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Ecos de liberdade em tempos de silêncio

 

Em Cinzas de Cogumelos Azuis, Sebastian Levati revive os anos da ditadura militar e redemocratização do país por meio de uma narrativa poética sobre amor e resistência


Sebastian Levati
Sebastian Levati

Sebastian Levati, transporta o leitor a bordo do seu romance Cinzas de Cogumelos Azuis a São Paulo, dos anos 1970. Época em que a juventude sonhava em mudar o mundo, mesmo vivendo sob o peso da censura e da repressão da Ditadura Militar. Ideais sufocados, perseguições e amores, se misturam no enredo de alguém que ousou acreditar na liberdade.


O romance ambientado entre 1972 e 1992, vai de parte dos ‘Anos de Chumbo’ aos primeiros anos da abertura democrática do país, com Orlando, um jovem do interior que abandona os confortos da família para seguir o chamado da consciência política. Na capital, se une a militantes que atuam na clandestinidade. Eles seguem escrevendo panfletos, planejando ações e se esgueirando da vigilância constante do regime.


Em meio à turbulência daqueles dias, surge Clarice, a namorada, filha de uma família tradicional, típica do outro lado do país dividido. Entre eles, cresce um amor que resiste às grades invisíveis da ditadura, mas também se desgasta sob o peso das escolhas e do medo. Ao redor deles orbitam figuras simbólicas — como o misterioso “Três-M”, o padre Dom Camilo e o idealista Moisés — que dão voz à pluralidade de um Brasil em ebulição.



A força da obra está na forma como o autor transforma um período sombrio da história em uma reflexão atemporal sobre escolhas e consequências. Ao acompanhar o despertar de Orlando e sua luta para preservar a dignidade diante da opressão, Cinzas de Cogumelos Azuis nos convida a revisitar o passado para compreender os abismos e os sonhos que ainda habitam o presente.

A obra de Sebastian reafirma o poder da literatura em dar voz aos silenciados e jogar luz em gavetas esquecida da memória. Com sutileza e vigor, ele nos lembra que a liberdade é uma conquista contínua — e que, mesmo entre as cinzas, o humano sempre encontra uma forma de florescer

 

FICHA TÉCNICA

 


Título: Cinzas de Cogumelos Azuis

Autor: Sebastian Levati

Editora: Viseu

ISBN: 978-6528027606

Páginas: 304

 Facebook: /sebastian.levati

 


Nascido em General Salgado-SP, Sebastian Levati trabalhou na área de Engenharia Mecânica, aposentou-se e passou a viver na cidade de São Paulo e, no meio do seu ócio, desenvolveu os seus encantadores escritos. Mesmo sem ter nenhuma formação acadêmica na área, tornou-se um amante da boa literatura, sempre esteve envolvido com livros — primeiro como leitor, depois como pesquisador e romancista.



CRIATIVOS - Sebastian Levati, seu romance mostra uma juventude que não aceitava viver sufocada por um regime opressor e até lutava contra essa realidade, alimentada pela esperança num mundo melhor. Na sua opinião, vivendo sob um regime democrático, para onde vai aquela esperança de um mundo melhor? Deixa de ser uma ambição coletiva para ser uma busca mais individualista?


SEBASTIAN LEVATI - Naquele período, a esperança era necessariamente coletiva, porque havia um inimigo visível e um projeto histórico comum. Hoje, em democracias imperfeitas, essa esperança se fragmenta em múltiplas buscas individuais — identidades, afetos, sobrevivência material. Isso não significa menos potência, mas menos horizonte compartilhado. O romance dialoga com essa passagem da utopia coletiva para uma constelação de esperanças privadas, às vezes solidárias, às vezes solitárias.


CRIATIVOS - Você consegue traçar algum paralelo entre a juventude daqueles tempos com a juventude desse primeiro quarto do novo milênio? O que você identifica como comum e diferenças?

SEBASTIAN LEVATI - O inconformismo é o ponto comum: a juventude continua sendo um espaço de invenção e recusa. A diferença está no contexto: aquela geração vivia grandes ideologias e projetos de mundo, enquanto a juventude atual vive sob excesso de informação, fragmentação e crise de narrativas. Se antes o problema era a censura, hoje é o ruído constante. A rebeldia também mudou: tornou-se mais difusa, menos organizada, mais íntima.


CRIATIVOS - De onde veio a motivação para escrever?

SEBASTIAN LEVATI - Veio da inquietação com a memória e com a forma como aquele período tem sido simplificado. Quis escrever um romance que escapasse tanto da nostalgia quanto do panfleto, explorando as ambiguidades humanas. Também me movia a pergunta sobre o que sobra dos grandes sonhos quando o tempo passa. As cinzas, às vezes, revelam formas inesperadas de vida.


CRIATIVOS - Você tem autores que podem ser considerados como referências? Quem você leu ou lê?

SEBASTIAN LEVATI - Na literatura brasileira, Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Milton Hatoum, Rubem Fonseca e João Gilberto Noll foram referências importantes. Na estrangeira, Kafka, Camus, Dostoievski, Kundera, Victor Hugo e outros. Também me influenciam autores latino-americanos do pós-ditadura, como Borges, Galeano, Benedetti, que trabalham memória, política e subjetividade sem respostas fáceis.


CRIATIVOS - Algum novo romance está batendo à porta?

SEBASTIAN LEVATI - Sim, há projetos sendo gestados. Minha literatura já está toda escrita. É só tirá-las das gavetas, tirar os borrões de tinta, reescrever algumas partes corroídas pelas traças e pelo tempo. Tenho, desde conversas entre animais, poesia, crônicas, histórias urbanas, outras mais bucólicas. Estou à disposição das editoras. Se já estão gestados, é só marcar o parto.

Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade


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