Nada Muda - Geopolítica e soberania na América do Sul
- Carlos Fernando Gross

- 21 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

A história das nações deve ser estudada e observada, pois se repete com enorme frequência, apresentando resultados e motivações muito semelhantes.
No final do século XIX, uma série de iniciativas políticas e militares passou a influenciar decisivamente o quadro geopolítico, cujos efeitos se estendem até os dias atuais.
A Doutrina Monroe, formulada em 1828, ao proclamar que “a América é para os americanos”, não esclarecia que tal postulado seria válido apenas para os norte-americanos. Essa doutrina permitiu aos Estados Unidos a absorção de grande parte da Califórnia, do Texas e de territórios vizinhos. Vale lembrar que os espanhóis eram, à época, europeus.
A estratégia americana, durante o governo do presidente McKinley e, posteriormente, de Theodore Roosevelt, resultou, em 1900, na guerra contra a Espanha e na ocupação de Cuba, Porto Rico e das Filipinas.
Porto Rico permanece sob controle americano até hoje. Cuba foi ocupada pelos Estados Unidos até 1959, quando Fidel Castro desembarcou em Havana, vindo da Sierra Maestra. As Filipinas, ocupadas militarmente desde 1900, serviram inicialmente para conter a expansão do Japão, que se tornou uma potência asiática, e, hoje, inserem-se no contexto do crescimento da China e de seu declarado interesse sobre Taiwan.
Nesse mesmo período, por volta de 1900, os ingleses passaram a se interessar pela América do Sul. Não existia ainda a Guiana Inglesa, mas os britânicos, detentores de uma poderosa esquadra naval, tinham interesse estratégico no porto de Georgetown. Seu objetivo era ocupar toda a área ao sul do porto, então desabitada.
Criou-se, então, um impasse diplomático. Brasil e Venezuela aceitaram a arbitragem do rei Humberto I, da Itália, para resolver a disputa. A decisão acabou favorecendo os ingleses, em um julgamento considerado suspeito, afinal, o monarca não era propriamente imparcial.
O território da Guiana era, à época, pouco habitado e possuía um clima considerado insuportável. Para ocupá-lo, os ingleses passaram a importar contingentes populacionais da Índia. Hoje, a Guiana possui majoritariamente população de origem indiana, fala um inglês precário e enfrenta graves problemas estruturais, um verdadeiro câncer geopolítico.
O Brasil nunca aceitou plenamente a existência da Guiana, mas a Inglaterra detinha, então, a mais poderosa esquadra naval do mundo. Um argumento decisivo.
Durante a Segunda Guerra Mundial, parte dos militares brasileiros chegou a torcer pela Alemanha, na expectativa de uma derrota inglesa e, quem sabe, da devolução da Guiana ao Brasil.
A Venezuela, por sua vez, não se configura propriamente como um país sul-americano, mas como um país do Caribe, assim como Jamaica, Cuba e Tobago.
O Brasil e suas Forças Armadas não desejam a presença de tropas americanas na Venezuela, especialmente nas proximidades de áreas sensíveis e do território Yanomami. A preocupação não é com o povo venezuelano nem com o governo Maduro, mas com a segurança das fronteiras nacionais, historicamente consolidadas ao longo dos séculos.
Existe o temor de que o território Yanomami venha a ser transformado em um Estado independente, bastando, para isso, uma decisão da ONU, algo que já ocorreu em outros contextos históricos.
O objetivo central da nação brasileira, ao longo de sua história, sempre foi a preservação da segurança nacional e da unidade territorial. Tropas estrangeiras poderosas nas proximidades de nossas fronteiras não são toleradas.
Por isso, qualquer ocupação do território venezuelano por forças militares americanas deve ser observada com extrema apreensão.
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