top of page
criativos 2022.png

O Dilúvio Digital: Como a IA Traz Caos e Graves Distorções ao Mercado Global da Música

Atualizado: 1 de dez. de 2025



A febre internacional da IA está causando um tremendo barulho na indústria musical.


A Inteligência Artificial generativa, ao permitir a produção de música em escala pós-industrial digital, está trazendo caos e graves distorções no sistema gerando um brutal desequilíbrio de poder que pulveriza a base do sistema de direitos autorais e remuneração, prejudicando artistas, compositores e produtores humanos.  


O Núcleo do Caos: Fraude e Diluição Econômica


As distorções são gritantes e nada harmoniosas.A Deezer revelou que cerca de 50 mil obras de IA sobem diariamente em sua plataforma. Esta inundação de conteúdo sintético provoca uma grande distorção econômica: O volume dilui o pool de royalties (o valor pago por stream cai), reduzindo drasticamente a receita dos criadores legítimos.


A Spotify, maior plataforma de streaming do mundo descobriu recentemente uma Fraude Sistêmica e removeu milhões de faixas, muitas delas de IA, usadas para manipulação de streams por meio de bot farms. Essa fraude desvia capital e corrói a confiança, evidenciando o uso abusivo da tecnologia por parte de agentes mal-intencionados. 


Inúmeros casos de fraude de falsos artistas, compositores e produtores são relatados quase que diariamente na mídia internacional.


Então temos três fenômenos em um: inundação de músicas sintéticas em volume alucinante, uso de repertório autoral protegido como treinamento não autorizado de IAs e uso de mecanismos fraudulentos para simular audiência e, consequentemente, recebimento de royalties.


A situação traz outro desdobramento embaraçoso e potencialmente explosivo, na área de direitos do consumidor. Ao contratar um serviço de streaming musical, o assinante espera estar consumindo obras musicais geradas por criadores humanos, a menos que exista uma clara ressalva. Como ele se comportará se suas sugestões de playlists forem inundadas de músicas sintéticas? Amigos da área jurídica que amam e consomem música em plataformas de streaming acenderam esse alarme vermelho.


O Precedente Legal: Da Violação à Transparência


Um caso recente que cristalizou a necessidade de contenção e corrigiu a distorção na origem – o uso do material para treinamento – foi a vitória da sociedade alemã GEMA contra a OpenAI. A decisão judicial obriga a gigante de tecnologia a licenciar e pagar pelas letras de músicas protegidas usadas no treinamento de seu modelo.


A importância dessa ação, que reescreve as regras de propriedade intelectual na era digital, foi registrada pelo portal CRIATIVOS! e ressalta a urgência da intervenção. O CEO da GEMA, Dr. Tobias Holzmüller, definiu o ponto de inflexão:


“A internet não é uma espécie de bufê self-service, e as conquistas criativas dos seres humanos não são simplesmente modelos para uso gratuito.”


No mesmo Portal CRIATIVOS!, que sou o fundador e editor-chefe, fui categórico sobre a decisão:


“Desde a criação da SACEM, em Paris, em 1851, quando o autor Ernest Bourget e seus colegas saíram do Café des Ambassadeurs sem pagar a conta porque suas músicas eram tocadas de graça e eles não recebiam nada por isso, este é o marco mais importante do século XXI, na defesa dos direitos autorais.”


Legislações para Conter Distorções sempre chegam atrasadas


Para conter o caos e proteger os criadores dos abusos, as jurisdições globais estão agindo de forma decisiva:


  • Europa: O AI Act exige transparência (publicação do material protegido usado no treinamento) e rotulagem obrigatória do conteúdo gerado por IA. Essas regras são projetadas para impor accountability às grandes techs e criar mecanismos de filtragem nas plataformas.

  • Brasil: O Marco Legal da IA (PL 2.338/2023) busca mecanismos para garantir o licenciamento prévio e a remuneração justa aos autores. O objetivo é proteger a soberania cultural e a cadeia criativa nacional contra a desvalorização e o uso gratuito dos acervos.


Em última análise, a legislação se estabelece como o mecanismo de defesa posterior ao dano já causado, mas como uma boa vacina nesta relação tão desconcertante entre a sociedade e a IA.


O objetivo é que a IA, por muitos estudiosos, já considerada um “ente”, ou seja, um organismo com vida própria, não continue a distorcer o mercado musical, a sociedade, mas sim se harmonize com a remuneração justa e a preservação do trabalho criativo humano.


Mas o que vai acontecer num futuro próximo? Geramos um “ente”, mais forte, inteligente e poderoso do que nós, um Deus onipotente, onisciente, indestrutível, que pode nos destruir?


Alguém se aventura em responder? Aceitamos sugestões.


Antonio Galante*

 

*Conhecido em música como Tuninho Galante, é compositor, arranjador, produtor, fundador e CEO da Cedro Rosa Digital, multiplataforma com tecnologia proprietária de última geração com uso de blockchain, IA que administra direitos autorais internacionais.

A Cedro Rosa patrocina a editoria “In(consciência) Digital  é mantenedora do portal CRIATIVOS!

O portal CRIATIVOS apresenta às Segundas, Quartas e Sextas, artigos e entrevistas com alguns dos maiores especialistas em música, cultura, economia criativa e tecnologia, analisando os desafios do Século XXI


Links importantes.


Comentários


+ Confira também

Destaques

Essa Semana

bottom of page