Segundo livro de trilogia de Sebastian Dumon, “Ascensão Imortal” narra uma sociedade distópica que desafia os limites da ambição.
- Lais Amaral Jr.

- 10 de dez. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 10 de dez. de 2025

“Há milhares de anos, um vírus ancestral contagiou um humano, provocando profundas mutações genéticas. Durante séculos, ele foi transmitido, e a maioria das pessoas sucumbiu ao descontrole, mas sete sobreviveram e se tornaram imortais. Porém esse efeito veio com um custo: para continuarem vivos, eles precisavam se alimentar de sangue humano.
Esses imortais passaram a existir longe da vista de todos e formaram um grupo secreto para manipular a sociedade, enquanto buscavam a resposta para o que os tornava únicos. Dessa maneira, o mundo passou a ser tutelado e conduzido por cordas invisíveis. Até que um oitavo imortal surgiu, agora sob a luz da ciência moderna, revelando a possibilidade de se viver para sempre”.
Esse é o início da trilogia Sete Imortais, de Sebastian Dumon.
No segundo livro da saga, Ascensão Imortal, o planeta está em uma nova era. Quando o protagonista Lucas Moretti é atacado por uma imortal e vira, também, alguém capaz de viver para sempre, ele se torna a chave para a criação de um projeto que vai revolucionar a história: o Renascer. Movidas pela promessa de prolongar a vida, clínicas se espalharam pelo mundo, impulsionando a criação de leis para controlar o comércio de sangue. Uma descoberta científica que nasceu com uma premissa ética – a de ajudar pessoas com doenças terminais e outras condições médicas a viverem melhor – logo se transforma em uma arma na mão daqueles que esperaram nas sombras por milênios. Uma nova elite ganha força e "Fazendas de Sangue" são criadas, onde muitos começam a trabalhar em busca de um emprego estável, mas são explorados como fontes ininterruptas da nova moeda.
Com uma narrativa repleta de reviravoltas e um ritmo intenso, Sebastian Dumon constrói uma história que, apesar de fictícia, parece com a realidade. Baseada em uma ciência que avança a cada dia e rapidamente muda o cotidiano da população, a saga reflete sobre os limites da ética e questiona qual o futuro possível de uma sociedade tecnológica, mas ainda desigual.
Sebastian Dumon é arquiteto formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Nascido em Santa Bárbara do Sul, encontrou na arquitetura sua primeira paixão, mas sempre alimentou em paralelo seu amor pelos livros. Contador de histórias desde jovem, decidiu estrear na literatura e é autor dos livros “Os Sete: A Linhagem dos Imortais” e Ascensão Imortal, da trilogia “Sete Imortais”. A publicação do terceiro livro da saga, intitulado “O Imortal”, está prevista para o primeiro semestre de 2026.
- “O conceito de imortais já foi exaustivamente abordado na literatura. Então eu tentei dar uma roupagem mais realista, mais científica, desprovida de todos os elementos sobrenaturais da mitologia tradicional. Também busquei induzir o leitor a uma reflexão sobre a nossa sociedade e sobre a forma como ela reagiria a algo como uma cura para todas as enfermidades. Até que ponto estaríamos dispostos a ceder em nome disso?”, pondera o autor.
FICHA TÉCNICA
Título: Ascensão Imortal (Livro 2 da Trilogia Sete Imortais)
Autor: Sebastian Dumon
Páginas: 596

CRIATIVOS - O escritor Luís Fernando Veríssimo, declarou, já no leito de morte, que morreria sem satisfazer seu maior desejo, "o de nunca morrer". Essa antiga obsessão da humanidade é fator de motivação dessa sua obra?
SEBASTIAN DUMON - Sim. A imortalidade sempre me pareceu um desejo tão poderoso quanto perigoso, algo que revela mais sobre nossos medos do que sobre nossas ambições. Em Ascensão Imortal, tento explorar esse ponto cego: o que acontece quando o maior sonho da humanidade vira uma maldição? Eu queria mostrar que o extraordinário só faz sentido quando confronta nossas fraquezas mais profundas.
CRIATIVOS - A distopia do seu romance parece ser uma metáfora dos nossos tempos. Correto?
SEBASTIAN DUMON - Completamente. Nada do que escrevi surgiu do nada; tudo veio de inquietações reais, de um mundo que se acelera mais rápido do que conseguimos acompanhar. A distopia da trilogia é apenas o nosso presente levado ao limite: desigualdade que vira brutalidade, tecnologia que vira instrumento de dominação, humanidade que se torna recurso. É assustadora porque não é distante, é familiar.
CRIATIVOS - Existe alguma motivação extra para você mergulhar no mundo ficcional, na literatura, ou é tudo a necessidade de se expressar, puro prazer de artista?
SEBASTIAN DUMON - A ficção sempre foi, para mim, um espaço de liberdade e investigação. Eu escrevo por necessidade, de entender o mundo, de organizar inquietações, de tocar em assuntos que às vezes a realidade não permite abordar diretamente. Mas, também escrevo por prazer: a Trilogia Sete Imortais me deu a chance de unir ética, ciência, emoção e humanidade em uma mesma narrativa. Escrever é uma forma de sobreviver ao que sinto e ao que observo. É o espaço onde posso explorar dor, poder, culpa e esperança sem filtros.
CRIATIVOS - Sebastian, você tem alguns escritores de cabeceira, que fazem, ou fizeram sua cabeça? Quem?
SEBASTIAN DUMON - Sim. Justin Cronin me ensinou a transformar o épico em algo profundamente humano. George R.R. Martin me mostrou que não existe sombra sem luz, e que ninguém está a salvo das próprias escolhas. E Stephen King sempre me provou que o verdadeiro horror nasce dentro de nós. Eles influenciam o coração da trilogia, especialmente o tom emocional e moral de Ascensão Imortal.
CRIATIVOS - A ciência, a arte, ou ambas em conjunto, podem ajudar a salvar a Humanidade, ou ela não precisa disso?
SEBASTIAN DUMON - Eu diria que nenhuma delas sozinha nos salva. A ciência pode curar corpos; a arte, curar consciências. Mas a humanidade só se salva quando confronta seus próprios limites, éticos, emocionais, espirituais. E é disso que a trilogia trata: de como a tecnologia pode elevar ou destruir, dependendo do que há dentro de quem a controla. Sem humanidade, nenhuma das duas serve para nada.
CRIATIVOS - Fale sobre o que possa te interessar e as perguntas não contemplaram.
SEBASTIAN DUMON - Apenas dizer que Ascensão Imortal é, no fundo, uma história sobre sobrevivência emocional. Sobre personagens que carregam traumas, perdas, memórias quebradas, e ainda assim tentam lutar. É uma narrativa de dor, mas também de insistência. Porque, no mundo real ou ficcional, resistir é a forma mais silenciosa e poderosa de esperança. O que me move é isso: mostrar que, mesmo diante do impossível, ainda há algo em nós que se recusa a ceder.
Site: www.sebastian-dumon.com
Instagram: @sebastian_dumon
Facebook: Sebastian Dumon
Tiktok: @sebastian.dumon
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