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Pensar local e agir global



Todo dia 7 é dia de Café com Histórias.


Mas o dia 7 de setembro carrega um significado especial: é o Dia da Independência do Brasil. E essa coincidência me fez pensar: o que significa independência para um país feito de tantas histórias?


Talvez independência também seja saber quem somos.

Reconhecer o valor da nossa cultura, das nossas diferenças, dos nossos sotaques, das nossas cidades, dos nossos artistas. Olhar para um país imenso, belo, contraditório e profundamente criativo e compreender que aquilo que nasce aqui pode — e deve — dialogar com o mundo.

Essa reflexão acompanhou a primeira etapa da turnê de Somos Feitos de Histórias — O Entretenimento de Impacto Social. E a Vida, enfim., que começou em agosto e atravessou Brasília e Goiânia.


E uma pergunta esteve presente em p

raticamente todos esses encontros:

Como pensar local e agir global?

Em Brasília, passamos pelo Teatro Mapati, pelo IESB — diante de uma plateia de mais de 700 estudantes — e pela Universidade de Brasília, a UnB. Estar em uma universidade pública conversando com jovens sobre cultura, audiovisual, educação e futuro foi um sonho.

Nessa passagem, tivemos encontros com Steve Solot, Marcos Ligorki , Renato Godoy, Instituto Alana e com o embaixador José Alfredo Graça Lima, que trouxe uma expressão que não saiu mais da minha cabeça: “diplomacia cultural invisível”.


Ele falou sobre como os artistas muitas vezes chegam antes da diplomacia formal. Um filme, um livro, uma música, uma série atravessam fronteiras e apresentam um país a milhões de pessoas que talvez nunca tenham pisado nele.


Os artistas são também diplomatas da arte.


Essa ideia diz muito sobre independência. Porque um país que consegue contar suas próprias histórias também consegue construir a sua própria imagem diante do mundo.

Depois veio Goiânia.


No IPOG, ao lado do produtor, roteirista e diretor americano Adam Simon, que hoje vive na cidade, encontramos cerca de 200 estudantes e profissionais da área de Business. E foi ali que a ideia de pensar local e agir global ganhou ainda mais sentido para mim.

Não precisamos procurar longe aquilo que já existe ao nosso redor.


As histórias de Goiás podem viajar. As histórias de Brasília podem viajar. As histórias do Rio, da Amazônia, do Nordeste, do Sul, das nossas periferias e do interior podem viajar.

Uma história não precisa perder sua identidade para se tornar universal. Muitas vezes, é justamente a sua singularidade que a torna universal.


O local não é o limite. É o ponto de partida.

Por isso, neste 7 de Setembro, minha reflexão sobre independência passa também pela cultura.

Um país verdadeiramente independente precisa acreditar nas próprias ideias, formar seus jovens, valorizar seus artistas, preservar sua memória e compreender que cultura também é indústria, economia, propriedade intelectual, desenvolvimento e soft power.


Temos um dos países culturalmente mais ricos do mundo. Talvez o próximo passo seja aprender, cada vez mais, a transformar essa riqueza em histórias que atravessem fronteiras — sem deixarem de ser nossas.


E setembro continua.

Nos dias 9 e 10, a turnê chega à Bienal do Livro de São Paulo, onde estarei com Somos Feitos de Histórias, encontrando leitores e conversando, mais uma vez, sobre o poder das narrativas.

É primavera. A turnê continua. As conversas continuam.


E neste 7 de Setembro, fica uma pergunta para o nosso Café:

Que histórias queremos contar sobre o Brasil — e quais delas queremos levar para o mundo?

Pensar local. Agir global.

Talvez essa também seja uma forma contemporânea de independência.



Repertório ®CertCon, de músicas certificadas, disponíveis para downloads e trilhas sonoras na Cedro Rosa.


 

 

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