei gostando de futebol, mas hoje, muito mais como um apreciador, um curtidor do jogo, do que torcedor.


E cá pra nós, o nosso futebol anda muito avacalhado. Não motiva. A seleção argentina é melhor que a nossa. E admitir isso em outros tempos, era uma tremenda heresia. E o que falar das boas seleções de Espanha, França, Bélgica, Inglaterra. A coisa tá feia. Viva Lamine Yamal!!


Não sei (ou sei?) o que me levou a sentir aquela velha sensação de enfado, desânimo, como naquelas longínquas tardes de domingo no Maracanã. Eu, com meus cinco anos de idade, entediado e sonhando com um chicabom. O outro jogo tem que ser um picolé.   


  Estou ouvindo a playlist Música Popular, Brasil.

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