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A Reescrita do Mito no Palco: Medeia e a Força da Infraestrutura Cultural Brasileira

“Medeia” estreia em 27 de abril, no Teatro Firjan SESI Centro

 




 

Montagem inédita com dramaturgia original de Diogo Liberano, direção de Paulo de Moraes 

e atuações marcantes de Carolina Pismel  e Paulo Verlings, parte de onde os textos clássicos terminam,  obrigando Medeia e Jasão a permanecerem frente a frente, diante do que ainda não foi resolvido.


O que ainda não foi dito, e o que se torna possível quando essa história volta a ser contada?

 


A Reescrita do Mito no Palco: Medeia e a Força da Infraestrutura Cultural Brasileira



A estreia de “Medeia”, marcada para o dia 27 de abril no Teatro Firjan SESI Centro, no Rio de Janeiro, não representa apenas a abertura de uma temporada teatral inédita; é um indicativo da vitalidade das redes de infraestrutura cultural no Brasil.


Atualmente a Economia Criativa demanda cada vez mais profissionalização e espaços de excelência, a ocupação de equipamentos geridos por instituições como o SESI demonstra como a parceria entre fomento institucional e produção independente é o motor que sustenta a cadeia produtiva das artes cênicas.


O espetáculo chega ao público com uma proposta ousada de Diogo Liberano, dramaturgo que hoje reside em Portugal e traz para o palco uma investigação profunda sobre o que resta após o fim das grandes tragédias. Diferente das resoluções consagradas por Eurípides e Sêneca, esta versão interrompe a fuga da protagonista. Medeia (interpretada por Carolina Pismel) e Jasão (Paulo Verlings) são retidos no mesmo espaço — uma casa comprimida no tempo — onde o silêncio e o não dito ganham contornos físicos.



A Dramaturgia como Debate Contemporâneo

A direção de Paulo de Moraes, veterano à frente da Armazém Companhia de Teatro, conduz a encenação para além do registro realista. A proposta é clara: tensionar o mito. A peça refaz momentos cruciais, como o encontro inicial dos amantes e as negociações políticas de Jasão com o rei Creonte, mas desloca o foco para as fissuras morais de uma sociedade patriarcal.


Nas palavras de Liberano, escrever Medeia hoje é um ato de indagação sobre por que as violências sofridas pela personagem são historicamente consideradas menores do que os crimes que ela cometeu. Ao citar referências como Susan Sontag e Walter Benjamin, a obra se alinha ao perfil do portal CRIATIVOS!, servindo como uma tese em movimento sobre quem detém o poder de narrar a história e quem é silenciado por ela.


BOX: Música Certificada e a Sustentabilidade da Cadeia

No ecossistema da Economia Criativa, a música de cena — assinada nesta montagem por Ricco Viana — é um componente intelectual tão vital quanto o texto. A utilização de música certificada, com metadados precisos e registros de ISRC, é o que garante a remuneração justa de todos os elos: do compositor aos técnicos de estúdio e intérpretes.



Quando uma produção teatral utiliza sistemas de gestão de direitos autorais robustos, ela não apenas protege o criador, mas fortalece a rastreabilidade financeira do setor. A certificação digital permite que o valor gerado pela obra circule de forma transparente, essencial para que a cultura brasileira mantenha sua posição como fonte primária de dados e ativos econômicos globais.


Estética e Espaço Cênico

A montagem utiliza um sistema onde luz (Maneco Quinderé), figurino (Carol Lobato) e cenário operam como extensões das rubricas do texto. O espaço funciona como um dispositivo de pressão, forçando os personagens a uma transição de linguagem: do formalismo clássico a uma fala direta e urgente. É um campo de instabilidade que reflete a mudança do mundo e a necessidade de novas versões para as velhas histórias.


Serviço e Links Importantes

  • Temporada: 27 de abril a 2 de junho.

  • Horário: Segundas e terças, às 19h.

  • Local: Teatro Firjan SESI Centro (Av. Graça Aranha, nº 1, Centro, RJ).

  • Ingressos: R$ 40,00 (Inteira).



Ficha Técnica:

  • Dramaturgia: Diogo Liberano

  • Direção: Paulo de Moraes

  • Elenco: Carolina Pismel e Paulo Verlings

  • Iluminação: Maneco Quinderé | Música: Ricco Viana | Cenário: Paulo de Moraes e Carla Berri.

Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade



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