Rádio e Economia Criativa: O Triunfo da Nacional SP no Prêmio APCA e a Resiliência do Meio
- Redação

- há 1 dia
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A escolha do programa Tarde Nacional SP, da Rádio Nacional, como o Melhor Programa Cultural de Rádio de 2025 pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) não é apenas um feito administrativo para a Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
O reconhecimento, anunciado nesta segunda-feira (26), ocorre no exato momento em que a Rádio Nacional celebra 90 anos e consolida a emissora como uma geradora de conteúdo local estratégico na maior metrópole da América Latina.
Para além da premiação, o caso levanta um debate essencial sobre o papel do rádio como mídia fundante da indústria cultural. Frequentemente dado como obsoleto diante do streaming, o rádio mantém uma capilaridade e uma função de curadoria que as plataformas algorítmicas ainda lutam para replicar, especialmente no que tange à formação da identidade cultural e à sustentabilidade econômica do setor musical.
O Rádio como Pilar da Indústria Cultural
Historicamente, o rádio foi o primeiro veículo a nacionalizar o gosto estético e a criar um mercado de consumo para a música e a arte. Na contemporaneidade, ele permanece como uma ferramenta de descoberta. Diferente do consumo "em bolhas" das redes sociais, o rádio exerce uma curadoria humana que conecta o artista independente aos grandes nomes da MPB, como destacado por Victor Ribeiro, coordenador da Nacional SP.
Essa função é vital para o ecossistema da Economia Criativa. Ao oferecer espaço para literatura, cinema e teatro dentro de uma grade musical, o rádio atua como um hub de promoção cruzada, fortalecendo a cadeia produtiva cultural de forma orgânica.
Metadados e Direitos Autorais: A Granularidade Necessária
A importância do rádio estende-se à esfera jurídica e financeira. O meio é um dos principais pilares para a arrecadação de direitos autorais. No entanto, a eficiência desse repasse depende da granularidade dos dados.
A Precisão Técnica: ISRC e ISWC
Para o pagamento de direitos autorais é fundamental analisar a granularidade que permite ao rádio ser uma fonte primária de receita. O sucesso de uma execução depende de dois códigos essenciais que funcionam como o DNA da obra:
ISRC (International Standard Recording Code): Identifica o fonograma. É a identidade da gravação específica. Cada versão (ao vivo, estúdio ou remix) possui um ISRC único, essencial para pagar intérpretes e músicos.
ISWC (International Standard Musical Work Code): Identifica a obra intelectual (letra e melodia). Um único ISWC pode estar vinculado a diversos ISRCs.
É fundamental que as emissoras utilizem música certificada e metadados precisos. Sistemas como os de software proprietário da Cedro Rosa (Certifica Som e Conecta Som) exemplificam as etapas necessárias para que a obra seja identificada corretamente. Sem códigos como o ISRC (International Standard Recording Code) devidamente vinculados à execução, o valor gerado pela veiculação pode não chegar ao criador. A transparência na execução radiofônica garante que a economia da cultura seja sustentável para compositores e intérpretes.
Share de Mercado: Brasil, EUA e Europa
Contrariando previsões pessimistas, o rádio mantém um share robusto globalmente:
Brasil: O rádio atinge cerca de 80% da população nas principais capitais. A migração para o FM e a integração com o digital (apps e streaming) mantiveram o meio relevante.
Estados Unidos: De acordo com dados da Nielsen, o rádio alcança mais adultos semanalmente (91%) do que qualquer outra plataforma, incluindo smartphones e TV.
Europa: Em países como Alemanha e Reino Unido, o rádio permanece como a principal fonte de notícias e música durante o horário comercial, mantendo uma participação de mercado que supera os 70% de alcance semanal.
O Sucesso da EBC e a Comunicação Pública
O prêmio da APCA para o Tarde Nacional SP é o segundo triunfo consecutivo da EBC, que em 2025 viu o Sem Censura (TV Brasil) ser premiado. O programa, apresentado por Victor Ribeiro e Guilherme Strozi, opera em 87,1 FM em São Paulo e foca em um jornalismo crítico e na diversidade da música brasileira.
A conquista reforça que o investimento em conteúdo autoral e na prestação de serviço é o caminho para a relevância das emissoras públicas no século XXI.
Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade
Grandes nomes da música brasileira, escute na playlist da Spotify / Cedro Rosa.
Canais de Acesso
Site: radios.ebc.com.br
Streaming: Acompanhe ao vivo
Sintonize em SP: FM 87,1 MHz


















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