A Era dos Humanos
- Luiz Inglês

- há 2 horas
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Outro dia assisti um documentário excelente na TV Cultura. Chama-se a Era dos Humanos. Este título me trouxe pela primeira vez a noção de que, da mesmaforma que entendemos a Era dos Dinossauros, estamos começando a ter o conhecimento que de fato, estamos caminhando para o fim da permanência do ser humano no planeta. São indícios sutis como por exemplo entender que as borboletas da Amazônia estão ficando marrom por conta do desmatamento. Suas asas perdem as cores vibrantes pois o ambiente está perdendo suas cores.
Outra evidência está na lenta morte dos corais por conta do aumento da temperatura dos mares. Ou até, para os mais céticos, a elevação do nível do mar por conta do degelo das calotas polares e da Antártida. Posso citar também que em 2024 o planeta registrou um aumento de 1.5oCacima dos níveis pré-industriais. Se este ritmo for mantido e chegarmos a um aumento de 3oC pode levar a um colapso irreversível dos ecossistemas.
Claro que levará algum tempo ainda para a (estupidez da) raça humanadar cabo de si mesmo, mas o caminho já está traçado e caminhamos incontinente para este destino.
Pesquisadores afirmam que a 6ª Extinção em Massa de espécies já está em curso, descrita como a maior e mais rápida que o planeta já viu e causada pela própria ação humana. Por exemplo, na 5ª Extinção em Massa, na chamada Extinção Permiano-Triássico o magma exalado pelos vulcões – evidentemente – foi de muito maior volume de CO2 na atmosfera, dizimando 75% da vida terrestre e 90% da vida marinha. Mas isso em escala de milhares de anos. Hoje, a humanidade emite na atmosfera um volume muito maior. O que torna nosso caso singular é a velocidade com que emitimos cerca de 40 gigatoneladas de CO2 por ano (GtCO2/ano) enquanto os vulcões emitiram algo em torno de 1 GtCO2/ano. Ou seja a humanidade está emitindopor ano, CO2 dezenas de vezes mais rápido do que aquele megaevento vulcânico.
E aí vem a imagem da descoberta do fogo. Talvez por um raio que atingiu uma floresta, que deixou uma brasa acesa, e um ancestral humano mais corajoso aprendeu a tomar conta daquela brasa, mantendo-a acesa e transformando-a em chama sempre que o desejasse. Experimentaram a carne de animais mortos assados, perceberam o calor, a luz e proteção contra predadores. Depois descobriram como fazer o fogo sem a necessidade da brasa. Isto aumentou o cozimento de alimentos, convívio social prolongado, fabricação de novas ferramentas e expansão geográfica.
Mais adiante vieram as descobertas com derretimento de metais e criação, por exemplo do bronze, liga metálica de cobre com outros metais, obtendo um composto mais duro, mais resistente, melhor para lâminas, arados, espadas e lanças mais eficazes, ferramentas de carpintaria, agricultura, etc. E assim progrediu a humanidade em passos lentos e seguros.
Quando Cabral por aqui aportou, encontrou os habitantes originários praticando a coivara. Uma técnica agrícola tradicional que consiste em usar o fogo para abrir e renovar roças. Corresponde em derrubar vegetação rasteira, deixar secar, empilhar e queimar. Depois usar as cinzas para fertilizar o solo.
Uma prática secular de subsistência, muitas vezes com manejo rotativo para a regeneração da mata. As florestas continuavam de pé, vigorosas e trazendo alimentação. Hoje o homem queima para criar pastos para gerar lucro financeiro. A floresta se acaba e aproxima o fim cada vez mais. Não há perdão, apenas ganância.
Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Tudo está relacionado. Somos todos um só.
Na África existe uma filosofia de origem Bantu, que fala do Ubuntu que pode ser traduzido como “eu sou porque nós somos”. Significa humanidade para com os outros, empatia e solidariedade. Valoriza o coletivo sobre o individualismo. A humanidade de cada um está interligada à dos outros.
Mais uma vez, soluções de preservação do planeta ou da humanidade vem de povos ditos “bárbaros”. Como já disse certa vez, nosso passado é o futuro. Pode estar aí a solução de nossa preservação.
Luiz Inglês
Abril 2026
Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade
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