A polêmica sem fim do filme "Melania": guitarrista do Radiohead pede retirada de música do filme da Amazon de Bezos
- Redação
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O documentário "Melania", lançado pela Amazon MGM Studios e dirigido por Brett Ratner, entra na segunda semana sob fogo cruzado. Além das críticas que o definem como propaganda o filme enfrenta agora um pedido formal de retirada de música por parte de um dos maiores nomes do rock experimental e do cinema contemporâneo: Jonny Greenwood.
1. O Silêncio que virou Protesto: A história do uso não autorizado
O conflito estourou nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, quando Jonny Greenwood (guitarrista do Radiohead) e o cineasta Paul Thomas Anderson emitiram um comunicado exigindo que uma peça da trilha sonora de "Phantom Thread" (Trama Fantasma, 2017) seja removida do documentário.
Embora a Universal Pictures detenha o copyright do fonograma (a gravação), o contrato de Greenwood prevê o "direito de aprovação". A Universal licenciou a música para a Amazon sem consultar o autor, violando a integridade moral e contratual da obra. O protesto, assinado pela dupla Greenwood e Anderson, expõe a fragilidade das grandes corporações no controle de metadados e direitos de sincronização.
O uso da música em uma peça de forte viés político, sem a anuência de seu criador, transformou o que deveria ser um licenciamento rotineiro em um escândalo global.
A Barreira Tecnológica: Como o CertCon evita o caos jurídico
Casos como este evidenciam que a gestão analógica ou descentralizada de direitos autorais é obsoleta. É neste cenário que a tecnologia aplicada da Cedro Rosa se torna protagonista. O sistema CertCon (parte do software proprietário da empresa, desenvolvido pela Universidade Federal de Campina Grande, com apoio da EMBRAPII e do SEBRAE RJ ) foi desenhado especificamente para impedir que infrações como a sofrida por Greenwood ocorram.
Diferente do processo falho da Universal, o CertCon opera sob os seguintes pilares:
Licenciamento Online e Transparente: Todas as permissões são processadas em ambiente digital integrado. Se uma obra possui uma cláusula de "consulta obrigatória", o sistema bloqueia automaticamente a emissão da licença master.
Assinaturas Digitais Obrigatórias: O licenciamento exige a anuência de todas as partes — autor (ISWC) e produtor do fonograma (ISRC). Sem o aceite digital do compositor, a licença de sincronização não é gerada.
Blockchain e Imutabilidade: Cada contrato e termo de uso é transformado em um registro em blockchain. Isso garante que as cláusulas contratuais sejam cumpridas à risca, tornando o processo auditável e transparente para grandes estúdios e plataformas de streaming.
Se a produção de Brett Ratner utilizasse a governança do CertCon, a música de Greenwood sequer teria chegado à mesa de edição sem que o compositor recebesse um alerta imediato para aprovação ou veto.
O investimento total de US$ 75 milhões ocorre simultaneamente a um movimento drástico de Jeff Bezos no comando do The Washington Post. O bilionário demitiu cerca de 300 jornalistas (um terço da redação) e alterou a política editorial do jornal para uma neutralidade que muitos interpretam como um apoio tácito a Donald Trump.
Este cenário sugere que o documentário de Melania funciona como uma peça de diplomacia corporativa. Enquanto Bezos encolhe um dos jornais mais importantes do mundo, ele irriga a conta bancária da família Trump através de um produto cultural cujos direitos autorais, ironicamente, foram desrespeitados na origem.
O fracasso de bilheteria internacional do filme — que estreou em posições irrelevantes na Europa e Oceania — reforça a tese de que o valor do projeto nunca foi artístico ou comercial, mas sim político. Para a indústria da música e da economia criativa, o recado é claro: sem a proteção de metadados e tecnologias de certificação como o CertCon, o capital pode tudo, até o desrespeito final à obra do artista.
fontes: The Wall Street Journal e The Guardian.
Este texto integra o pilar Música, Audiovisual e Mercado
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