O fim da Rádio Eldorado: crise no sistema ou migração de modelo de negócio?
- Redação

- 4 de mai.
- 3 min de leitura

O anúncio do encerramento das transmissões da Rádio Eldorado FM no dial paulistano, previsto para maio de 2026, marca o início de uma reestruturação profunda que redefine o papel dos grandes conglomerados de mídia no Brasil.
Ao encerrar a operação na frequência 107,3 MHz e consolidar a aquisição da NZN — detentora do TecMundo —, o Grupo Estado sinaliza não apenas uma redução de custos, mas uma mudança estratégica: a transição de um modelo de transmissão linear para um ecossistema de ativos digitais rastreáveis.
A decisão de acabar com a Rádio Eldorado provocou reações imediatas, com protestos nas redes sociais e um ato público de ouvintes e admiradores realizado neste domingo, dia 3, na Avenida Paulista.
Não é algoritmo. É Eldorado.
Radiodifusão em zona cinzenta
O caso expõe fragilidades estruturais da radiodifusão brasileira — setor que engloba rádio e televisão — incluindo práticas como o arrendamento de horários, que operam em uma zona cinzenta regulatória.
Esse modelo impulsiona o crescimento de emissoras com viés político ou religioso, além de formatos comerciais baseados na venda de programação. As chamadas “rádios de aluguel” transformam concessões públicas em ativos explorados comercialmente, muitas vezes sob contratos pouco transparentes.
Streaming: solução ou novo problema?
O streaming consolidou-se como um gigante econômico, mas também trouxe desafios. A remuneração pulverizada levou parte dos artistas a questionar sua presença nas plataformas.
A crise da radiodifusão no Brasil, portanto, não é isolada: reflete um desequilíbrio entre modelos tradicionais, informalidade de mercado e mudanças profundas nos hábitos de consumo.
O contraste com os Estados Unidos
Nos Estados Unidos, o rádio AM/FM mantém forte resiliência, alcançando cerca de 93% da população adulta mensalmente, segundo dados da Nielsen (2026).
O meio é tratado como infraestrutura estratégica. O projeto de lei “AM Radio for Every Vehicle Act”, com apoio bipartidário, busca garantir a presença do rádio AM em veículos por razões de segurança e comunicação emergencial.
Enquanto isso, o rádio ainda domina mais de 60% do consumo de áudio com publicidade no país, muito acima de plataformas como Spotify (versão gratuita), que operam entre 5% e 6%.
Direitos autorais: o tamanho da diferença
O impacto econômico é evidente:
ASCAP arrecadou US$ 1,945 bilhão em 2025
BMI arrecadou US$ 1,84 bilhão em 2025
No Brasil:
ECAD arrecadou R$ 2,1 bilhões
Distribuiu R$ 1,7 bilhão
Apesar da eficiência técnica do ECAD, reconhecida internacionalmente, a diferença reflete o tamanho das economias e o nível de organização do mercado cultural.
O sistema CertCon, que certifica ativos musicais permitindo que a cadeia produtiva da música seja remunerada está ligado. ao ECAD, no Brasil, via AMAR, à ASCAP, nos Estados Unidos e à SACEM, na França.
Um meio ainda relevante
Segundo a Kantar IBOPE Media (Inside Audio 2025), o rádio atinge 79% da população nas regiões metropolitanas brasileiras.
O meio permanece relevante — mas enfrenta um claro descompasso tecnológico, regulatório e de modelo de negócio.
Algumas emissoras já operam de forma híbrida, combinando radiodifusão tradicional com transmissões ao vivo em plataformas digitais.
Esse modelo aponta para um futuro possível — mais integrado, mensurável e alinhado às novas dinâmicas da economia criativa.
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Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade
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