Vinícius de Moraes abraça Orfeu da Conceição
- Lais Amaral Jr

- 25 de fev
- 2 min de leitura

O ator André Whately, há cerca de trinta anos vem atuando, dirigindo e produzindo o seu espetáculo poético/teatral/musical, Vinícius de Moraes é demais, sucesso de público e de crítica. O espetáculo, que já brilhou nos mais variados palcos e ambientes, entre outras coisas, joga holofotes sobre a convivência de Vinícius com a Serra da Mantiqueira, – quando Itatiaia ainda era distrito de Resende - e como essa região influenciou na formação do poeta.
Segunda-feira de Carnaval estive no Jazz Village Bistrô, uma casa noturna na ex-colônia finlandesa do Penedo, que é um dos santuários da boa música na região. O local, um anexo do hotel Pequena Suécia, da Marie Louise Goransson, é um espaço consagrado à música de qualidade, nacional e gringa. Lá, André Whately e o também ator e músico, Eduardo Arbex estrearam uma versão, ligeiramente modificada, do consagrado espetáculo que ganhou um acréscimo no título: Vinícius de Moraes é demais. É Carnaval. E de onde veio a inspiração?
O poeta e diplomata Vinícius de Moraes escreveu em 1954 a peça teatral Orfeu da Conceição, baseada no drama grego, ‘Orfeu e Eurídice’. A bela trilha sonora do espetáculo com músicas do maestro Antônio Carlos Jobim e letras do próprio poetinha, deu num disco lançado em 1956 pela Odeon, com faixas que se tornariam clássicos da MPB, entre elas, Se todos fossem iguais a você. O disco está fazendo 70 anos, motivação suficiente para André Whately acrescer mais riqueza à sua criação original.
A peça de Vinícius inspirou a produção do premiado filme Orfeu Negro, dirigido por Marcel Camus (Palma de Ouro em 1959 e Oscar de melhor filme estrangeiro em 1960). A trilha sonora também foi assinada por Antônio Carlos Jobim, juntamente com Luiz Bonfá, sobre letras de Vinícius de Moraes e Antônio Maria. O filme mostrou ao mundo um pouco do que se consolidava como a mais significativa expressão da arte e da cultura popular brasileira, o Carnaval.
O Jazz Village é um termômetro e André sabe disso. Pelo comportamento entusiasmado do público que lotou a Casa, com certeza ele entendeu como aprovado o novo espetáculo. Se há ajustes e polimentos por fazer no espetáculo, eu não sei, e nem toda a gente que curtiu e saboreou o show, sabe.
Pelo que conheço do André Whately, sua obstinação pela perfeição e o respeito que tem com o legado de Vinícius de Moraes e seus grandes parceiros - Tom, Baden, Carlinhos Lyra, Toquinho e agora com a chegada de Luiz Bonfá e Antônio Maria (Manhã de Carnaval a tiracolo), acredito que não demora e muita gente estará aplaudindo e se emocionando com o espetáculo que se renova, fica mais abrangente, continua. Que assim seja, assim será!
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