O Povo, o Príncipe e o Capítulo Atual
- Jorge Cardozo

- há 6 dias
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Ultimamente temos visto nas redes sociais, em páginas que se pretendem especializadas em história ou filosofia, textos a defender a tese que a população seria conivente, complacente ou cúmplice das diversas tiranias que assolam e assombram os tempos atuais. Afirmar que o povo não só atura, como sustenta os tiranos, mesmo que através da sua inércia, soa interessante como provocação.
À primeira vista parece incontestável e fundamentado em sólidos argumentos. Mas não resiste a uma análise um pouco mais crítica. Sendo fato que a maioria das pessoas têm medo à liberdade, como já o apontava Erich Fromm.Também há que se considerar outros fatores que tornam bem mais complexa qualquer sociedade do que a mera oposição tiranos × povo. Entre outros, a concentração das armas nas mãos dos poderosos ou de seus soldados, o Império da Lei (gerado pelas elites econômicas para manter o status quo com laivos de igualdade) e, não menos importante, na modernidade, a falácia da mídia hegemônica com seu brilho hipnótico e seu domínio dos signos.
Além de tudo isso, há que se considerar as lutas, rebeliões, contraposições e movimentos – derrotados, redivivos, vitoriosos e caducos por corrupção ou por institucionalidade; tudo isso faz parte da trajetória humana na face do planeta.
Hoje vivemos um momento ímpar. No qual Maquiavel ficaria com os cabelos, se é que os tinha, em pé.
Porque o Príncipe não precisa mais parecer virtuoso. O atual presidente estadunidense confirma e exemplifica a tese. Basta parecer determinado. As relações de micropoder, as frustrações de quem se supunha merecedor de melhor sorte ou, de alguma forma superior, contribuem para a derrocada dos princípios liberais e democráticos com a consequente ascensão do autoritarismo.
Os atuais e os próximos capítulos da história darão muito o que fazer aos filósofos e sociólogos. Até porque, ao contrário do que afirmou o quase esquecido Francis Fukuyama, a história ainda não acabou.
Jorge Cardozo
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Excelente para um debate!
Jorge Cardoso, sempre com muita lucidez.