Conversas sobre Efetuação no Brasil: Cocriando novos futuros com empreendedores e educadores
- Redação

- há 2 horas
- 4 min de leitura

Livro reúne diálogos inéditos entre Saras Sarasvathy e empreendedores brasileiros sobre a criação de novos futuros.
Lançamento será em 1º de julho, na UFF, durante o XIV EGEPE 2026, em Niterói,
com a presença de Saras Sarasvathy, criadora da efetuação (effectuation)
Organizado por Aline Brufato e Roberto Bartholo, pesquisadora e coordenador do Laboratório Tecnologias, Diálogos e Sítios (LTDS) da COPPE/UFRJ, o livro reúne diálogos cocriativos entre Saras Sarasvathy e empreendedores e educadores brasileiros sobre a construção de novos futuros em contextos de incerteza.
A obra traz prefácio e aula magistral inéditos de Saras Sarasvathy, além de palestras, debates e mesas-redondas que mostram como a efetuação é praticada no Brasil. A partir das experiências de 25 empreendedores, o livro revela como brasileiros da Amazônia ao Rio Grande do Sul, em contextos que vão de empreendimentos em favelas a negócios de alta tecnologia, aplicam seus princípios em decisões e ações diante de cenários de incerteza.
Os empreendimentos são de áreas bastante diversas, como educação, cultura, memória, games, música, turismo de base comunitária, jornalismo de favela, biodiversidade amazônica, alimentação e cosméticos, coleta e reciclagem, logística, plataforma para terapeutas de crianças autistas, biotecnologia para saúde, inteligência artificial para as indústrias de petróleo e mineração. Essa diversidade foi um critério importante da seleção, justamente para mostrar como a lógica efetual está presente nos modos de decisão e ação de empreendedores, frente a cenários de incerteza, em diferentes contextos do Brasil.
Embora os empreendimentos sejam muito distintos, inclusive em estágios diferentes de desenvolvimento, os cinco princípios da efetuação aparecem de forma recorrente nas trajetórias. São eles: Pássaro na Mão (partir de quem você é, o que sabe e quem conhece, em vez de partir de uma meta pré-fixada), Perda Aceitável (arriscar apenas o que se pode perder, em vez de calcular retorno esperado), Colcha de Retalhos (construir o mercado por meio de parcerias e pré-compromissos de stakeholders autosselecionados, em vez de análise competitiva), Limonada (tratar surpresas e contingências como matéria-prima de oportunidade, em vez de obstáculo a evitar) e Piloto no Avião (controlar o que está ao alcance em vez de prever o futuro). Na apresentação do livro, Sarasvathy escreve:
"Seja você empreendedor, educador, pesquisador, formulador de políticas ou simplesmente alguém curioso sobre o que os empreendedores fazem e os mundos que eles criam, espero não apenas que leia este livro, mas que o utilize como um trampolim para construir novos futuros valiosos para si mesmo, para os outros ao seu redor e, talvez, para o mundo inteiro."
O que esses 25 empreendedores têm em comum, apesar de estarem em estágios completamente diferentes, de uma escola de percussão a uma vacina terapêutica, é que nenhum deles começou prevendo o futuro: todos começaram controlando o que estava ao alcance (quem eram, o que sabiam, com quem podiam contar) e foram expandindo esse círculo de controle por meio de sucessivos compromissos de outros atores do seu ecossistema ou simplesmente contexto comunitário.
A diferença entre os empreendimentos não está na presença ou ausência dos princípios, mas na ênfase: nos empreendimentos comunitários da Rocinha, a Limonada e a Colcha de Retalhos dominam, porque a escassez de recursos financeiros obriga a transformar toda contingência em parceria; nos empreendimentos científicos, o Pássaro na Mão pessoal/biográfico antecede e justifica a entrada, mas a validação subsequente depende muito mais de instituições de fomento como Colcha de Retalhos formal.
A Perda Suportável para iniciar um novo produto, projeto ou empreendimento aparece em todos os empreendimentos, mas seu conteúdo muda: no setor de educação musical e reciclagem é o recurso por não ter dinheiro para comprar instrumentos; no setor de diagnóstico clínico, o empreendedor tira os filhos da escola particular e coloca na pública ou ainda o empreendedor doa kits para um hospital público de referência realizar a sua validação, no setor de reciclagem é o próprio corpo da comunidade que "nasce pisando no lixo" e decide agir ou ainda são as crianças e adolescentes indo trabalhar para o tráfico.
Segundo Sarasvathy, a efetuação é uma tecnologia social: não um conjunto de regras fixas, mas um repertório de movimentos que qualquer pessoa, esteja ela na Rocinha, na Amazônia, no Rio de Janeiro ou em um laboratório de Stanford, pode aprender a combinar diante do que a vida e seu contexto lhe oferecem.
Sarasvathy desenvolveu a efetuação a partir de sua pesquisa de doutorado em 1998 na Carnegie Mellon University, sob orientação de Herbert Simon. É professora da Darden School of Business, Universidade da Virgínia, e também professora da Cátedra Jamuna Raghavan no Indian Institute of Management Bangalore e coordenadora do Global Society advancing Effectual Action www.effectuation.org.
Livro: Conversas sobre Efetuação no Brasil: Cocriando novos futuros com empreendedores e educadores Organizadores: Aline Brufato e Roberto Bartholo
Realização: LTDS/PEP/COPPE/UFRJ, com apoio da FAPERJ
Editora: e-papers. O livro pode ser adquirido na versão ebook ou impressa, em português ou inglês, no site da editora https://www.e-papers.com.br
Organizadores: Aline Brufato é doutora pelo Programa de Engenharia de Produção (PEP) da COPPE/UFRJ e pesquisadora de pós-doutorado no Laboratório Tecnologias, Diálogos e Sítios (LTDS) e do Global Society advancing Effectual Action. Roberto Bartholo é professor titular e coordenador do PEP/COPPE/UFRJ e coordenador do LTDS.
Lançamento: Data: 1º de julho de 2026 (quarta-feira), às 17h Local: saguão do prédio da Administração, UFF (Niterói, RJ) Com a presença de Saras Sarasvathy, que também conversará com o público e autografará exemplares. O lançamento integra a programação do XIV EGEPE 2026, encontro de estudos sobre empreendedorismo e gestão de pequenas empresas que acontecerá entre os dias 1º e 3 de julho, na UFF, em Niterói (RJ). https://egepe.org.br
Estou ouvindo AI AI AI COMO ESTOU ENDIVIDADO, com MART'NALIA no álbum 40 Anos do Clube do Samba, lançado pela Cedro Rosa Digital.
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