Fábio Kerouac, um poeta e escritor nascido no Maranhão e renascido na Alemanha
- Lais Amaral Jr

- 26 de nov. de 2025
- 4 min de leitura

O escritor Fábio Kerouac, tem 58 anos de idade e 31 de poesia falada
e escrita, “mais falada do que escrita!”, como ele diz. É natural do
Maranhão e reside em Hamburgo, na Alemanha, há 18 anos, onde
trabalha como cuidador de idosos e é casado há 20 anos com a
jornalista, tradutora/intérprete japonesa, Junko Iwamoto.
Em Caxias (MA), onde o poeta começou, foi dublê de jornalista para
manter a vida poética, uma “louca vida louca” e como consequência
não concluiu o curso de História e só fez um semestre de Propaganda
e Advertising. Culpa do compromisso selvagem e espontâneo com a
vida.
Publicou o livro Versos de Amor (em coautoria com Jorge Bastiani e
Renato Meneses), em 1996. Em 1997 foi incluído no livro Safra/90, de
novos poetas do Maranhão naquela década. Em 2003 saiu Versos
Colhidos no Orvalho e em 2010, Ein Brasilianischer Dichter in
Hamburg/Um Poeta Brasileiro em Hamburgo. Todos, livros de
poesia.
Como intérprete, declamou em bares, em teatros, em universidades,
em praças e no banheiro, poemas de Ferreira Gullar, Fernando
Pessoa, Mário Quintana, Pablo Neruda, Nauro Machado, Luís Augusto
Cassas, Manoel de Barros, entre outros.
Em 2015 lançou seu primeiro livro de prosa, O Cuidador de
Velhinhos Alemães, que conta o dia-a-dia de uma casa de idosos na
Alemanha onde fez um estágio. Em 2017 lançou João, O Homo Feliz,
que conta um pouco da vida do piauiense, natural de Teresina,
Joaquim Rodrigues, dançarino e professor de dança em Hamburgo,
onde participou em 2001, da segunda cerimônia homoafetiva na
Alemanha (a primeira foi em Hannover, no mesmo dia).
O terceiro livro de prosa, Um Alcoólatra na Psiquiatria Alemã, saiu
em 2020 e narra o seu dia-a-dia numa clínica de desintoxicação em
Hamburgo, para onde foi, por ter perdido o controle do álcool. Insônia,
solidão, ataques de choro e abstinência foram alguns dos fantasmas e
sentiu-se o último homem no Planeta, sem emprego, sem dinheiro e
um futuro duvidoso. Mas aprendeu a viver sem o álcool, via terapias e
o convívio com pessoas, que como ele, chegaram ao fundo do poço.
Em 2022 lançou A Menina do Vestido Vermelho com Bolinhas
Brancas, que conta sobre Daniele, uma menina de 5 anos que sofre
abuso infantil em São Luís.

CRIATIVOS - Fábio Kerouac, você foi jornalista para sustentar o
poeta On the Road no compromisso espontâneo com a vida. O
poeta e o jornalista conviviam harmoniosamente?
FÁBIO KEROUAC - Eu já era poeta quando me tornei dublê de
jornalista, mas graças a essa aventura como periodista eu pude
bancar a minha vida poética e pude estar em lugares em que o poeta
não poderia estar, ou melhor, não precisaria de um poeta, que muitas
vezes chegou a aparecer nesses locais de ressaca ou até bêbado! Um
completava o outro, mas um atrapalhou o outro algumas vezes. Por
aqui se diz: Dichter ist kein Beruf, ist Berufung (Poeta não é profissão,
é vocação)! Eu me considerava um dublê de jornalista porque não
estudei para isso e estava exercendo a profissão no lugar de alguém
que tinha estudado!
CRIATIVOS - Além de Ferreira Gullar, Fernando Pessoa, Mário
Quintana, Pablo Neruda e outros monstros sagrados da poesia,
quem foi que, definitivamente, o fez descobrir o poeta que
habitava em você?
FÁBIO KEROUAC - O poeta que habitou em mim surgiu a partir de
um somatório desses poetas e de outros, como Manuel Bandeira, que
gosto muito, Cruz e Souza, que li em 1983, os poetas beats Allen
Ginsberg e Gregory Corso, além do meu tio, o poeta Elio Ferreira
(infelizmente falecido no ano passado por causa de um câncer). Ele foi
doutor em Literatura e professor da UESPI (Universidade Estadual do
Piauí). Foi ele que nos anos 80 me deu os primeiros livros para leitura,
inclusive o primeiro livro de poesia (Antologia Poética de Ferreira
Gullar), ele o enviou para mim desde Campo Grande (MS) onde
morou. Foi ele também que me fez conhecer a obra de Sousândrade e
de Manoel de Barros, este ele o conheceu por circular entre Mato
Grosso e Mato Grosso do Sul nos anos 80.
CRIATIVOS - Posso entender que o poeta nasceu no Maranhão
e o romancista em Hamburgo?
FÁBIO KEROUAC - O Poeta nasceu em Caxias, no Maranhão, terra
do poeta Gonçalves Dias, e morreu em Hamburgo, onde o escritor
surgiu em 2015, ano em que eu mandei a poesia à PQP, e resolvi me
dedicar a contar histórias! Se é difícil vender histórias imagina vender
poesia! Todos dizem que gostam de poesia, amam poesia, mas
poucos vão a uma livraria comprar poesia. Com as minhas
performances poéticas eu consegui ir mais longe, cheguei até a viajar
por causa delas, mas só ganhei aplausos. Isto não é suficiente. Com
as histórias que eu escrevo eu quero pelo menos que as pessoas as
leiam.
CRIATIVOS - Parece um lugar comum a afirmação de que o
escritor é – consciente ou não – autobiográfico em sua obra.
Com exceção de ‘Um Alcoólatra na Psiquiatria Alemã’, que
parece obvio, você concorda com essa da visão da crítica
literária?
FÁBIO KEROUAC - Confesso que não sei o que a crítica disse, mas
tem um pouco de razão. Nos meus livros, com exceção de João, O
Homo Feliz e A Menina do Vestido Vermelho com Bolinhas
Brancas, os outros três que escrevi, tem muito do que vivi e o próximo
que está borbulhando na minha “cachola” vai ter algo de
autobiográfico. Eu acredito que toda pessoa tem uma história pra
contar, eu tenho várias e nelas eu me incluo, inconsciente ou não!
CRIATIVOS - Comente ou fale o que seja de seu interesse e as
perguntas não estimularam. Obrigado.
FÁBIO KEROUAC - Para completar eu diria que o leitor brasileiro
precisa valorizar, ler, o autor nacional. Tem muita coisa boa, uma
geração muito diferente da minha adolescência, da minha idade já
adulta. Eu sempre que vou ao Brasil trago na minha mala autores que
nunca ouvi falar e até alguns que já ouvi falar e não tinha lido ainda,
todos dessa nova geração.
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