FLIR e Casa Claudionor Rosa, alguns bons motivos para dar um pulinho em Resende, no Sul Fluminense
- Lais Amaral Jr

- há 2 horas
- 4 min de leitura

Hoje falo do meu quintal, Resende, cidade que me acolheu há três décadas. O município está a mais ou menos 150 quilômetros do Rio de Janeiro, aos pés da majestosa Mantiqueira, a ‘Serra que Chora’, na linguagem dos povos originários locais, os Puris. Lá no alto, em meio a belos vales e muita natureza, existem preciosos vilarejos, num recanto meio mágico, que é a Região de Visconde de Mauá. São as vilas de Mauá, Maringá, Maromba e Maringá de Minas. Todas vizinhas, pertencentes aos municípios fluminenses de Resende e Itatiaia e da mineira, Bocaina.
Na parte mais alta da Serra está o Pico das Agulhas Negras, ponto culminante do nosso Estado. O acesso é pelo Parque Nacional do Itatiaia, o primeiro do país, criado por Getúlio Vargas, em 1937. Getúlio, durante revolução constitucionalista de 1932, se abrigou numa casa em área que mais tarde viria a pertencer ao Parque. Ele não queria ficar no Rio, temendo um bombardeio dos paulistas ao Palácio do Catete. E Resende acabou sendo alvo de bombardeio aéreo. Mas Getúlio estava seguro em meio à mata. Pouco tempo depois criou o Parque. O que pode ser entendido como uma espécie de agradecimento à região.
Acabei entrando um pouco num terreno que não é minha praia propriamente, a História local, embora admita que deveria ser matéria fundamental nas grades escolares. Talvez seja influência de um saudoso senhor chamado Claudionor Rosa, um mineiro que por aqui chegou como jovem adulto e se enamorou profundamente pela região. Era um ativo militante da cultura e também conhecido como historiador. Não tinha essa formação, mas esse título informalmente concedido a ele, foi consequência da sua contribuição, fruto da prática de investigador curioso e incansável em busca dos alicerces históricos da região. Historiador por princípio e bem dedicado ao ofício, como no samba de uma agremiação local.
Então, terminou domingo passado, a 12ª edição da Feira de Livros de Resende (FLIR). Evento de comprovado sucesso viabilizado por uma empresa dirigida pelo dedicado trio Antônio Carlos Pereira, Adriana e Amanda Elias, com apoio público e privado. Sem nenhuma dúvida, um dos mais destacados eventos do sul fluminense em termos de conteúdo. São dezenas de palestras dos mais variados temas e destacados palestrantes, como este ano, o escritor indígena Daniel Munduruku, entre outros. E mais: apresentações musicais, teatrais, performances, espelhando uma diversidade de oferta digna de muitos aplausos. Além de espaço para lançamentos de livros oferecendo oportunidade a muitos autores, durante todos os dias da feira. Sem contar as livrarias, editoras e estandes de entidades culturais e educacionais para um público também variado e de todas as idades. Um show.
Entre as entidades de cultura presentes, cito duas ligadas, aquele senhor que mencionei no terceiro parágrafo: o ‘Grêmio Literário de Resende’ fundado por ele e, a ‘Casa Claudionor Rosa’, que foi sua residência no Centro Histórico da cidade, hoje um ponto de cultura e um núcleo emanador de múltiplas manifestações artísticas e culturais, legado do velho e levado à frente pelos filhos Luciano e Luciana Rosa. Este ano o tema escolhido por eles para levar à FLIR foi o café, produto que tem estreita relação com a Resende do passado e de toda a região.
O estande da ‘Casa’ foi ornamentado por belas peças temáticas, entre elas um carro de boi autêntico, que Luciano trouxe da cidade mineira de Andrelândia, e quadros, pilão e grãos de café, que fizeram muito sucesso junto às centenas de estudantes que visitaram o local. Ali, Luciano e Luciana e mais alguns abnegados colaboradores e “crias” do velho Claudionor, transmitiram aos visitantes a história da chegada, do desenvolvimento e do destino do café, o ‘ouro verde’ na região.
Fora a exposição de exemplares de jornais de época e livros sobre o assunto, como Resende, a Cultura Pioneira do Café no Vale do Paraíba, da escritora Maria Celina Whately.
É isso, Resende tem muitas referências, sejam geográficas, históricas ou culturais. A ‘Casa Claudionor Rosa’ e o ‘Grêmio Literário’ são dignos representantes dessas esferas, e a FLIR é hoje uma fundamental caixa de ressonância dessas vozes.
Ponham em suas agendas, a vinda a Resende, para a 13ª edição da FLIR, no próximo ano. Mas se der, apareçam antes, há um grande leque de excelentes atrações turísticas. Abraço.
Escute Sina de Passarinho, de Evandro Lima e Lais Amaral, repertório ®CertCon.
Nasci com a sina do passarinho que abandona o ninho, bate asas pra cantar
Repare bem, eu sou mais um nó na madeira e faço meu povo sambar
Eu retardo a saideira e faço meu povo sambar
Ao sabor do vento vou espalhando o meu canto
Às vezes de alegria, às vezes sofrimento às vezes simples acalanto
É que a melodia em mim fez moradia, lenitivo pra todos os meus prantos
E antes que chegue o dia, na madrugada fria, o samba me aquece com seu manto
Disponível para trilhas sonoras e licenciamento na Cedro Rosa.
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