“Olha a cobra! É mentira!”
- Luiz Inglês

- 7 de jul. de 2025
- 3 min de leitura

Junho chegou ao fim, levando consigo as celebrações das festas juninas.No interior, as festas de São João são marcantes não só pela importância da celebraçãocristã, que é sua origem, como também pela incorporação nos festejos populares.
Na verdade esta comemoração agrega três santos: Santo Antônio, São Pedro e naturalmente São João, todos com suas datas comemorativas no mês de junho.Começaram como celebrações pagãs ligadas ao solstício de verão na Europa. Com o tempo a Igreja reuniu estas festas para celebrar os três santos tão populares. Mas por ser inverno nestas bandas de cá, coincide com a época da colheita do milho – por isso tantas comidas típicas com milho.
Os portugueses quando chegaram ao Brasil, trouxeram suas tradições, que aqui ganhou misturas de elementos indígenas e afro-brasileiras.
Este ano fui a três festas juninas. Uma da Prefeitura da cidade do interior onde moro (10.000 habitantes), outra em casa de morador local e uma última numa casa de campo de gente de cidade grande.
A festa da Prefeitura, por ser pública, naturalmente conta com mais participantes. Palco armado na praça iluminada com show de banda caipira. O forró anima os foliões. Muita dança com quadrilha. As barracas, com comida e bebida dos comerciantes locais, se espalham ao redor. O povo comparece em peso. A praça da cidade é tomada por famílias de todo o tipo. Um congraçamento geral.
O que achei interessante é ver tantas pessoas conhecidas que normalmente estão atrás de um balcão atendendo fregueses, ou na roça arando a terra para a próxima safra, ou plantando mudas da horta, ou subindo pasto no cavalo recolhendo gado. Todo este povo na festa com suas melhores roupas trazendo a filharada e desfilando com alegria pela praça. Comendo milho, bebendo quentão e a gurizada com paçoca, pamonha ou pipoca. Existe no ar um contentamento geral repleto de simpatia. A praça enfeitada com bandeirolas e luzes coloridas, espaço para a dança da quadrilha e a festividade segue seu roteiro. Até o padre marca presença acompanhado do prefeito. As famílias se retiram mais cedo e aqueles que gostam de uma cachacinha vão ficando até mais tarde.
Como é festa do poder público, vê-se a polícia rondando para garantir a segurança. Existe também as filas nas barracas para comprar bebida ou comida pois os comerciantes precisam faturar. Mas o clima reinante é de puro entusiasmo.
Na festa de morador local, o clima é mais animado apesar de, por razões óbvias, menos concorrida. E em se tratando de festa particular, ninguém tem que comprar nada. O bar é aberto. E, curiosamente, a grande maioria está trajando roupas tradicionais caipiras, o que deixa o ambiente mais festeiro ainda. Uma fogueira arde esquentando quem se aproxima, as comidinhas são mais tradicionais pois amigas e amigos colaboram. Canjica, caldos diversos, espetinhos, curau, milho cozido, arroz-doce, paçoca, pé-de-moleque, pamonha, cocada, quentão e cachaça são clássicos.
Os enfeites também são mais tradicionais, as bandeirolas coloridas, balões, espantalho, chapéus de palha esquentando as cabeças do frio da época, carroça enfeitada para foto com beijo é ótima desculpa para registrar o momento. Banda de forró com menos integrantes – sanfona, zabumba e triângulo – já chama todos os participantes para a dança. Em geral todos se conhecem e o clima reinante é de muita farra. Acredito ser, das três, a melhor experiência pois a festa de quem tem casa de campo, apesar da alegria em participar dos festejos juninos, oferece de tudo o necessário, mas traz um ar, uma atmosfera da cidade grande.
Já começa a aparecer uísque, gin-tônica ou outra bebida mais apurada. Acaba sendo oportunidade de um desfile de roupas caipiras de griffe ou qualquer coisa colorida disparatada que se diz caipira. As comidas tradicionais estão lá, mas com adição de pratos com menos milho ou amendoim. Quando o trio de forró se retira (são contratados até uma certa hora), imediatamente ouve-se alguma playlist do Spotify.
Mas uma coisa não muda nestas três experiências: a alegria, a farra e as brincadeiras. Sem dúvida alguma todos se envolvem nos festejos. Chegar em casa cansado, de pilequinho e feliz, depois de uma noite estimulante, não tem preço. O único pesar é ter que esperar mais um ano para novamente se divertir tanto.
Olha a chuva! É mentira!
Luiz Inglês
Bananal 2 de julho de 2025
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