O Mundo em Perspectiva Feminina: "Mulheres que Viajam" Celebra as Grandes Exploradoras da História
- Redação

- 5 de jan.
- 3 min de leitura

A Tinta-da-China Brasil lança uma obra que resgata o legado de dezenove aventureiras, desde a Terra Santa no século IV até o Ártico no século XXI, desafiando a história escrita por homens.
O mais novo lançamento da Tinta-da-China Brasil, "Mulheres que Viajam", da autora portuguesa Sónia Serrano, chega às livrarias como um tributo à coragem e ao pioneirismo feminino.
A obra revisita séculos de aventuras, desvendando as histórias de dezenove exploradoras que não apenas desbravaram geografias, mas também romperam com os estereótipos de seu tempo.
Longe de serem apenas relatos de turismo, as aventuras detalhadas no livro deixaram um legado significativo. Essas mulheres mapearam territórios, descobriram espécies botânicas (como a Bougainvillea brasiliensis, a popular primavera), contribuíram para avanços na medicina e foram figuras-chave na arqueologia e na geopolítica mundial.
Uma Nova Perspectiva sobre a Literatura de Viagem
Sónia Serrano oferece uma nova leitura sobre a literatura de viagem, defendendo que os relatos femininos trazem uma observação única – frequentemente bem-humorada, arguta e sensível – de ambientes inacessíveis aos homens.
O livro está estruturado em duas partes: a primeira contextualiza os elementos comuns às jornadas (perigos, higiene, acomodação), enquanto a segunda se dedica a apresentar, individualmente, a trajetória e o legado de cada uma dessas notáveis viajantes.
Pioneiras que Mudaram a História e a Ciência
O volume destaca figuras históricas essenciais:
Egéria (Século IV): Partiu da Península Ibérica rumo à Terra Santa, deixando os primeiros relatos de viagem femininos de que se tem notícia. Seus textos, redigidos em latim vulgar, são pistas valiosas sobre a evolução das línguas românicas e o cristianismo primitivo.
Mary Wortley Montagu (Século XVIII): Durante suas andanças por Constantinopla, ela conheceu a prática da inoculação do vírus da varíola. Levou a técnica para a Inglaterra, sendo reconhecida por Sónia Serrano como a verdadeira precursora do tratamento na Europa Ocidental, antes mesmo de Edward Jenner.
Jeanne Baret (Século XVIII): Naturalista e botânica que, disfarçada de homem, integrou uma expedição científica e catalogou a planta conhecida hoje como primavera no Brasil, embora o crédito tenha sido inicialmente usurpado.
Gertrude Bell (Século XIX-XX): Historiadora formada em Oxford e fascinada pelo Oriente Médio, ela se tornou uma figura-chave na geopolítica da região após a Primeira Guerra Mundial, participando da criação de nações e do Museu do Iraque.
A autora também resgata a inglesa Lady Hester Stanhope, coroada rainha em Palmira, e a arqueóloga Jane Dieulafoy, cujos achados estão no Museu do Louvre.
Do tempo presente, o livro apresenta a jornalista portuguesa Alexandra Lucas Coelho e a navegadora brasileira Tamara Klink (1997), que ganhou um capítulo exclusivo na edição nacional por ter sido a primeira mulher a invernar no Ártico.
"Mulheres que Viajam" é um convite à reflexão sobre a história e uma celebração do espírito aventureiro feminino, ideal para quem busca inspiração e uma perspectiva histórica renovada.
Sónia Serrano é formada em Direito e mestre em estudos literários, dedicando-se à crítica e ao estudo da literatura de viagem, tendo participado de diversas conferências internacionais sobre o tema.
A Tinta-da-China Brasil é uma editora independente gerida pela Associação Quatro Cinco Um.
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