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Versos para pensar a existência



Marcelo Gomes Jorge Feres, que usa o pseudônimo de Dionysius Fredericus (foto), é um autor carioca que se dedica à poesia de caráter filosófico. Já publicou 28 livros e participou de diversas antologias desde a década de 80. É graduado em Direito, historiador e estudante de Filosofia. Desenvolve uma escrita voltada à investigação da consciência, da existência humana e das possibilidades espirituais que atravessam a experiência do ser. 

 

Dionysius Fredericus, apresenta neste seu livro O balbuciar de um eterno, uma escrita que caminha por perguntas antigas. O próprio título já sugere a direção da leitura: “balbuciar” que não indica fragilidade, mas aponta para o esforço humano de transformar em linguagem aquilo que sempre parece maior do que qualquer definição.

Para o autor, a poesia filosófica nasce exatamente nesse limite, quando a palavra tenta tocar o que ainda não cabe em explicações. Partindo dessa linha, ele divide o livro em quarenta partes, reunindo fragmentos e registros de pensamentos, imagens e inquietações que percorrem temas amplos da experiência humana.

 

E segue ele levantando perguntas sobre o Ser, a origem da existência e o destino da alma. Visita ideias e reflexões de célebres pensadores., Platão, Heráclito, Nietzsche, Kierkegaard e Sartre surgem como interlocutores indiretos dentro da escrita. O texto atravessa ainda, conceitos vindos da ciência moderna e de correntes espiritualistas que discutem evolução, carma e ciclos cósmicos.


A obra recupera a antiga imagem simbólica de Apolo e Dioniso. A presença dessas duas figuras serve para representar o movimento humano diante da vida: razão e impulso, medida e excesso, disciplina e vertigem. O balbuciar de um eterno perpassa essa tensão sem tentar resolvê-la, assumindo o conflito enquanto parte da própria condição humana.Para Dionysus Fredericus, a poesia é um caminho capaz de alcançar regiões da experiência humana que escapam à lógica. Os poemas tentam abrir pequenas frestas para perceber aquilo que permanece invisível na rotina cotidiana. O resultado é uma investigação vibrante e curiosa a respeito da humanidade.

 

Ficha Técnica

Título do livro: O balbuciar de um eterno

Autor: Dionysius Fredericus (Marcelo Gomes Jorge Feres)

Editora: Scortecci Editora

ISBN/ASIN: 978-85-366-7280-9

Páginas: 344






CRIATIVOS - Parece ser da natureza humana tentar decifrar a existência. A poesia filosófica pode ser uma ferramenta nessa busca ou devemos entender a arte, unicamente, como uma forma de expressão do artista?

Dionysius Fredericus - Sim, a poesia filosófica é um instrumento na busca da decifração da existência. A lógica aristotélica, bem como a dialética hegeliana utilizam do cérebro enquanto instrumento racional de buscas das ciências analíticas, bem como das filosofias, porém a poesia trata, com o emprego da intuição, o approach de sínteses em caminhos inapropriados pelo lento engatinhar de análises e sínteses a posteriori. Evidente que a poesia filosófica também é uma forma de expressão artística, pois se noventa e dois elementos constroem um universo inteiro, o alfabeto, todo, também poderá fazê-lo, mas o arquiteto agora, não sendo o Demiurgo Divino, deverá, ao menos, ser um artista que o admire e celebre.


CRIATIVOS - Navegando num emaranhado de conceitos filosóficos - de pré-socráticos a Sartreanos -, a poesia, que mais pergunta do que responde, pode colaborar na tarefa de se alcançar a verdade? 

Dionysius Fredericus - Sim, no sentido de localizá-la, pois a verdade absoluta se dá pelo somatório das verdades relativas. Conforme dito, todo ponto de vista é a vista de um ponto, e tudo que compreendemos, na relação direta com o nosso tamanho espiritual-mental, está como parâmetro para as nossas próprias concepções indivíduo-parciais da realidade. Empatia e aceitação, fraternidade e renúncia são os segredos dos sábios, santos e profetas, pois Sartre nomeou o outro como inferno e, Jesus, como o caminho do paraíso. Porém, perguntado sobre o que era a verdade, Jesus se calou. Assim como também nada escreveu. A Verdade é o inexprimível, mas a poesia não se cansa de tentar exprimir todo o sentir humano, verdadeiros poemas.


CRIATIVOS - O senhor teve ou tem, um poeta de cabeceira? Alguma, ou algumas influências?

Dionysius Fredericus - Minhas verdadeiras influências são os que apontam as verdades espirituais e também aqueles que se bateram e se debateram como pássaros engaiolados em cárceres de carnes. Gosto de músicos e filósofos, de sabedorias e esoterismos. Gosto quando madame Blavatsky diz que não há religião superior à verdade e quando Jesus diz que a verdade nos libertará. Tenho influências de Nietzsche, Chico Xavier e Pietro Ubaldi, de Ramatis, Alan Kardec e Ian Stevenson, enfim, são boas influências, tantas que se tornam relação infinda.


CRIATIVOS - Se a poesia consegue descortinar realidades não percebidas no dia a dia, chegando a recantos onde a lógica não prevalece, seria pertinente imaginar um mundo utópico com a humanidade vivendo em harmonia com a natureza, com o todo?

Dionysius Fredericus - Sim, totalmente viável e factível. A mente é a criadora, pensamentos realizam materializações, matéria é energia concentrada. A mente evoluída materializa seus desejos e imaginações através de concretude de energias densificadas. Mera vibração e velocidade de átomos dirigidos. Tudo é sintonia. Sintonizemo-nos!


CRIATIVOS - Antes da História, do Direito e da Filosofia, o poeta já balbuciava pela vida, ou pelo que parecia ser a vida?

Dionysius Fredericus - Sim. Quando era jovem, senti, certa vez, uma vontade de escrever algo, peguei da caneta e escrevi: a multiplicidade de coisas é estonteante, macro e microcosmos relacionam-se em caminhos infinitos constituindo um cenário imparcial onde se trava uma luta em meio a evolução. Ali estava! O meu destino, sediado no inconsciente – sede da individualidade – manifestava-se pela consciência – sede da atual personalidade e dos arbítrios. Maktub? Sim e não! Pois tudo está em tudo e nos cabe, a cada um, a colheita do que incessantemente semeamos. Na atual existência cultivo o meu Espírito e semeio canteiros de poemas, esperando colher belezas e bons paradeiros.


CRIATIVOS - Fale sobre algo que seja de seu interesse e as perguntas não o estimularam.

Dionysius Fredericus - Interesso-me sobretudo para que todos enxerguem que Mente não cabe em cérebro e Espírito não cabe em matéria, que somos seres eternos, sem fim possível e que é de nosso resgate pessoal os descaminhos que tomamos e causamos. Jesus nos disse: Vós sois deuses!, e ainda: Vós fareis coisas maiores que as que faço agora! Caramba! Que legal! Mas é isso mesmo!


Leia outros artigos de Lais Amaral Jr no portal CRIATIVOS!


 

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