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Ano 2050 – O despertar de um mundo novo (1)


O documentário se inicia e é como se estivéssemos à janela de uma aeronave se aproximando da Terra. Os continentes vão ganhando corpo, os contornos ficam mais nítidos. Então, atravessamos as nuvens, estamos próximos e... surgem, majestosas, as muralhas da China. A imagem começa a percorrer campos plantados e uma voz masculina, grave, inicia o texto em off. O fundo musical é uma melodia instrumental. Também deve ter sido composta pela Inteligência Artificial. Uma fragrância amadeirada se espalha no ar. É agradável.


Locutor em off:    


      “O Oriente se sobrepôs ao Ocidente que se enfraquecera vitimado por suas próprias e gananciosas ações. Mas, independente, de todas as circunstâncias favoráveis, os chineses chegaram a descobertas científicas que fizeram a diferença. A mais impactante, e certamente a maior de todas as descobertas da humanidade, foi o domínio das viagens interdimensionais. Isso foi determinante para que os orientais chegassem ao topo do mundo. O domínio tecnológico supremo coincidiu com a comprovação da teoria do tempo plano e infinito e que, realmente, as versões humanas se replicam em outras dimensões. Existem cópias nossas perfeitas, vivendo vidas diferentes em outras dimensões. É o multiverso”.


      O documentário mostra que os CAWs (Cleaning Agents Worldwides) com suas armas phasers - que não são mais peças de filmes de ficção científica, viajaram pelas dimensões desintegrando pessoas estrategicamente importantes das potências do Ocidente, em uma verdadeira guerra silenciosa. Uma guerra sem sangue, que mudou os rumos da humanidade. O que teria sido classificado em outras épocas como um genocídio, algo inaceitável, era encarado agora apenas como estratégico. E foi, pois minou toda a estrutura de comando militar e econômico do Ocidente.


Todas as grandes nações que ainda não estavam alinhadas com o Consórcio Eurasiano ficaram acéfalas. Líderes de organizações mundiais poderosas e responsáveis por alianças e tratados de mútua defesa, líderes de blocos econômicos e militares, lideranças políticas, empresariais, religiosas, a cúpula do Pentágono, todo o Estado Maior e as esferas de inteligência, todas elas foram dizimadas e em muito pouco tempo. Centenas de milhares de pessoas. E não havia corpos como provas de crimes. Sem corpos, sem crimes. Não haveria mais guerras. Soldados e população civil não seriam mais vítimas de conflitos com fins meramente comerciais e imperialistas.       

 

      Foi como se jogassem um poderoso inseticida num cômodo repleto de baratas. Um caos de ninguém se entender. E as pessoas simplesmente foram desaparecendo. O presidente da então nação mais poderosa do Ocidente, como se costumava dizer, desaparecera diante dos olhos da população que assistia seu pronunciamento à nação, transmitido ao vivo pelas redes sociais e de televisão. O homem simplesmente sumiu.


Seu terno escuro esvaziou-se e caiu sobre os sapatos. Imaginem o pânico que se abateu sobre o país. E não adiantou nada o corre-corre de centenas de agentes de segurança, FBI, CIA e outros órgãos, saírem à caça de neoterroristas, de bioterroristas, de tecnoterroristas, de cyberterroristas. Não encontraram nada. Nenhum vestígio. Seu clone em outra dimensão fora identificado e alvejado por um CAW e, automaticamente, transportado para outro universo.


1) Trecho da minha novela futurista/delirante CRÔNICA DA MEIA NOITE, de 2019 – Ed. Garcia.

 

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1 comentário


Sonali Maria
Sonali Maria
24 de nov. de 2025

Ficção científica, como.por exemplo no filme Blade Runner (baseado em um livro), antecipam ou já apresentam tantas vezes mudanças a vir captadas pela sensibilidade e senso crítico de autores. Tém muitas delas nesse texto. Parabéns Laís!

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