O que acontece quando alguém ousa desafiar as normas? E se esse alguém é uma máquina?

O escritor Eliander A. Costa, mostra em seu romance O Homem-Máquina de Taruã que as desigualdades sociais, incômodas e insuportáveis, podem e devem (porque não?) ser combatidas até mesmo no mundo da imaginação.
O condomínio, cenário em que se desenrola a trama, é um microcosmo social cujas rígidas normas socioeconômicas traçam as regras de comportamento, gerando discriminação e preconceitos, dividindo os moradores, evidenciando a luta de classes que permeia certas sociedades.
Essa realidade pode mudar quando o personagem Taruã, morador na banda pobre do condomínio - que quando criança era diferente das demais da sua idade, com habilidades cognitivas elevadas, em arte e tecnológica, decide mexer naquele infame contexto. E o seu homem-máquina vai entrar no jogo.
São capítulos curtos e a história é intensa, mas com uma linguagem poética, com seu poder de contribuir no processo de humanização. Vale muito a pena conferir o romance que convida a refletir sobre a importância de se promover a dignidade humana.
FICHA TÉCNICA
Título: O Homem-Máquina de Taruã
Autor: Eliander A. Costa
Editora: Literando
Também em e-book
Páginas: 184
Eliander Antônio Costa é biólogo com especialização em Biologia Geral e mestrado em Ensino de Ciências. Trabalhou na rede estadual mineira e publicou o livro Ciências e Poesia, Amantes da Informação, para a área educacional. Pelo lado artista é ator e roteirista de peças de teatro, formado pelo Centro de Capacitação Profissional em Artes Cênicas do Rio de Janeiro. Em literatura, publicou também o romance, O menino que não dorme.
Instagram: @elianderantoniocosta
Facebook: Eliander Antônio Costa

CRIATIVOS - O condomínio do romance reflete uma sociedade desequilibrada e injusta, e Taruã é a personalização do sentimento de indignação que brota entre aqueles que percebem a realidade ao redor. A obra tem um compromisso de denúncia, ou é pura ficção como expressão artística, ou seria ainda, uma espécie de vingança catártica do autor?
ELIANDER COSTA - A obra tem um compromisso pessoal e ao mesmo tempo coletivo de fazer justiça social. A expressão artística pousa em um campo que é uma espécie de vingança, mas isso não se enraíza no texto. Além disso, o livro tem o objetivo de denunciar as condições da nossa sociedade a partir da poesia e da ficção, sempre em busca da humanização.
CRIATIVOS - O seu homem-máquina, como o Prometeu da mitologia, vem para entregar, o Fogo aos homens?
ELIANDER COSTA - Não. Ele vem para sensibilizar, provocar e pontuar questões que dilaceram a sociedade, para provocar reflexões. Ele representa essa tamanha esperança de contribuir com mudanças significativas para a promoção da humanidade.
CRIATIVOS - Eliander, você acredita que a literatura ou a arte de uma forma geral, pode servir como um reforço eficiente, para a força transformadora em busca da justiça social?
ELIANDER COSTA - Eu acredito tanto nisso que resolvi escrever uma obra que suscita justiça social. A meu ver, a arte pode transformar o mundo. Por isso, contribuo com a escrita, apesar de que várias outras artes também têm esse poder.
CRIATIVOS - Você tem um escritor, ou escritores, com os quais se identifique?
ELIANDER COSTA - Sim. Ariano Suassuna, José Mauro de Vasconcelos, Carolina Maria de Jesus, Cecília Meireles, Adélia Prado, entre outros.
CRIATIVOS - Na sua maneira de ver, a Literatura ainda pode contar com o objeto livro, como ferramenta viva e utilizável pelas novas gerações? Além dos seus, que livros você indicaria para os jovens, como forma de encantá-los?
ELIANDER COSTA - Eu acredito que sim. A meu ver, nada substitui o prazer de folhear um livro. Quando faço isso, tenho a impressão de que o livro me coloca mais próximo do enredo, da viagem proposta pelo autor.
Para os jovens, eu indicaria “O meu Pé de Laranja Lima”, “Quarto de despejo”, “O Cortiço”, poesias de Adélia Prado, Cecília Meireles e Florbela Espanca.
CRIATIVOS - Fale o que for do seu interesse e as perguntas não estimularam.
ELIANDER COSTA - Eu achei as perguntas muito pertinentes à obra, só para reforçar. Algumas vezes. na narrativa, faço uso da poesia, porque acredito muito no seu poder de transformar, sensibilizar e contribuir para o processo de humanização do ser humano. Obrigado.
Estou ouvindo a playlist Crônicas musicais cariocas.
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