Soneto, de Elizabeth Bishop (tradução de Jorge Pontual)
- Jorge Pontual

- 7 de jan.
- 1 min de leitura

Elizabeth Bishop (1911–1979) é uma das vozes centrais da poesia do século XX. Parte decisiva de sua obra foi escrita no Brasil, onde viveu por quase duas décadas, especialmente no Rio de Janeiro e em Petrópolis.
Esta série do Portal CRIATIVOS! reúne poemas de Elizabeth Bishop em tradução de Jorge Pontual, jornalista brasileiro e correspondente internacional da TV Globo, cuja leitura preserva o rigor formal, a musicalidade e a clareza da poeta.
Os textos publicados integram um acervo permanente de literatura, pensado para leitura continuada, pesquisa e fruição estética, respeitando o tempo longo da poesia.
Soneto
Eu careço de música que flua
Por meus dedos inquietos e sensíveis,
Por meus lábios trêmulos, irascíveis,
Com melodia, lenta, clara e crua.
Ah, a doce ginga que continua,
De alguma canção que afaste o desgosto,
Uma canção como água no meu rosto,
Que me molhe inteira, lavada e nua!
Há um feitiço que vem da melodia:
Magia do sossego, respirar
Calmo, que mergulha no fim do dia
Pela mansidão profunda do mar,
E flutua pra sempre no abandono,
No regaço do ritmo e do sono.
Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade
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