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A voz de Alessandra Carvalho, mãe atípica e escritora comprometida


Alessandra Carvalho
Alessandra Carvalho

A trajetória literária de Alessandra Carvalho começou com a participação em uma coletânea. O lançamento aconteceu durante a Bienal do Rio de Janeiro no ano passado. Depois, vieram obras voltadas especialmente para o autismo. Como mãe atípica - mulher que cria filho com autismo, TDAH ou outra síndrome rara -, sentiu a necessidade de mergulhar na literatura infantil voltada a esse tema. Daí nasceu ‘Clara não está quebrada’. E logo afloraram, ‘Autismo em adultos’ e ‘Autismo em mulheres’.


E assim segue Alessandra reagindo com literatura aos desafios que o em torno acena. Foi assim que após um curso promovido pelo Ministério da Educação abordando uma educação antirracista que nasceu seu mais recente livro, ‘A menina Baobá’. Obra que veio para atender a necessidade urgente de ensinar às crianças que, o cabelo e a cor da pele são parte da sua força e herança ancestral. Eis Alessandra Carvalho:

 

 

CRIATIVOS - Alessandra, você participou de uma coletânea, porque você já escrevia, claro. Quando e como nasceu a escritora?

 

ALESSANDRA CARVALHO - Sempre gostei de escrever, mas foi durante o mestrado que a escritora surgiu com potência, pois meu mestrado foi realizado durante a pandemia e foi preciso fazer uma carta de apresentação, dizendo o porquê de ter escolhido o tema e o que nos incentivou. Foi quando minha professora leu meu texto, onde eu falava sobre o autismo do meu filho e que ele era minha inspiração para a pesquisa do mestrado. Ela, ao ler, me incentivou a transformar aquele texto em um livro. Mas naquele momento eu não tinha nenhuma pretensão em ser escritora embora já tivesse dois livros infantis escritos e muitas crônicas e poesias que escrevo e coloco no meu Instagram. Foi quando minha professora disse que eu deveria participar de uma coletânea de histórias e assim eu o fiz, participei com a minha história do livro Histórias transformadoras com um capítulo sobre a minha história de vida e caminhada junto ao autismo. O livro foi publicado na Bienal do Rio em junho do ano passado. 

 

CRIATIVOS - Algum autor ou autora serviu como referência e estímulo para você?     

 

ALESSANDRA CARVALHO - São muitos, eu particularmente amo Manuel Bandeira, Ana Maria Machado, Ziraldo, Clarice Lispector, José Lins do Rego e José Mauro de Vasconcelos. 

 

CRIATIVOS - Na sua opinião, crianças autistas também sofrem algum tipo de discriminação, como aquelas que são vítimas de racismo? 

 

ALESSANDRA CARVALHO - Sofrem muita discriminação, principalmente, dentro dos grupos escolares,  onde muitos pais acreditam que eles atrapalham as aulas, mas a pior discriminação acontece dentro das associações de autistas em relação ao autista nível 1 de suporte, como a criança é extremamente funcional,  a todo momento os pais são questionados por quem deveria acolher. Mas acredito que os autistas adultos sofrem mais, porque chegamos até aqui sem saber o que tínhamos, então as pessoas questionam o porquê de querer ter um laudo agora e como isso irá mudar nossas vidas. 

 

 

CRIATIVOS - Você acredita na Literatura como uma ferramenta que pode colaborar na formação de gerações mais solidárias, menos preconceituosas e violentas?

 

ALESSANDRA CARVALHO - Uma boa literatura é uma fonte inesgotável de informações. Faz com que as pessoas tenham acesso a verdade e assim eliminam preconceitos sobre assuntos que não tinham conhecimento. 

 

CRIATIVOS - Como a literatura auxilia, no seu caso específico, de mãe atípica? 

 

ALESSANDRA CARVALHO - A literatura me ajuda a levar conhecimento científico às pessoas sobre o autismo,  me auxilia também a entender cada vez mais as estereotipias e as diferenças existentes em cada nível de suporte.

 

CRIATIVOS - O que você está lendo atualmente?

 

ALESSANDRA CARVALHO - Atualmente estou lendo dois livros:  Mulheres que correm com lobos e o livro escrito por meu filho que será publicado em breve, O Homem Pneu II. 

 

CRIATIVOS - Fale o que for do seu interesse e as perguntas não estimularam.

 

ALESSANDRA CARVALHO - Pais atípicos têm o dever social de levar informação a respeito do autismo. Para isso precisam voltar a ler e a se integrar sobre o assunto, para não ter seus direitos e do seu filho subtraídos por falta de conhecimento.



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