Celine Queiroz ajuda na formação de gerações preocupadas com a vida no planeta

Apesar dos negacionistas de plantão, parece cada vez mais claro, que o meio ambiente deve ser, sim, assunto de pauta daqui pra frente, e nas mais variadas esferas de atividade. A escritora e artista plástica Cilene Queiroz está fazendo a parte dela.
Com o seu livro A Águia Solidária e o Planeta Azul, ela convida os pequenos leitores a embarcarem em uma jornada cheia de emoções.
A garotada vai conviver nesses escritos mágicos, com a águia, Sury, protagonista principal e, seus dois amigos inseparáveis, Black e Pitoco. Nessa obra infanto-juvenil, os três animais percebem misteriosas gotas d’água que não se parecem com uma chuva comum. Intrigados, eles partem em busca de respostas, sem imaginar que essa missão os conduzirá por diferentes regiões do planeta e os colocará frente a desafios ecológicos.
A narrativa aborda temas urgentes e atuais, despertando nos leitores, valores como empatia e responsabilidade. As ilustrações vibrantes de Guilherme Rocha enriquecem a experiência de leitura ao dar vida aos personagens e às paisagens da trama, reforçando de maneira lúdica a importância de cuidar do planeta. A história traduz mensagem de esperança, cooperação e transformação para as novas gerações, para que ajudem a construir um futuro sustentável.
FICHA TÉCNICA
Título: A Águia Solidária e o Planeta Azul
Autora: Cilene Queiroz
Editora: LC Books
ISBN: 978-65-84222-21-2
Páginas: 46
Cilene Queiroz é escritora, artista plástica e membro imortal da Academia Feminina de Letras e Artes de Mato Grosso do Sul (AFELAMS). Natural de Três Lagoas (MS), possui formação em Biologia e mestrado em Agronomia, mas encontrou na arte e na literatura sua maior forma de expressão. Após superar um AVC, retomou a paixão pela escrita lançando os romances Sala das Flores, Filhos do Destino e Lembranças.
Atualmente dedica sua produção ao público infantil e infanto-juvenil com A Águia Solidária, A Águia Solidária e o Planeta Azul e, Cacau e o Sumiço do Vídeo Game. Destina parte dos recursos obtidos com seus livros a projetos educacionais, entre eles o “É Preciso Ler”, iniciativa voltada à formação de jovens leitores.
Instagram: @cilenequeiroz_arteliteraria

CRIATIVOS - Cilene, desculpe a aparente ‘desimportância’ da pergunta, mas quais são os dos animais companheiros da Águia e mais, a escolha dos personagens foi aleatória ou seguiu alguma base científica?
CILENE QUEIROZ - A escolha desses personagens para acompanhar a Águia em uma obra com temática ambiental não é aleatória. Ela segue uma forte base ecológica. Em projetos de educação ambiental e fábulas ecológicas, os animais geralmente são escolhidos a dedo para representar diferentes "camadas" do ecossistema e funções biológicas essenciais.
A união desses três animais representa a interdependência ecológica perfeita. Temos o céu (Águia), as árvores/ar (Pássaro Preto) e o solo (Porquinho). A mensagem científica por trás dessa escolha é clara: a saúde do Planeta Azul depende da "solidariedade" (trabalho em conjunto) de todas as camadas da natureza, desde quem revolve a terra até quem voa acima das nuvens.
CRIATIVOS - O seu projeto ‘É Preciso Ler’, é muito oportuno e até imprescindível num tempo em que a leitura parece desestimulada, tempos de textos diminutos, para serem absorvidos e descartados em segundos. Tudo é muito rápido. Você conta com algum apoio institucional e/ou tem algum tipo de apoio de outras áreas para um trabalho integrado?
CILENE QUEIROZ - De fato, o 'É Preciso Ler' nasceu justamente dessa nossa inquietação com o cenário atual. O imediatismo, as telas e a cultura dos textos rápidos estão reduzindo a nossa capacidade de foco e o espaço para a reflexão profunda que só a leitura proporciona. Em relação ao apoio institucional, hoje estamos com a parceria da UFMS, projetos de extensão.
CRIATIVOS - A Biologia e seu entorno foram menos influentes do que as Artes na sua escolha de como interferir na sociedade na busca de uma convivência mais equilibrada. Quando e como a literatura chegou a você?
CILENE QUEIROZ - A ciência me ensinou a observar o ecossistema; a literatura me ensinou a habitá-lo com responsabilidade, contradição e espanto, a arte a sintaxe dos afetos. A literatura não chegou até mim como uma iluminação, mas como uma infiltração silenciosa, mansa. Quando percebi que o livro não era um mero repositório de histórias, mas um dispositivo de alteridade. Ler deixou de ser um refúgio passivo e tornou-se um treino radical de empatia: o exercício diário de habitar outras mentes, outros tempos e outras dores. A literatura nos desafia a escolher, de forma consciente e ética, como queremos habitar essa teia.
CRIATIVOS - Você acredita que as novas gerações, a partir do contato com projetos do tipo ‘É Preciso Ler’, tendem a chegar à fase adulta com uma visão mais consciente sobre a forma de entender o meio ambiente, de sentir-se pertencente a esse meio?
CILENE QUEIROZ - Com certeza. O contato contínuo com a leitura e com projetos socioeducativos do tipo. ‘É Preciso Ler’ vai muito além do aprendizado mecânico, ele atua diretamente na formação da empatia, da sensibilidade e do pensamento crítico.
Quando crianças e jovens são estimulados a ler e debater sobre a realidade ao seu redor, desenvolvem uma percepção mais profunda sobre a interconexão entre a vida humana e o ecossistema. Formar leitores conscientes é, fundamentalmente, formar cidadãos que não se enxergam como observadores externos do planeta, mas sim como parte viva e responsável por ele.
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