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Que tal brindar a chegada de 2026 num botequim raiz?

Atualizado: 5 de jan.

 

 

O Hedinho, de dentro do balcão do seu bar, confidenciou:

 

 - “Tem um freguês aqui que só toma cerveja quente. Da prateleira. Na primeira vez eu estranhei e perguntei o motivo e ele me disse que era para evitar os serrotes”. (Serrote, na gíria de bar é aquele sujeito que se aproxima quando você pede uma cerveja, quase jura que é seu amigo e segue na conversa mole até que você ofereça um copo pra ele. Aí, não sai mais. Vai filando sua bebida e não paga nada). E completou o Hedinho: “Cerveja quente ninguém serroteia”. Fato.


Certa vez eu disse que os dois estabelecimentos que mais frequento são: livrarias e botequins. O segundo com mais frequência, pois livro a gente já compra também pela Internet e coisa e tal, embora as livrarias ainda me fascinem. Mas coisas de boteco, só lá mesmo, ao vivo, meu irmão! Isso, as novas tecnologias, não vão conseguir substituir. Que venha a Inteligência Artificial e o escambau, mas botequim é botequim. E tecnologia nenhuma vai acabar com esses nossos estimados ambientes.  


         Quem chega em Resende pela Via Dutra e utiliza o acesso mais tradicional à cidade, logo de cara chega em Campos Elíseos, que é o bairro que dá as boas-vindas aos visitantes. Ali já foi um Centro mais agitado, com um comércio razoavelmente movimentado, com as principais agências bancárias, e onde inclusive funcionavam, os estúdios e redação da emissora de TV, repetidora da Globo no Sul Fluminense, a TV Rio Sul e da Rádio Resende AM e FM. Um bairro vibrante, e com botequins e bares apreciáveis. 


Aos poucos Campos Elíseos foi perdendo o status de bairro mais reluzente do município. Resende foi crescendo, como previam os antigos, no sentido oposto ao que correm as águas do Rio Paraíba do Sul. As empresas de comunicação se mudaram, um Shopping foi aberto do outro lado do Rio e bares emblemáticos como os queridos Vincemar, Zé Carioca, Caçula, Cantina Portuguesa, cerraram as portas definitivamente.  


Mas Campos Elíseos, que, opostamente ao original parisiense fica na margem esquerda do rio, a nossa rive gauche, ainda tem seu charme.  Aqui ainda funcionam instituições públicas como Procon, Junta Comercial e secretarias municipais. E, logicamente, alguns honrosos conhecidos. Destaque para o tradicional Rei dos Salgadinhos, onde os irmãos Jardim e eficientes funcionários que também são marcas da casa, como o veterano Ruço, mantem uma tradição de décadas de bom atendimento. O ‘Rei’, que juntamente com o Bracarense, do Leblon, já ganhou estrelas no ‘Rio Botequim’, o badalado guia dos melhores bares do Rio e do Interior, não é um botequim. Os salgadinhos são a vedete da casa, mas o chopp, a cerveja, o atendimento e o ponto, tem algo do espírito de botequim. É uma referência no bairro.


Lá também estão o Café do Chiquinho, uma caixa de ressonância do que rola na cidade em termos políticos e afins, e o Bar da Rosa, que matem vivo um trecho animado do bairro. Novos estabelecimentos surgiram, entre os quais, alguns simpáticos Cafés. Mas o papo aqui é botequim, certo?! E é fácil notar que os que estão aí seguem a cartilha ditada por velhos frequentadores ao tratar seus bares de estimação pelo nome do proprietário. Independente do nome real do estabelecimento. Rosa e Chiquinho são exemplos.


Enfim, chegamos ao Bar do Hedinho, citado no início do texto. Tocado pelo próprio, o boteco fica na mesma rua Alfredo Whately, do Rei dos Salgadinhos. Na falta do saudoso pai, ele mudou o nome do bar, personalizando-o. Eu, embora não curta certos modismos, uso aqui um surrado clichê para que os mais jovens também entendam: O Bar do Hedinho é hoje o botequim raiz de Campos Elíseos.


Rodeado de amigos de infância, que hora são fregueses, ora são colaboradores que adentram o balcão na maior sem-cerimônia pra tomar uma e por aí vai. É raiz, aquele que o dono, conversa com você. E isso é um diferencial.


Chegando em Campos Elíseos, vá ao Bar do Hedinho. Vais encontrar amigos de infância. E até alguém tomando cerveja quente.



Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade.


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1 comentário


Sonali Maria
Sonali Maria
01 de jan.

Feliz 2026! Bjs!

Com muito bar raiz!

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