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O Que É SerJovem

David Gertner, Ph.D.
David Gertner, Ph.D.

Ser jovem não é uma idade.

É um estado provisório da alma.


É viver com a sensação de que tudo ainda pode acontecer — mesmo quando nada acontece. É caminhar com o futuro nos ombros, sem saber exatamente para onde ir, mas acreditando que ir já é suficiente. A juventude não é feita de certezas; é feita de apostas.


Ser jovem é habitar o intervalo.

Entre o que se sonha e o que ainda não se sabe fazer.

Entre o desejo de pertencer e a urgência de ser diferente.

Entre a vontade de mudar o mundo e o medo silencioso de não encontrar lugar nele.


Há na juventude uma espécie de descompasso com o tempo. O passado parece distante demais para orientar, o presente estreito demais para conter, e o futuro amplo demais para caber em palavras. Por isso, o jovem experimenta. Erra. Recomeça. Troca de ideia como quem troca de pele. Não por incoerência, mas por excesso de vida.


Ser jovem é carregar perguntas maiores do que as respostas disponíveis. É desconfiar do que está pronto, do que soa definitivo, do que se apresenta como verdade final. A juventude intui — ainda que sem formular — que toda verdade precisa ser atravessada antes de ser aceita.


Há também uma solidão própria da juventude. Mesmo cercado de vozes, o jovem sente que ninguém pode viver por ele as escolhas que se aproximam. Cada decisão parece inaugural, cada erro irreversível, cada amor absoluto. Com o tempo, aprende-se que nada é tão final assim. Mas, enquanto jovem, tudo é.


Ser jovem é viver com intensidade porque o amanhã ainda não ensinou seus limites. É amar com urgência, sofrer com exagero, acreditar com uma fé que ainda não foi ferida pela repetição. É uma fase em que o mundo dói mais — e encanta mais — ao mesmo tempo.


Mas a juventude não pertence apenas aos jovens.


Ela reaparece sempre que alguém ousa mudar de rota, questionar o óbvio, escutar o que ainda não tem nome. Há jovens cansados aos vinte e velhos inquietos aos setenta. A juventude verdadeira não está no corpo, mas na disposição de permanecer aberto ao que ainda não sabemos ser.


Talvez ser jovem seja, no fundo, isso:

aceitar viver sem garantias,

confiar no movimento,

e seguir caminhando mesmo quando o mapa ainda está em branco.


E talvez o maior aprendizado da vida seja não perder completamente essa capacidade —

a de olhar para o mundo como quem ainda acredita que ele pode ser diferente.




David Gertner, Ph.D.

Professor aposentado, Ph.D. pela Northwestern University, escritor e ensaísta. Vive nos Estados Unidos. Autor de IA e Eu: A Inesperada Jornada de Liora e David, disponível na Amazon, com dois novos livros com lançamento previsto para 2026. Escreve sobre ética, identidade, tempo, tecnologia e a condição humana.

 

Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade



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