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O Despertar da Cuca: Entre a Cosmologia Amazônica e o Peso do Teatro no PIB


Encenação A CUCA - foto: Bruna Zaccaro
Encenação A CUCA - foto: Bruna Zaccaro

A pergunta de Julieta, aos três anos de idade, foi o estopim: “Papai, quando eu crescer, o mundo ainda vai existir?”. O questionamento atravessou o corpo de Renato Rocha durante o projeto Casa Comum, onde dialogava com artistas indígenas Sateré-Mawé sobre a Terra como lar compartilhado.


Desse abalo nasce "A Cuca", performance transmídia que ocupa o Futuros – Arte e Tecnologia de 6 de fevereiro a 29 de março de 2026. A obra marca o retorno de Rocha aos palcos após 14 anos, mas vai muito além de um solo teatral: é uma investigação sobre a herança que deixaremos para as próximas gerações.


A Cuca que emerge aqui não é a vilã do imaginário infantil, mas um Visage — entidade ancestral e guardiã de memórias. Ao vestir o traje verde e rosa da Mangueira, Rocha evoca a linhagem de sua avó Osmida, costureira pernambucana, fundindo o carnaval carioca à urgência política da sobrevivência planetária.


É uma síntese radical da pesquisa de um artista que já levou a dramaturgia brasileira a 14 países, colaborando com instituições como a Royal Shakespeare Company e o National Theatre of Scotland.


Essa potência criativa ancora uma das cadeias produtivas mais resilientes do país. De acordo com o Mapeamento da Indústria Criativa da FIRJAN, o setor responde por 3,6% do PIB nacional.


No eixo Rio-São Paulo, o impacto é ainda mais substantivo, com o segmento chegando a ultrapassar a marca de 5% do PIB regional. O teatro, ao ocupar centros culturais e acionar tecnologias de ponta, funciona como o coração dessa engrenagem que gera valor e inovação para além do palco.


Para que esse ecossistema se mantenha saudável, a gestão técnica precisa ser tão refinada quanto a estética. A sustentabilidade da cadeia musical, integrada na trilha de Daniel Castanheira e Felipe Habibi, depende diretamente do uso de música certificada.


É a precisão nos metadados que garante a geração de direitos autorais para toda a rede de criadores, permitindo que a economia criativa se consolide como um ativo de alta performance e transparência.


Ao encarnar a Cuca, Renato Rocha não apenas responde à filha, mas convoca o público a escutar o agora. A performance, que já teve aparições insurgentes no carnaval de rua com o Boi Tolo e o Bloco Tecnomacumba, agora se estabiliza em cena contemporânea para provar que a arte, quando consciente de seu papel econômico e social, é a ferramenta mais eficaz para imaginar o futuro.


Serviço

A CUCA

Futuros - Arte e Tecnologia ( Rua Dois de dezembro, 63, Flamengo, Rio de Janeiro)

Temporada: 06 de fevereiro a 29 de março de 2026

Horários: Quinta a domingo, às 19h

Ingressos: R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia)

Duração: 55 minutos |


Classificação: 16 anos

  • Informações: (21) 3131-3060

Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade



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