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Fábio Kerouac, um poeta e escritor nascido no Maranhão e renascido na Alemanha



O escritor Fábio Kerouac, tem 58 anos de idade e 31 de poesia falada

e escrita, “mais falada do que escrita!”, como ele diz. É natural do

Maranhão e reside em Hamburgo, na Alemanha, há 18 anos, onde

trabalha como cuidador de idosos e é casado há 20 anos com a

jornalista, tradutora/intérprete japonesa, Junko Iwamoto.


Em Caxias (MA), onde o poeta começou, foi dublê de jornalista para

manter a vida poética, uma “louca vida louca” e como consequência

não concluiu o curso de História e só fez um semestre de Propaganda

e Advertising. Culpa do compromisso selvagem e espontâneo com a

vida.


Publicou o livro Versos de Amor (em coautoria com Jorge Bastiani e

Renato Meneses), em 1996. Em 1997 foi incluído no livro Safra/90, de

novos poetas do Maranhão naquela década. Em 2003 saiu Versos

Colhidos no Orvalho e em 2010, Ein Brasilianischer Dichter in

Hamburg/Um Poeta Brasileiro em Hamburgo. Todos, livros de

poesia.


Como intérprete, declamou em bares, em teatros, em universidades,

em praças e no banheiro, poemas de Ferreira Gullar, Fernando

Pessoa, Mário Quintana, Pablo Neruda, Nauro Machado, Luís Augusto

Cassas, Manoel de Barros, entre outros.


Em 2015 lançou seu primeiro livro de prosa, O Cuidador de

Velhinhos Alemães, que conta o dia-a-dia de uma casa de idosos na

Alemanha onde fez um estágio. Em 2017 lançou João, O Homo Feliz,

que conta um pouco da vida do piauiense, natural de Teresina,

Joaquim Rodrigues, dançarino e professor de dança em Hamburgo,

onde participou em 2001, da segunda cerimônia homoafetiva na

Alemanha (a primeira foi em Hannover, no mesmo dia).


O terceiro livro de prosa, Um Alcoólatra na Psiquiatria Alemã, saiu

em 2020 e narra o seu dia-a-dia numa clínica de desintoxicação em

Hamburgo, para onde foi, por ter perdido o controle do álcool. Insônia,

solidão, ataques de choro e abstinência foram alguns dos fantasmas e

sentiu-se o último homem no Planeta, sem emprego, sem dinheiro e

um futuro duvidoso. Mas aprendeu a viver sem o álcool, via terapias e

o convívio com pessoas, que como ele, chegaram ao fundo do poço.


Em 2022 lançou A Menina do Vestido Vermelho com Bolinhas

Brancas, que conta sobre Daniele, uma menina de 5 anos que sofre

abuso infantil em São Luís.




CRIATIVOS - Fábio Kerouac, você foi jornalista para sustentar o

poeta On the Road no compromisso espontâneo com a vida. O

poeta e o jornalista conviviam harmoniosamente?


FÁBIO KEROUAC - Eu já era poeta quando me tornei dublê de

jornalista, mas graças a essa aventura como periodista eu pude

bancar a minha vida poética e pude estar em lugares em que o poeta

não poderia estar, ou melhor, não precisaria de um poeta, que muitas

vezes chegou a aparecer nesses locais de ressaca ou até bêbado! Um

completava o outro, mas um atrapalhou o outro algumas vezes. Por

aqui se diz: Dichter ist kein Beruf, ist Berufung (Poeta não é profissão,

é vocação)! Eu me considerava um dublê de jornalista porque não

estudei para isso e estava exercendo a profissão no lugar de alguém

que tinha estudado!


CRIATIVOS - Além de Ferreira Gullar, Fernando Pessoa, Mário

Quintana, Pablo Neruda e outros monstros sagrados da poesia,

quem foi que, definitivamente, o fez descobrir o poeta que

habitava em você?


FÁBIO KEROUAC - O poeta que habitou em mim surgiu a partir de

um somatório desses poetas e de outros, como Manuel Bandeira, que

gosto muito, Cruz e Souza, que li em 1983, os poetas beats Allen

Ginsberg e Gregory Corso, além do meu tio, o poeta Elio Ferreira

(infelizmente falecido no ano passado por causa de um câncer). Ele foi

doutor em Literatura e professor da UESPI (Universidade Estadual do

Piauí). Foi ele que nos anos 80 me deu os primeiros livros para leitura,

inclusive o primeiro livro de poesia (Antologia Poética de Ferreira

Gullar), ele o enviou para mim desde Campo Grande (MS) onde

morou. Foi ele também que me fez conhecer a obra de Sousândrade e

de Manoel de Barros, este ele o conheceu por circular entre Mato

Grosso e Mato Grosso do Sul nos anos 80.


CRIATIVOS - Posso entender que o poeta nasceu no Maranhão

e o romancista em Hamburgo?


FÁBIO KEROUAC - O Poeta nasceu em Caxias, no Maranhão, terra

do poeta Gonçalves Dias, e morreu em Hamburgo, onde o escritor

surgiu em 2015, ano em que eu mandei a poesia à PQP, e resolvi me

dedicar a contar histórias! Se é difícil vender histórias imagina vender

poesia! Todos dizem que gostam de poesia, amam poesia, mas

poucos vão a uma livraria comprar poesia. Com as minhas

performances poéticas eu consegui ir mais longe, cheguei até a viajar

por causa delas, mas só ganhei aplausos. Isto não é suficiente. Com

as histórias que eu escrevo eu quero pelo menos que as pessoas as

leiam.


CRIATIVOS - Parece um lugar comum a afirmação de que o

escritor é – consciente ou não – autobiográfico em sua obra.

Com exceção de ‘Um Alcoólatra na Psiquiatria Alemã’, que

parece obvio, você concorda com essa da visão da crítica

literária?


FÁBIO KEROUAC - Confesso que não sei o que a crítica disse, mas

tem um pouco de razão. Nos meus livros, com exceção de João, O

Homo Feliz e A Menina do Vestido Vermelho com Bolinhas

Brancas, os outros três que escrevi, tem muito do que vivi e o próximo

que está borbulhando na minha “cachola” vai ter algo de

autobiográfico. Eu acredito que toda pessoa tem uma história pra

contar, eu tenho várias e nelas eu me incluo, inconsciente ou não!


CRIATIVOS - Comente ou fale o que seja de seu interesse e as

perguntas não estimularam. Obrigado.


FÁBIO KEROUAC - Para completar eu diria que o leitor brasileiro

precisa valorizar, ler, o autor nacional. Tem muita coisa boa, uma

geração muito diferente da minha adolescência, da minha idade já

adulta. Eu sempre que vou ao Brasil trago na minha mala autores que

nunca ouvi falar e até alguns que já ouvi falar e não tinha lido ainda,

todos dessa nova geração.


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