IA & Natureza
- Luiz Inglês

- 9 de jun.
- 3 min de leitura

Obviamente estamos todos impactados pelo surgimento do ChatGPT eoutros afins, movidos pela IA-Inteligência Artificial – que não é inteligente nem artificial, mas isso é outra história.
Evidentemente percebemos, a cada dia que passa, a crescente e inexorável influência em todas as áreas, desta ferramenta extremamente útil que – cada vez mais – vai se tornando imprescindível. Com certeza está havendo uma revolução silenciosa em todos os cantos do conhecimento humano. O progresso em algumas áreas é notório: vemos robôs na fabricação de máquinas; instrumentos médicos de alta-precisão; no transporte essa tecnologia, nos auxilia com o GPS, escolhendo as melhores rotas; diagnósticos de exames com maior rapidez e acerto; na segurança pública temos as câmeras com identificação de rostos; no entretenimento, os serviços de streaming eas redes sociais vem sendo uma das principais maneiras para se ver, na prática, o funcionamento da IA. E isso só para citar umas poucas utilizações conhecidas da IA.
Como moro na roça, a chegada da IA também começa a fazer sua presença progressivamente cada vez mais necessária. Senão vejamos: os drones, como todos sabemos são pequenas aeronaves não tripuladas, monitorados a distância por controle remoto. São bem úteis para a captura e transmissão de imagens. Podem alcançar grandes distâncias e ir a lugares de difícil acesso. Para o georreferenciamento(mapeamento) das propriedades é ferramenta bastante útil e precisa. O drone também nos auxilia, e com grandes vantagens, na detecção de incêndios nas florestas. Aqui, na serra da Bocaina-SP, o trabalho das brigadas foi muito facilitado com esta ferramenta. A rápida localização dos focos auxilia na rapidez da chegada das equipes e combate ao fogo.
Na análise do solo, a IA se aprofunda na percepção da falta e/ou excesso dos nutrientes, poupando tempo e dinheiro para o pequeno produtor. Lembrando que segundo pesquisadores do tema, este grupo de agricultores familiares representam mais de 80% das propriedades produtoras de alimentação do mundo.
E, falando em plantio, há também o melhoramento das sementes, o controle – através do monitoramento do clima – do melhor momento para se iniciar a adubação e consequente plantio e colheita. O aumento da rentabilidade sem dúvida incentiva o produtor com pequena propriedade, a investir nestas ferramentas que, com os constantes melhoramentos tecnológicos barateiam dia a dia.
Poderia ficar tecendo loas à Inteligência Artificial por inúmeros e incontáveis motivos. Este preâmbulo acima foi apenas para excitar os neurônios de quem me lê, já que o assunto é fascinante e praticamente inesgotável. No entanto, já passei por situações cujas soluções ou encaminhamentos para deliberações importantes,não foram agraciadas com desfechos exitosos, se eu fosse seguir apenas a tecnologia de ponta como a IA.
Aqui no sudeste, por exemplo, é de uso popular e de prática bem antigaque, em meses sem a letra “R” deve-se evitar ou favorecer algumas práticas tradicionais. E por que? Porque em tempos idos nestes meses não chovia. Era uma época mais seca. Porém com o passar dos tempos, e talvez por conta das ações antrópicas, isto foi mudando. Em maio chove e em setembro e outubro são meses quando os incêndios mais aparecem. Ou seja, extremamente secos.
Plantar durante a lua minguante seguindo recomendação do calendário lunar, é prática centenária.
Conhecer o comportamento dos animais anunciando temporais ou ver atravessando umcarreiro de formigas com milhares de insetos fugindo do mesmo temporal.
O plantio consorciado praticado desde os maias, incas e astecas, que une plantas “amigas” como o milho e feijão e abóbora. Crescem melhor juntas.
Existem receitas comprovadas de plantas repelentes de insetos. Receitas caseiras contra pragas. A rotação de culturas para não esgotar o solo. Abolir adubação por NPK(químico) substituindo por uma adubação mais natural que favoreça a remineralização.
Nestas situações a Inteligência Artificial (ainda) não consegue captar o aspecto humano do conhecimento pela observação e prática. O algoritmo conhece a matemática, não o imponderável de cada um de nós. Se sementes certificadas (leia-se transgênicas) são utilizadas no plantio, teremos resultados bonitos mas inócuos. Ineficazes como alimento, já que são repletos de venenos. E as sementes híbridas não rebrotam. A cada novo plantio, mais um, dez ou cem sacos, tem-se que comprar.
Mas ao invés de comprar sementes transgênicas, deve-se reutilizar as sementes selecionadas da última safra garantindo uma continuidade genética de séculos. Com adubação e cobertura do solo com material orgânico, nos aproximamos dos tempos quando a terra era fértil e produzia alimentos saudáveis e não alimentos químicos. A Inteligência Artificial ainda não chegou neste limite de desenvolvimento e fica a grande questão: Chegará o dia que as máquinas irão conseguir criar uma equação que compreenda as idiossincrasias humanas?
Roda de Samba pra Churrasco, na Spotify / Cedro Rosa.
Disponível para download e trilha sonoras.


















Comentários