O Efeito Bumerangue: Como o Ataque às Havaianas e Fernanda Torres Virou Case de Sucesso
- Redação

- 27 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

O encerramento de 2025 ficará registrado nos manuais de marketing e comunicação como um dos casos mais emblemáticos de "efeito bumerangue" no Brasil. O que deveria ser um movimento de asfixia comercial contra as Havaianas e a atriz Fernanda Torres, protagonizado por expoentes da extrema direita como Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira, converteu-se em um massivo ganho de prestígio internacional.
O estopim foi um trocadilho publicitário sobre não entrar em 2026 "com o pé direito", mas com os dois pés — uma brincadeira linguística que foi apropriada politicamente, gerando um ruído que cruzou fronteiras.
No mercado financeiro, a estratégia de cancelamento provocou uma retração inicial nas ações da Alpargatas (ALPA4). Entretanto, o susto foi passageiro. A queda foi rapidamente absorvida por investidores que identificaram na polêmica uma oportunidade de exposição orgânica.
O tiro saiu pela culatra: o ruído doméstico transformou-se em publicidade gratuita de valor inestimável. Em vez de perdas sustentadas, o que se viu foi o nome da marca e da atriz nas manchetes dos veículos mais influentes do mundo, como The New York Times, The Guardian, além de publicações de referência na França e na Espanha.
Este episódio ganha uma camada ainda mais relevante ao observarmos como ele favorece a Cultura e a Economia Criativa como um todo. Após anos de dura perseguição institucional e ideológica ocorridas no governo anterior, o setor demonstra uma resiliência impressionante. O sucesso da campanha e a defesa internacional de Fernanda Torres provam que a produção cultural brasileira retomou seu papel de protagonista, mostrando que a tentativa de asfixiar o pensamento criativo apenas fortalece a sua relevância econômica e simbólica diante do mundo.
A análise do caso permite traçar um paralelo com crises enfrentadas por outras gigantes, como a Natura em anos anteriores. Existe um padrão claro: marcas que possuem uma presença sólida na identidade nacional tendem a sair fortalecidas desses embates.
O "contraboicote" surge como uma força de equilíbrio, onde consumidores compram o produto não apenas pela utilidade, mas como um ato de apoio à liberdade de criação e de rejeição ao radicalismo. A marca também ganhou com uma sucessão de memes, propondo a criação de tornozeleiras eletrônicas estilizadas, ironizando o histórico jurídico dos próprios agressores.
Para Fernanda Torres, nominada ao Oscar por sua brilhante atuação no filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, o ataque consolidou sua imagem como embaixadora de um Brasil sofisticado. O saldo final reafirma que a cultura e o consumo seguem caminhos onde a polarização, embora barulhenta, raramente consegue derrubar gigantes que habitam o imaginário coletivo.
As Havaianas e a atriz encerram o ciclo como beneficiárias de uma grande campanha internacional gratuita. Diante de tamanha repercussão, o editor Antonio Galante provoca: quem sabe, num futuro próximo, o portal CRIATIVOS! não dá a sorte de sofrer um ataque nesses mesmos moldes?
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"Cultura, Sociedade e Outras Teses"
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