Entre Linhas e Códigos: A Jornada Filosófica de Kleber Faria Sales em "Ser, Além de Existir"
- Lais Amaral Jr

- há 1 dia
- 5 min de leitura

Kleber Faria Sales, mesmo sendo um profissional bem sucedido na área de Sistema de Informações, desde a adolescência é um enamorado da literatura, tendendo para prosa e verso.
Neste seu livro Ser, Além de Existir, ele reúne crônicas reflexivas que convidam à consciência sobre perdas, escolhas e sentidos possíveis na experiência humana. O que, de fato, significa, estar presente na própria trajetória? A pergunta atravessa Ser, Além de Existir, propondo um mergulho nas inquietações frequentemente evitadas no cotidiano, como o confronto com a nossa finitude.
Sem recorrer a fórmulas prontas, o autor constrói um percurso capaz de instigar o leitor a encarar suas contradições com honestidade, reconhecendo: existir, por si só, não garante plenitude — é preciso ir além. As crônicas se debruçam sobre dilemas universais a partir de imagens simples e potentes: viagens, sementes e paisagens efêmeras. Ao explorar temas como liberdade, medo e pertencimento, o autor revela tensões constantes entre o desejo de controle e a inevitabilidade do desconhecido.
O livro é uma ferramenta para a verdadeira transformação que nasce do enfrentamento das próprias vulnerabilidades. “Às vezes a gente passa a vida não vivendo, renuncia à própria existência e se esforça para parir o mais absoluto vazio. Não sei por que isso acontece, mas o único tempo que temos para mudar é o agora. Amanhã pode ser tarde demais”. (Ser, Além de Existir, p. 82).
Ao longo das crônicas, Kleber evidencia o autoconhecimento como um processo contínuo, muitas vezes desconfortável e cada reflexão é um convite ao leitor a rever certezas e construir novos significados a partir das próprias experiências.
Essa jornada íntima também resgata a importância das relações humanas diante da brevidade da vida. Ao reconhecer a própria pequenez frente ao mundo, emerge a valorização dos encontros, da escuta e da partilha genuína.
Na obra, Kleber Faria faz um chamado a questionar, mudar e, sobretudo, assumir a própria humanidade em toda a sua complexidade. Ele reafirma que viver com profundidade é um ato de escolha.
Ficha técnica
Título do livro: Ser, Além de Existir
Autor: Kleber Faria Sales
ISBN/ASIN: 978-65-01-17114-2
Páginas: 110
Instagram: @kleberfsales
CRIATIVOS - Kleber, se existir não é o limite, ao lermos seu livro, teremos alguma pista de como ir além?
KLEBER FARIA - O livro propõe uma série de reflexões em linguagem leve, com a intenção de compartilhar com o leitor tanto experiências quanto uma forma de enxergar o mundo e lidar com algumas dores. Algumas crônicas tratam da importância e da dificuldade de ser o eu, justamente pela dificuldade que temos de nos conhecer de verdade e de olhar para nós mesmos com honestidade. O livro não propõe respostas prontas; ele busca ampliar o leque de perguntas. Não para deixar o leitor perdido, mas para ajudá-lo a investigar a si mesmo, sempre com leveza e compaixão.
CRIATIVOS - Algumas religiões minimizam a finitude... Seu livro especula algo sobre essa questão, ou deixa mais perguntas para estimular uma reflexão mais aguda?
KLEBER FARIA - O livro toca bastante na finitude da vida, mas em uma dimensão mais poética e filosófica do que religiosa. Há algumas crônicas que expressam a fé de modo mais explícito, mas esse não foi o foco da obra. Qualquer que seja a crença do leitor, é inegável que esta vida é muito curta, passa muito rápido, e precisamos nos empenhar em vivê-la bem. Mais do que oferecer respostas, o livro levanta questões.
CRIATIVOS - Para evitar uma existência infrutífera... A vida tem sentido?
KLEBER FARIA - Acredito que sim. Muitas vezes, nós ou nossos pais e parentes próximos percebemos em nós talentos que parecem ser inatos. Acho que o sentido da vida está ligado a isso: aos sonhos da infância, àquilo que desejamos de forma inocente e àquilo que deixaremos. Nossa existência é muito curta, mas os efeitos do que fazemos se estendem de forma imprevisível e indeterminada. Uma das graças da vida talvez se confunda com uma de suas dores: nunca saberemos com certeza como as coisas teriam sido se algo tivesse sido diferente. Consequências imediatas conseguimos imaginar com alguma precisão, mas os desdobramentos sempre ultrapassam nossa capacidade de análise. Há crônicas no livro que tratam dessa continuidade entre gerações e da repercussão dos nossos atos. Ainda assim, descobrir o que faz o coração arder e o que realmente nos move costuma ser parte de uma jornada bastante solitária.
CRIATIVOS - Como foi o nascimento do escritor, lá na juventude? Influências, referências. O que está lendo atualmente?
KLEBER FARIA - Cresci em uma casa com muitos livros e sempre gostei de ler. Na adolescência, eu me interessava bastante por enciclopédias e dicionários, mas também lia literatura, como Monteiro Lobato, Machado de Assis e Lima Barreto, entre outros. Gostava muito de ouvir música clássica e de estudar áreas bem distintas, como física e etimologia. Passei boa parte da infância e da adolescência assim. Pegava o caderno e escrevia versos para expressar minhas impressões e sentimentos sobre o mundo. Acho que isso era comum naquela época. Hoje não sei. Tenho a impressão de que a tecnologia acabou ocupando o lugar do tédio e levando os adolescentes a outras formas de atividade. Já no início da vida adulta, descobri o gosto pela literatura por meio de uma coleção dos prêmios Nobel de 1900 a 1950 e de outros livros. Atualmente, estou lendo vários diálogos de Sócrates e livros religiosos, como Castelo Interior, além de ter uma lista enorme de livros aguardando sua vez.
CRIATIVOS - Você vem lidando há muito tempo com sistemas de informação... essa profissão influenciou no cronista, no poeta?
KLEBER FARIA - Muita gente pensa que sistemas de informação é uma atividade puramente mecânica e repetitiva, algo técnico e sem vida, como um mundo pintado em tons de cinza. Mas isso não é verdade. Quando se trabalha com desenvolvimento de software, como é o meu caso, existe um espaço enorme para a criação. Digitar código é apenas parte da atividade; o mais interessante é entender o problema, desenhar soluções, propor meios de resolver ou lidar com situações e só então partir para a codificação. Isso também é uma expressão de arte.
Acredito que, na vida, haja separações de papéis, mas o ‘eu’ é uno. Então o cronista, o poeta e o desenvolvedor coexistem na mesma pessoa. Pode ser que eu enxergue poesia nas coisas que faço por ser poeta e que busque precisão nas palavras por ser arquiteto de sistemas. De qualquer forma, costumo brincar que escrevo histórias: algumas o computador executa.
Estou ouvindo JUROS DE MORA, com CLARICE MAGALHÃES.
Música de Evandro Lima e Sergio Fonseca, repertório ®CertCon, disponível para trilhas sonoras e downloads na Cedro Rosa.

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