Que tal tirar os Estados Unidos da Copa do Mundo?
- Lais Amaral Jr.

- há 2 horas
- 3 min de leitura

Começa no dia 11 de junho, a Copa do Mundo mais avacalhada de todos os tempos. Três países vão sediar o que deveria ser a maior competição futebolística do planeta: Canadá, Estados Unidos e México. Já começa aí a confusão. O presidente estadunidense, Donald Trump que não é o que se pode chamar de agregador, muito pelo contrário, no seu caótico e temerário segundo mandato, já falou em anexar o Canadá e sugeriu mudar o nome do Golfo do México, para Golfo da América.
Acrescente-se à essa estranheza, os atritos fronteiriços com uma guerra declarada a imigrantes oriundos do outro lado do Rio Grande. E o terror disseminado pelo raivoso Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas, o tal ICE. Além de sanções, taxações e outras medidas que intoxicam as relações internacionais e promovem uma atmosfera de ‘saia justa’ entre os países.
Mas esse coquetel de esquisitices começa quando observamos algumas contradições relacionadas a penalidades impostas a alguns países. A Rússia, por exemplo, foi proibida pela Fifa e pela Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) de participar de competições internacionais, desde fevereiro de 2022, devido a invasão da Ucrânia.
Atitude que não foi seguida pela Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe) a qual Estados Unidos é filiado. A entidade não se manifestou quando este país invadiu a Venezuela e sequestrou seu presidente e, recentemente atacou o Irã. Da Fifa nada diferente pode-se esperar pois o presidente da entidade mundial de futebol, Gianni Infantino é um baba ovo de Trump, a quem entregou em dezembro passado o ‘Prêmio da Paz’, uma espécie de prêmio de consolação pelo Nobel que o ‘Laranjão’ queria e não ganhou.
Sem falar que Infantino esteve presente na última reunião daquela ONU que Trump criou para chamar de sua, o tal Conselho da Paz. Tem alguma treta envolvendo projetos imobiliários na Faixa de Gaza.
A polêmica envolvendo a anexação da Groenlândia (território autônomo da Dinamarca) gerou irritação na Dinamarca, logicamente, mas também em outros países nórdicos como Noruega e Suécia, que estarão na Copa do Mundo. A solidariedade nórdica se estendeu a outros países europeus que pertencem à OTAN.
Com a Espanha (também na Copa) a rusga foi por outro motivo. O presidente espanhol Pedro Sánchez Pérez-Castejón não aceitou que bases de seu país fossem usadas pela força aérea norte-americana para atacar o Irã, e Trump declarou que os Estados Unidos não comprarão mais nada da Espanha. E até o principal aliado dos USA, a Inglaterra, se manifestou criando mais mal estar. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que o seu país não participaria de ataques ofensivos diretos ao Irã. A Inglaterra, meu caro Watson, também está na Copa.
Outro país que está na Copa do Mundo, a Colômbia também não passou incólume aos desvairados repentes do ditador estadunidense. Após a invasão da Venezuela, Trump ameaçou fazer operações militares naquele país, criticando duramente o presidente Gustavo Petro, a quem chamou de doente e narcotraficante. E enfim (assim esperamos), o Irã, país que também está na Copa do Mundo e que vem sendo atacado violentamente por Trump e por seu parceiro de insânias, Benjamim Netanyahu.
Se a Fifa fosse uma instituição séria e realmente preocupada com o futebol, possivelmente o esporte mais popular do mundo, limitaria os anfitriões a México e Canadá. A justificativa seria a de garantir a segurança dos torcedores de países que hoje vivem algum tipo de conflito com os Estados Unidos (mais precisamente com Trump). Não seria algo tão descabido. O resto do mundo entenderia e até aplaudiria a atitude. Mas aí seria como caminhar no sentido da Paz, o que tem hoje um jeitão de discurso demodê. Algo em completo desuso em nossos dias.
Escute A Dança da Porta Bandeira, de Evandro Lima e Lais Amaral.
Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade
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