Trincheiras da Criação: Steven Pressfield e a Batalha Contra o Inimigo Silencioso
- Redação

- 15 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

A Luta Íntima Pela Originalidade
Um dos autores mais influentes quando o tema é criatividade, disciplina e superação, o americano Steven Pressfield retorna ao centro do debate com A guerra da arte diária, lançado pela Hanoi Editora.
O mote central é claro e direto: o combate não é externo. O adversário é a Resistência — uma força interna, muitas vezes silenciosa e traiçoeira, que se dedica a bloquear os projetos mais ambiciosos e brilhantes.
A nova obra funciona como um verdadeiro diário de campanha, destilando a experiência de um escritor que passou décadas nas trincheiras da criação, aprendendo a identificar cada armadilha que desvia do caminho da originalidade e inspiração. Longe da perspectiva da autoajuda açucarada ou de promessas de sucesso instantâneo, Pressfield oferece 365 dias de insights e encorajamento, forjados na dureza do cotidiano.
Persistir é o Alicerce da Jornada
Sob uma perspectiva que se mostra libertadora, Pressfield convida o leitor a um entendimento mais profundo sobre o combate. Isso inclui o reconhecimento do próprio trabalho, a aceitação das derrotas e, sobretudo, a descoberta do mundo irreal que a mente habita para dar vazão à criação.
O autor evoca a célebre lição de persistência, transformando a necessidade de permanecer em luta em um alicerce sólido para a jornada criativa, onde o ato de persistir é tão essencial quanto o de produzir.
“Você é Michael Jordan? Eu também não. Mas ambos podemos trabalhar como Michael Jordan. (...) Talento é importante. Mas, nas artes, o trabalho é mais. Hoje as pessoas dizem que eu sou talentoso. Mas, por trinta anos, disseram que eu era um fracassado. Todos nós podemos aprender. Todos nós podemos melhorar. O trabalho é tudo.”
A reflexão revisita a história do próprio autor, que chegou a abandonar sua máquina de escrever, a Smith-Corona, por anos, perdendo diariamente a direção. Ao retomar o caminho, Pressfield sustenta que a vitória não está na utopia de eliminar essa força causadora dos desvios — porque isso é impossível — mas sim na disposição de lutar todos os dias. O combate não é capaz de mudar a natureza da Resistência, mas transforma profundamente quem decide lutar.
O Mapa de Guerra e a Potência Narrativa
A guerra da arte diária é um mapa de guerra, um ritual, uma prática. O livro se consolida como uma extensão do clássico A Guerra da Arte, reunindo citações dessa obra essencial, além de trechos de Portões de Fogo e do blog Writing Wednesdays. As lições aqui trazidas evitam a romantização do processo criativo; ao contrário, reconhecem a luta de hoje como tão difícil quanto a de ontem, assumindo que a Resistência não descansa.
A edição conta ainda com ilustrações do premiado artista Victor Juhasz, colaborador de publicações como Rolling Stone e The New York Times, adicionando potência visual à narrativa. O prefácio de Jurandir Gouveia, criador de um dos maiores canais de storytelling do país, conecta a obra ao público brasileiro e reforça a urgência desse embate cotidiano no contexto contemporâneo.
Ficha Técnica e Autor
Título: A guerra da arte diária
Autor: Steven Pressfield
Editora: Hanoi Editora
Páginas: 552
Sobre o autor: Steven Pressfield construiu uma carreira profissional diversificada, abrangendo publicidade, roteiro cinematográfico, ficção, não ficção literária e autoajuda. É autor de romances como The Legend of Bagger Vance e do clássico sobre criatividade A Guerra da Arte, onde relata suas batalhas pessoais, tendo levado vinte e sete anos para publicar seu primeiro livro.
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