Da escuridão à luz: a história de quem redescobriu o prazer de existir
- Lais Amaral Jr.

- 19 de jan.
- 4 min de leitura
Atualizado: 31 de jan.

Vale a pena Viver? é a autobiografia de Rizalva Elting. Um tipo de leitura para quem aprecia se enveredar pelas vielas humanas e aprender a caminhar ou a tentar decifrar seus próprios dilemas, a partir da observação dos passos dos outros também. Rizalva Elting teve uma infância marcada por dificuldades, abusos e rejeições que a levaram a questionar se a vida realmente valia a pena. Já adulta, tentou escapar desse sentimento ao formar uma família, mas novamente se deparou com a violência, desta vez a conjugal.
Na busca por melhores condições, imigrou para os Estados Unidos, onde encontrou outros desafios, como o envolvimento de um dos filhos com drogas e o preconceito.
Essa trajetória intensa é retratada no livro em que a autora revela como suportou perdas, enfrentou a solidão e passou por momentos de profundo desespero. Ao transformar as experiências em força, narra como o filho Allan, depois de se envolver com más influências, encontrou no exército a disciplina necessária para mudar de rumo e reconstruir o futuro. Paralelamente, ela redescobriu — por meio do budismo — a capacidade de resistir, converter a dor em aprendizado e abrir caminho para novas conquistas pessoais e familiares.
Em um tom íntimo e confessional, a autora revela como a recitação do mantra ‘Nam-Myoho-Rengue-Kyo’ lhe deu forças para enfrentar os obstáculos e ressignificar a própria existência. Inspirada pelos ensinamentos do monge japonês Nichiren Daishonin, iniciou um processo de autodescoberta e reconstrução interior, convertendo feridas em recomeços. A prática também a ajudou a enfrentar desafios físicos — como os miomas uterinos e o diagnóstico de Parkinson — além de favorecer a cura emocional, tornando possível perdoar ressentimentos e agir com sabedoria diante das adversidades.
Rizalva Elting é o pseudônimo da pernambucana Rizalva Maria dos Santos. Formada em Comunicação Social pela Escola Superior de Relações Públicas de Pernambuco, possui também cursos em mediação de conflitos e terapias holísticas, como cromoterapia e musicoterapia, aplicados para aprimorar seu trabalho como esteticista. Recentemente concluiu o curso de Terapia de Reprocessamento. Vale a pena viver? é seu livro de estreia na literatura.
Redes sociais da autora: Instagram: @rizalva_elting / Youtube: Rizalva Elting

CRIATIVOS - Neste seu primeiro livro, a biografia de quem superou uma realidade, até assustadora, pode ser considerado um livro de auto ajuda?
RIZALVA ELTING - Eu considero como uma obra de memórias autobiográficas. Ela é escrita num tom narrativo e inspiracional, que apresenta uma trajetória real de dor, coragem e superação, oferecendo reflexões de vida que dialogam com quem lê. Nela, o leitor chora, ri, reflete, ressignifica e quando termina se vê super encorajado.
CRIATIVOS - Como e quando o budismo entrou na vida, Rizalva?
RIZALVA ELTING - Foi em um momento da minha vida em que eu não tinha mais forças, nem psicológica, nem física. Eu estava casada, com três filhos pequenos, mas ainda era tudo muito difícil. Eu não escrevi isso no livro, mas eu já sofria da sexta infecção sucessiva, porque minha imunidade estava muito baixa e meu organismo não reagia mais. Uma colega de trabalho me disse que se eu recitasse o mantra ‘Nam-Myoho-Rengue-Kyo’, na hora eu criaria forças. Eu já não tinha mais a esperança de viver, eu queria morrer e eu sofria mais ainda porque eu pensava como meus filhos iriam viver sem mim. Nesse momento eu comecei a recitar o mantra.
CRIATIVOS - Você chegou a perceber o momento exato em que estava se autodescobrindo e iniciando o processo de superação?
RIZALVA ELTING - Desde que eu comecei a recitar, eu tive uma curiosidade muito grande sobre como é que somente recitando um mantra eu poderia já estar me sentindo tão bem, com tanta força, com tanta coragem. Então começou, a partir daí, recitando e estudando. Hoje eu ainda continuo com as recitações na minha vida e estudando o budismo. Eu faço uma Live há cinco anos, quase seis, para colocar o ensino budista diariamente na minha vida. Isso me fortalece e me faz descobrir sobre mim mesma. Problemas nunca vão deixar de existir e eu aprendo como superá-los naturalmente.
CRIATIVOS - Mudando de assunto, como foi usar a musicoterapia no trabalho de esteticista?
RIZALVA ELTING - Hoje eu sou aposentada e não trabalho mais, mas eu sempre trabalhei com música, é imprescindível. Trabalhei por toda a minha vida e me aposentei aos 65. A musicoterapia auxilia relaxando, deixando o cliente mais seguro, com confiança no meu trabalho, além de permitir que ele associe aquele momento a determinados tipos de música. É um momento único de cuidado. Eu me lembro de uma vez que a cliente estava em um grau de relaxamento muito alto e me disse: "O que você tá fazendo comigo? Porque eu estou me transportando para outro lugar", rs.
CRIATIVOS - Já há um segundo livro no horizonte? Pode adiantar alguma coisa?
RIZALVA ELTING - Sim! Eu já estou escrevendo as ideias, só falta coordenar e dar o nome, mas uma coisa eu posso adiantar: vai ser sobre relacionamentos abusivos. Depois que eu escrevi o primeiro, eu me dei conta que eu sempre vivi relacionamentos abusivos, apesar de ter construído o meu império de felicidade assim. E quando eu descobri que todas as pessoas têm o estado de Buda, que é um estado imaculado, isso entrou em conflito com a minha realidade. É sobre isso que estou escrevendo, como eu encontrei a melhor maneira de conviver com essa questão.
CRIATIVOS - Fale sobre o que seja de seu interesse e as perguntas não foram capazes de estimular. Obrigado.
RIZALVA ELTING - Eu sigo a orientação do meu mestre de que nós deveríamos viver com propósito, com um significado, e reconhecer a missão que a gente tem. Ele diz que devemos fazer valer a existência e eu procuro dar minha contribuição para um mundo melhor. Quando eu não puder falar, meus livros vão falar por mim.
FICHA TÉCNICA
Título: Vale a pena viver?
Autora: Rizalva Elting
ISBN: 978-6552782854
Páginas: 100
Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade
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