COP 30 em Belém, análise de quem participou
- Redação

- 17 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 18 de nov. de 2025

O CEBRI é um centro de pensamento, um think tank, que há 27 anos procura refletir e buscar soluções para os principais temas de interesse nacional e de política externa. É com esse intuito que estamos participando ativamente da COP30, com uma agenda variada de debates e articulações, reunindo os principais atores da agenda climática com nossos especialistas. O papel do CEBRI é construir pontes entre governo, empresas, sociedade civil e academia. Usar a diplomacia que está em nosso DNA para proporcionar um ambiente de diálogo. Exatamente por isso, batizamos assim nossa sede provisória em Belém. A Casa Diálogo é um espaço que abriga a troca de ideias. Temos discutido temas importantes como as inovações tecnológicas para a conservação florestal, o enfrentamento aos superpoluentes, a política para os minerais críticos, o financiamento da transição energética e os caminhos para que possamos chegar a resultados concretos.
No CEBRI acreditamos que a descarbonização da economia é uma oportunidade para o desenvolvimento econômico. Temos que ser otimistas. Com a habilidade que vem demonstrando, o embaixador André Corrêa do Lago, que é conselheiro do CEBRI, conseguirá conduzir as negociações com equilíbrio e pragmatismo. Ao lado dele está a secretária-executiva Ana Toni, que se alinha a essa atuação, assim como a ex-ministra Izabella Teixeira, ambas também conselheiras do CEBRI.
Esse é o trabalho que fazemos não só na COP, mas ao longo de todo o ano, realizando debates, discutindo cenários, estimulando discussões estratégicas. Além da questão climática, nos dedicamos às agendas da transformação digital, da energia e da segurança, por exemplo, temas essenciais e que hoje se tornaram assuntos de política externa e geopolítica.
Julia Dias Leite / CEBRI

"A COP30 tem sido um sucesso no ambiente paraense, contrário às expectativas de muitos. Tudo corre dentro de um ambiente amigável e gentil, com estrangeiros se espantando por caronas oferecidas inesperadamente, ou indicações quando um participante se encontra perdido. Como as 3 últimas COPs anteriores ocorreram em países não democráticos, as manifestações vêm sendo vistas com simpatia, mesmo que atrapalhem o trânsito, por vezes caótico. As passeatas acabam sendo divertidas e com muita música e danças regionais.
Houve sim manifestações de indígenas e quilombolas mais agressiva, quando se sentiram frustrados por não fazerem parte dos processos decisórios, uma vez que esperavam mais incentivos à participação. Afinal, a COP está ocorrendo no coração da Amazônia e eles têm sido os maiores guardiões de sua preservação.
Medidas importantes como maiores financiamentos e outras formas de cooperação vêm sendo aprovadas com perspectivas promissoras, apesar de ainda tímidas diante dos desafios existentes. Lobistas de petróleo e carne bovina abundam e influenciam os resultados para a busca de alternativas sustentáveis.
Mesmo que já se saiba da necessidade de mudanças urgentes de rumo nesses e outras práticas usuais, tudo ainda parece lento diante da urgência de se chegar a resultados decisivos. Sem a adesão de quem mais desmata e destrói a natureza os resultados podem ser pífios, o que é inaceitável com tantas evidências sobre as necessidades de se mudar radicalmente para se priorizar o bem do planeta, que está em sério risco.
Todavia, o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, instituição da qual faço parte, tem uma casa em um excelente local onde palestras temáticas vêm sendo oferecidas. O alto nível dos palestrantes e audiência vêm trazendo discussões importantes para aclarar rumos necessários que devem ser sugeridos em futuras oportunidades. Uma boa forma de melhor compreender o que o IPÊ vem propiciando está no pequeno relatório em anexo:
Suzana Padua / Instituto IPÊ

A Cúpula dos Povos rumo à COP 30, em Belém, foi o encontro da diversidade de saberes, de modos de vida. Foram dias de trocas de experiências, a oportunidade de conhecer como as pessoas, em seus territórios, vivem de um jeito que nega a mercantilização da vida, as falsas soluções. Também foi um momento de apresentar ao mundo propostas, baseadas em práticas, que refutam as ideologias do progresso e do desenvolvimento."
Aercio Barbosa de Oliveira, educador da FASE
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