Theatro Municipal conta histórias em visita teatralizada
- Redação

- há 3 dias
- 3 min de leitura

A preservação do patrimônio histórico ganha novas camadas de viabilidade econômica quando aliada a estratégias de economia criativa. Ao transformar monumentos em ativos dinâmicos, as cidades não apenas protegem sua memória, mas estimulam um ecossistema que envolve artistas, produtores e o setor de serviços.
O turismo cultural, nesse contexto, deixa de ser uma contemplação passiva para se tornar uma experiência de imersão, fundamental para consolidar a identidade urbana e atrair investimentos que retroalimentam a cadeia produtiva local.
Essa tendência de "turismo de experiência" tem sido o motor para retirar monumentos da condição de meros objetos contemplativos e transformá-los em espaços de diálogo com o presente. No Rio de Janeiro, o projeto Theatro Municipal conta histórias, que estreia no próximo dia 14 de janeiro, é um exemplo prático dessa engrenagem. A proposta utiliza a técnica da visita teatralizada para converter um dos principais cartões-postais do país em um palco vivo.
Com roteiro de Daniela Chindler e direção de Augusto Pessoa, a iniciativa promove uma viagem no tempo por meio de atores e músicos que percorrem espaços como o Salão Assyrius, balcões e camarins, conectando a arquitetura do prédio aos fatos marcantes da Belle Époque carioca.
O movimento de ocupação cultural por meio de rotas guiadas também encontra eco em outras regiões da cidade e do estado. Na zona portuária, especificamente na Gamboa e no território da Pequena África, as visitas assumem um papel identitário fundamental, focando na arqueologia da escravidão e na resistência negra. O fenômeno se repete em municípios como Vassouras, no Vale do Café, e em Paraty, onde a performance e a narrativa oral transformam o trajeto em um museu a céu aberto. Esses projetos geram impacto direto na economia local: o fluxo de visitantes sustenta pequenos comércios, ateliês e centros culturais que, de outra forma, ficariam à margem do roteiro turístico tradicional.
A adoção dessas práticas traz benefícios estruturais para as cidades, como o aumento do tempo de permanência do turista e a preservação do patrimônio por meio do uso constante. No caso do Theatro Municipal, o roteiro humaniza a trajetória do prédio inaugurado em 1909 ao evocar figuras como Chiquinha Gonzaga, Arthur Azevedo e Abdias do Nascimento. A experiência, que dura cerca de 90 minutos, evidencia como a pesquisa histórica e a arte dramática podem valorizar a arquitetura, tornando-a acessível e estratégica para a sustentabilidade urbana.
O espetáculo segue em temporada até 30 de janeiro, com sessões às quartas, sextas e em um sábado específico (17/01). Os ingressos a preços populares reforçam o caráter democrático da ocupação cultural. O projeto conta com o patrocínio da Prefeitura do Rio, Secretaria Municipal de Cultura e Rede D’Or, via Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei do ISS).
Ficha Técnica
Direção: Augusto Pessoa
Roteiro: Daniela Chindler
Pesquisa histórica: Luciene Carris
Direção Musical: Guilherme Miranda
Pesquisa musical: Joaquim de Paula
Atores: Adassa Martins, Gabriel Sant´Anna, Lucas Salustriano e Sophia Fried
Serviço
Evento: THEATRO MUNICIPAL CONTA HISTÓRIAS (Visita teatralizada)
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro - Praça Floriano, S/N - Centro
Estreia: 14 de janeiro
Horários: Quartas (14, 21, 28/01) às 16h; Sextas (16, 23, 30/01) às 11h; Sábado (17/01) às 11h
Ingresso: 20 reais (inteira) e 10 reais (meia entrada)
Duração: Uma hora e meia
Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade.
Escute essa playlist de músicas em homenagem ao Rio de Janeiro, na Spotify / Cedro Rosa.














Comentários