DESNATAL
- Jorge Cardozo

- 24 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

As caixas, envoltas em papel colorido,
acumulam-se descuidadas
sobre a mesa e nos cantos da sala;
nem se sabe se possuem algum recheio.
As velas permanecem apagadas,
assim como as lâmpadas de enfeite.
Secaram-se as bebidas nos copos
E consumiram-se no tempo as comidas.
Não há um único eco de risos
ou rumores de alegria.
Nenhum olho chora, nenhum olho brilha.
Nem mesmo sombras fantasmagóricas
oscilam entre essas paredes.
Porque não é Natal.
Não é Natal sem a presença dos amigos,
sem a balbúrdia típica das famílias.
Não é Natal sem o abraço cálido
ou cansado ou enamorado
dos amores escolhidos.
Não é Natal sem a lembrança dos que estiveram em outros natais
e hoje são sombras ou luz.
Não é Natal sem a brincadeira das crianças
e a agitação da juventude,
ainda que em corpos já maduros
e carregados das marcas das muitas responsabilidades.
Não é Natal, ao contrário do que diga a propaganda do consumo,
apenas pela fartura de carnes, bebidas e guloseimas,
apenas pelas roupas novas e troca de presentes
Também não é Natal se não houver
um fio de pensamento que seja de solidariedade
aos que lutam, aos que sofrem,
aos que passam por privações de alimento, moradia,
saúde ou liberdade.
Não é Natal se não conseguimos respeitar de pleno
o outro, o diferente, o que crê em algo diverso,
o que não crê, o que não comemora o Natal.
Não é Natal se não renasce o deus vivo
dentro de cada um de nós.
Não. É Natal!
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