Fenômeno BookTok Brasil: Expansão da Economia Criativa e o Gargalo da Propriedade Intelectual
- Redação

- há 2 horas
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O mercado editorial brasileiro atravessa uma transformação estrutural impulsionada por algoritmos que transferem o engajamento das telas para as prateleiras físicas. O fenômeno BookTok — nicho literário do TikTok — consolidou-se como um motor de vendas, mas sua ascensão expõe dilemas sobre a captura de valor e a fragilidade da propriedade intelectual no ambiente das plataformas.
Segundo levantamento do centro de pesquisas Reglab — instituição voltada à estratégia e regulação no setor de tecnologia —, a hashtag #BookTokBrasil teria superado 3 bilhões de visualizações em 2025, com o ecossistema literário na plataforma alcançando a marca declarada de 12 bilhões de views. Embora os números de visualizações em redes sociais devam ser analisados com cautela, dada a opacidade das métricas das Big Techs, o impacto no comportamento de consumo é um fato mensurável nas livrarias brasileiras.
A Força Econômica da Cultura: Brasil no Cenário Global
A relevância desse movimento ocorre em um momento em que a cultura se afirma como ativo estratégico. No Brasil, dados do relatório FIRJAN 2025 apontam que a Economia Criativa já responde por 3,6% do PIB nacional, demonstrando alta resiliência tecnológica.
Em uma perspectiva comparada, o Brasil avança em direção aos índices de mercados onde a propriedade intelectual é o motor central:
União Europeia: O setor cultural e criativo representa cerca de 4,4% do PIB, chegando a 6% quando integrada a tecnologia e software.
Estados Unidos: A indústria baseada em direitos autorais (copyright) alcança 10% da economia americana, liderando a exportação global de PI.
Ásia: China e Coreia do Sul investem agressivamente em tecnologia aplicada, elevando o setor a patamares de 5% do PIB.
O Conflito dos Direitos Autorais e a Falha nos Metadados
Apesar de o setor de tecnologia classificar o BookTok como uma "infraestrutura de descoberta", o avanço dessas comunidades traz à tona o debate sobre a remuneração real de autores e detentores de direitos. O TikTok é alvo de discussões globais sobre o uso de trechos de obras e audiobooks informais que circulam sem o devido rastreamento ou pagamento de royalties.
Para que a economia criativa seja sustentável e soberana, a gestão desses ativos digitais não pode depender exclusivamente da autorregulação das plataformas. A implementação de sistemas de Certificação de Ativos Musicais, como os desenvolvidos pela CertCon, exemplifica a necessidade de ferramentas técnicas independentes para garantir o rastreamento e o pagamento de direitos autorais. Sem metadados íntegros e registros auditáveis, a viralização nas redes sociais resulta em lucro concentrado nas Big Techs, enquanto o criador original permanece à margem da monetização.
Do Digital ao Ponto de Venda
O impacto do algoritmo é direto: obras que viralizam frequentemente esgotam em livrarias físicas, pautando o cronograma de lançamentos das editoras brasileiras. Segundo a pesquisadora do Reglab, Natália Ribeiro, a curadoria algorítmica permite visibilidade orgânica a novos autores, especialmente de nichos LGBTQIAP+.
Contudo, a questão central em 2026 reside na conversão dessa visibilidade em soberania econômica. O sucesso de público nas redes sociais não resolve a carência de uma infraestrutura tecnológica que proteja o criador contra a captura de valor desproporcional. Sem mecanismos de rastreamento auditáveis, a viralização digital permanece gerando lucros concentrados nas plataformas, enquanto a sustentabilidade financeira da cadeia produtiva nacional segue vulnerável à opacidade dos algoritmos.
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