EntreTempos: A Arte que Rouba o Sono e Desperta a Memória
- Antônio Filipak

- há 1 dia
- 2 min de leitura

“Todas as vezes que sonho é você que me rouba a justeza do sono.” O lirismo que ecoa desse preâmbulo não é mero adorno; é o pulsar de uma canção eterna, uma evocação à genialidade de Jacob do Bandolim em suas "Noites Cariocas".
, É sob essa atmosfera de nostalgia e reverência que nasce a exposição coletiva de uma única noite "EntreTempos". Com curadoria de Lafayette Suzano, o projeto se desenha como uma dedicatória visceral à diversidade das linguagens artísticas, onde criar é entrelaçar memórias.
Compreendo, em minha vasta experiência, o receio de se lançar na escuridão das "raves" hostis do sistema cultural contemporâneo. É um território árduo, onde o artista enfrenta o dilema do julgamento de analistas de plantão. No entanto, o risco é o oxigênio da arte. Se o "EntreTempos" nos deixa sem chão em um primeiro momento, por outro lado, nos lança desmedidamente ao sabor de olhares atentos, generosos e profundos.
Este espaço de intersecção criativa ganha vida no Bar do Ananias, no dia 25 de junho, a partir das 19h. O encontro integra a 142ª edição do projeto Poetas&Afins — organizado por Moduam Matus, Sil e Marília —, celebrando o lançamento do livro "Planeta Nada", de Luz Macalé, a musicalidade de Regis e a participação especial do jovem músico Dmeneses.
No coração visual da noite, três expressões artísticas vibram em tempos cronológicos e estéticos próprios, mas com igual intensidade. Mauro Azeredo destila em traços minuciosos a bico de pena a memória viva e histórica de Iguaçu, transformando patrimônio em poesia visual. Ney Crespo desfia irônicas e caricatas revelações, extraindo da rotina social um humor refinado e crítico.

Já Kátia Borges, em sua estreia, desafia emoções equilibrando em suas expressões bidimensionais, colagens, objetos pessoais lúdicos e ancestrais, revelando uma profundidade cortante que dialoga com o equilíbrio e a tridimensionalidade da arte cinética de Alexander Calder.
Vida longa à artista da coletiva "EntreTempos", que emana arte e momentos sutis aos olhos do público.
Antônio Filipak
@arteoriginada
Estou ouvindo Bossa Nova Iguaçu, com NELSON FREITAS, repertório ®CertCon,
disponível para trilhas sonoras na Cedro Rosa.
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