Entre o Útero e o Caixão
- Jorge Cardozo

- 13 de abr.
- 2 min de leitura

O texto abaixo foi inspirado em provocação feita pelo filósofo Aercio Barbosa de Oliveira a partir da sua crônica "Que negócio é esse?" (1) também publicada aqui neste portal CRIATIVOS. Não pretendo rebater seus argumentos. Mas sim abordar o tema por outro ângulo, dentre tantos possíveis.
A vida... Este tempo extenso ou curto entre o útero e o caixão, entre o ventre e o inevitável fim. Ah, como a amamos, apegamo-nos a ela e tantas vezes a odiamos.
O amigo e pensador Aercio, em crônica filosófica, questiona o seu sentido. Fala de travas e possibilidades, limites e interpretações. Tudo que diz respeito ao humano é necessariamente atravessado pelo signo. Esta nossa capacidade de superar a realidade imediata e dar valor, um degrau acima, a cada ato, reação ou fato.
E eu, na minha pequena pena de observador, vivente e escrevente, o que posso dizer?
Lembro da professora de biologia na primeira aula do ano. Naquele tempo, pasmem, estudávamos ciências no ginásio, curso que também não existe mais. E ela, de quem me foge o nome, disse: vida não se define.
Contraditoriamente, ato contínuo, passou a definir a vida: organicidade, complexidade das moléculas, células, capacidade de reprodução.
Guardei essas lições. Até porque sonhava em ser cientista. Cheguei a levantar todas as espécies vegetais do quintal da casa onde morava em Boa Esperança. E de outras tantas espécies animais.
Mas veio a idade adulta com a avassaladora presença da questão social. Assustado percebi que a vida humana não se dava nos fundos de um quintal. E sim na disputa dura do dia a dia. Na competição entre as pessoas. Na luta de classes.
A vida passou a ter um significado maior que a trajetória individual.
Cabia deixar sua marca no mundo.
Com o tempo essa ideia foi se ampliando. Todos deixam, de uma maneira ou outra, a sua marca.
Cada um de nós é um ponto, talvez uma vírgula, num conjunto complexo de fenômenos, ancestralidades, herança genética e influências do meio social. Mas não só. Há quem diga que temos uma origem metafísica. Espiritual até. Não duvido. Não afirmo.
A vida para o poeta é um mistério, não a ser desvendado. E sim, para ser vivida com todas as suas contradições, belezas, horrores e loucuras.
Vida, te quero.
Jorge Cardozo
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