O CARIOCA E O CHATO
- Jose Roberto Sampaio

- 19 de jul. de 2025
- 2 min de leitura

Há muito tempo estava querendo escrever sobre um tema: o carioca. Mas não conseguia inspiração. Tentei algumas vezes caro leitor. Falhei na sinceridade. Não ficava satisfeito. Os rascunhos passavam-me a impressão de artificialidade. Até ler uma crônica de Paulo Mendes Campos chamada “O carioca e a roupa”.
Para ele, “O carioca decidiu-se por uma grande simplificação da natureza humana, classificando a humanidade em chatos e bons sujeitos; com a nuance única de admitir que certos tipos, embora chatos, são no fundo uns bons sujeitos.”
Aqui no Rio, como regra geral, o que importa, no final das contas, não é se as pessoas têm algum mérito. O carioca raiz somente quer saber se os indivíduos são chatos ou gente boa. E se forem chatos, logo levam um apelido desmoralizante e veem “os seus cacoetes imitados nas ruas e nos palcos mambembes”, passando “a ser conhecidos pelo povo através de um defeito mesquinho e não por suas qualidades.” Não importa que seja um gênio da arte, da pintura, da política ou de qualquer ofício.
E logo, sua reputação se perde. Os talentosos chatos deixam de serem visto como um grande artista, arquiteto, engenheiro, advogado etc. Passam a serem simplesmente chatos. Em São Paulo não é assim. Lá as pessoas se distinguem por seus talentos. E são reconhecidas e distinguidas por esta razão.
Agora, se for considerado gente boa, não vai escapar do apelido, mas não será vítima de campanha difamatória. Não vão pegar no pé. Será aceito na comunidade local como um igual.
Não conheço nenhum estudo sociológico sobre o tema. Nascido e criado nesta cidade, é o que tenho visto ao longo da minha vida. Especialmente entre os jovens. Quando ficamos mais velhos, ser chato ou não importa menos. As qualidades pessoais passam a pesar mais.
Em tom de conversa de botequim poderia até indagar, com ares científicos: é por este motivo que escolhemos, em passado recente, tão mal nossos governantes? O Rio já foi a capital da república, seu centro político e financeiro. Hoje o que somos? Diria, sem hesitar: um lugar lindo para visitar.
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