Amok Teatro Incondicionais estreia temporada nacional no Sesc Copacabana
- Redação

- 25 de jun.
- 4 min de leitura

O Teatro Arena do Sesc Copacabana recebe a estreia nacional de Incondicionais, nova montagem que marca o retorno do Amok Teatro ao teatro documentário.
Contemplada pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar, a temporada do espetáculo da companhia Amok Teatro, intitulado Incondicionais, se estende de 25 de junho a 19 de julho de 2026, com apresentações de quinta a domingo.
A montagem, que tem direção e dramaturgia assinadas por Ana Teixeira e Stephane Brodt — ambos diretores premiados com o Shell —, traz no elenco as atrizes Dai Ramos, Luciana Lopes, Sirléa Aleixo, Taty Aleixo e Thay Aleixo.
A engrenagem do abandono no cárcere feminino
O texto de Incondicionais é fruto de uma investigação documental de aproximadamente seis meses. A dramaturgia foi construída a partir de relatórios, artigos e entrevistas, além de encontrar forte interlocução na literatura brasileira contemporânea sobre o tema. Entre as referências teóricas e confessionais que guiaram a criação estão as obras Cadeia – Relatos sobre mulheres, de Debora Diniz; Prisioneiras, de Dráuzio Varella; Presos que Menstruam, de Nana Queiroz; e Prisioneiras – Vida e violência atrás das grades, de Bárbara Musumeci Soares e Iara Ilgenfritz.
A narrativa se passa no interior de uma penitenciária feminina brasileira, centralizada em um gabinete de atendimento técnico. Nesse microssistema, psicólogas e assistentes sociais — apelidadas pelas detentas como as "jalecos brancos" — atuam como agentes de escuta em meio a laudos e decisões judiciais. O espaço funciona como uma suspensão temporária da dinâmica policial do presídio, onde as trajetórias de quatro internas se cruzam, revelando marcas de violência estrutural, pobreza e a interrupção de vínculos maternos.
O teatro documentário como recuo analítico
O retorno do Amok Teatro ao teatro documentário com a peça Incondicionais acontece quase duas décadas após O Dragão (2008), espetáculo que integrava a Trilogia da Guerra e investigava o massacre no campo de refugiados de Jenin, na Palestina. Para a encenadora Ana Teixeira, a opção pelo formato não assume um caráter estritamente didático ou jornalístico factual.
O objetivo é propor uma desaceleração na recepção da realidade, contrapondo-se ao fluxo fragmentado de informações que caracteriza o ambiente digital contemporâneo.
A diretora aponta que o espetáculo busca construir uma cena que funcione como espaço de memória e de humanização de corpos frequentemente invisibilizados pela opinião pública.
"O que nosso teatro documental propõe aqui, antes de tudo, é a partilha da experiência. O que está em jogo são pedaços de vida", define Ana Teixeira.
Estatísticas e o perfil do aprisionamento feminino no Brasil
O espetáculo joga luz sobre um fenômeno de crescimento acelerado na segurança pública do país. O Brasil registra atualmente a terceira maior população carcerária do mundo, com um contingente que ultrapassa 900 mil cidadãos privados de liberdade. Embora as mulheres representem uma parcela minoritária desse total — cerca de 5% —, o volume de prisões femininas saltou mais de 560% nos últimos 15 anos.
Os dados consolidados indicam um perfil socioeconômico recorrente: mulheres jovens, de baixa escolaridade, majoritariamente negras e em situação de vulnerabilidade financeira, muitas vezes arrastadas para a engrenagem do tráfico de entorpecentes em posições subalternas. O debate proposto pela encenação questiona a aplicação de uma igualdade formal em um sistema prisional estruturado originalmente por e para homens, o que termina por negligenciar demandas específicas do universo feminino, como a maternidade no cárcere, a saúde reprodutiva e o direito a visitas íntimas — prerrogativa conquistada pelas mulheres quase duas décadas após o direito ser assegurado aos homens no sistema nacional.
Trajetória de pesquisa do Amok Teatro em Incondicionais
Fundado em 1998, o Amok Teatro consolidou seu espaço na cena carioca através do teatro de pesquisa, acumulando mais de 70 indicações e prêmios ao longo de 12 montagens realizadas. Entre as produções anteriores destacam-se Cartas de Rodez (1998), Salina - A Última Vértebra (2015), Os Cadernos de Kindzu (2016) e Furacão (2023) — trabalho que rendeu a Sirléa Aleixo, integrante do atual elenco de Incondicionais, o Prêmio Shell de Melhor Atriz em 2025.
Sediado em Botafogo desde 2003 na Casa do Amok, o grupo mantém o Laboratório de Investigação Artaud-Decroux (LIAD), focado no rigor corporal e técnico do ator. A companhia desenvolve historicamente projetos de longa duração com desdobramentos pedagógicos, debates e circulação internacional, tendo passado por mais de 170 cidades brasileiras e palcos no exterior, em países como Sérvia, China e Escócia.
Ficha Técnica
Direção e dramaturgia: Ana Teixeira e Stephane Brodt
Elenco: Dai Ramos, Luciana Lopes, Sirléa Aleixo, Taty Aleixo e Thay Aleixo
Iluminação (criação): Renato Machado
Figurinos: Stephane Brodt
Cenário: Ana Teixeira
Edição de som: Gabriel Petitdemange
Operação de luz: João Gaspary
Operação de som: Anderson Ribeiro
Cenotécnico: Beto Almeida
Produção: Gabriel Garcia
Assessoria de imprensa: Ney Motta
Fotos de divulgação: Renato Mangolin
Designer gráfico: Dila Puccini
Mídias sociais: Mariã Braga
Serviço
Local: Teatro Arena do Sesc Copacabana
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro - RJ
Temporada: 25 de junho a 19 de julho de 2026
Horários: Quintas e sextas às 20h; sábados e domingos às 18h
Sessões com acessibilidade: 27 de junho e 11 de julho
Ingressos: R$ 30,00 (inteira); R$ 27,00 (conveniados); R$ 21,00 (credencial plena Sesc); R$ 15,00 (meia-entrada por lei, professores e classe artística); Gratuito (público cadastrado no PCG)
Vendas: Na bilheteria do teatro (terça a sexta das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados das 14h às 20h) ou pelo portal Ingresso.com
Lotação: 155 lugares
Classificação etária: 16 anos
Duração: 90 minutos
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