Elon Musk pode apagar o brilho das estrelas?
- Lais Amaral Jr

- há 36 minutos
- 3 min de leitura

O cronista acordou não querendo sair da cama, mas a notícia que chegou, via YouTube, mudou tudo: uma ‘Chuva de Meteoros’ para aquela noite. Pronto. Como era de costume nessas ocasiões, ele passou a viver uma crescente euforia na expectativa da chegada da noite. O cara sai do sério quando o assunto envolve fenômenos celestiais.
Quem leu, há de lembrar do deslumbramento dele com o Astroturismo. Essa tendência do Turismo que cresce mundo afora e leva multidões a locais de pouca luz para observar o céu. Na América Latina só o Parque Natural do Desengano, em Santa Maria Madalena-RJ, recebeu a certificação da DarkSky International. E quando ele soube da remota possibilidade de a Vila de Mauá ser certificada, o sujeito endoidou.
Mas voltemos à ‘Chuva de Meteoros’ do primeiro parágrafo. A noite chegou, finalmente, e lá estava nosso herói a esquadrinhar o céu bem antes da hora prevista. O fenômeno poderia ser visto em qualquer parte do país. Só não previram que no Sul-fluminense, além da lua cheia muito acesa, uma crescente nebulosidade poderia atrapalhar. Dito e feito. Vigiou o céu até depois das duas da madrugada e... nada.
A frustração tinha tudo para tirar-lhe o sono, mas outra novidade já o remoía há alguns dias, superando com folga o recente mal estar: Elon Musk poderá apagar o brilho das estrelas. Além do delírio de colonizar Marte e construir uma cidade na Lua, para abrigar um milhão entre os terráqueos mais ricos, no caso de um cataclisma na Terra, o sujeito agora quer colocar em órbita até 2028, um milhão de satélites, o que segundo, os astrônomos, irá ofuscar o brilho das estrelas.
Segundo a Imprensa, esses satélites seriam data centers. Pode ser coincidência, mas essa bomba surgiu justo quando a Justiça dos Estados Unidos anunciou a suspenção ou paralisação da construção desses empreendimentos no país. A justificativa é o exagerado consumo de energia e água potável, além de intensificar o aquecimento global. Os data centers satélites não consumiriam água, nem energia, usariam a radiação e a luz solar, diz a SpaceX. Um amigo galhofeiro diria que Musk agora é um cara ecológico. Só galhofa, mesmo.
Astrônomos apreensivos alertam que com toda essa tralha luminosa em órbita, o mal não seria somente não vermos as estrelas. Tem coisa pior. O brilho desses satélites, que tem dimensões superiores aos usuais, pode afetar o ciclo de vida de plantas e animais (nós inclusos). A emissão de carbono dos foguetes que levariam aos céus essa quantidade enorme de satélites intensificaria ainda mais o aquecimento global, aumentando o desequilíbrio climático. Credo!! É melhor o cronista voltar pra cama. ‘Vai dormir, homem!’
Estou ouvindo A Dança da Porta Bandeira, com EVANDRO LIMA (EVANDRO LIMA, LAIS AMARAL). Repertório ®CertCon, disponível para trilhas sonoras e downloads na Cedro Rosa.
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