Pirro, Roma e os dois Satãs
- Jorge Cardozo

- há 2 dias
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Diz-se, ou melhor, conta a história, que o rei grego Pirro, mais de dois séculos antes da era cristã, ao derrotar o exército romano com um enorme número de baixas e perdas materiais, teria declarado: "Mais uma vitória desta e a gente tá ferrado". O historiador registrou: " Mais uma vitória assim e estaremos acabados".
Sem dúvida um rei sábio, esse Pirro. O que não impediu os romanos de invadirem e dominarem territórios da Grécia. Também não impediu que fosse lembrado muitos séculos depois por uma expressão que relativiza a importância da vitória momentânea; a vitória de Pirro.
A agressão ao país iraniano conduzida por Israel e Estados Unidos, apelidados pelos aiatolás como pequeno e grande Satã, a cada dia de bombardeio torna-se mais custosa para as partes envolvidas, para os países do entorno e, até mesmo, para o resto do mundo.
Ao fim e ao cabo, qualquer que seja o resultado e seja quem for a se declarar vencedor, o custo em vidas, bens, combustíveis queimados e disparo de preços com consequente inflação global, terá sido exorbitante face às vantagens obtidas.
Claro que sempre haverá quem defenda que mais vale um conflito duro do que deixar o inimigo crescer ao ponto de não retorno.
No discurso sobre estratégia geopolítica cabem muitas frases de efeito sobre liberdade e defesa dos povos oprimidos. Também outros tantos malabarismos de linguagem para chamar uns de estado, outros de tirania; uns de combatentes, outros de terroristas; uns de assassinados e outros de neutralizados.
Não se trata de colocar tudo no mesmo prato da balança. Mas no fim, contados os cadáveres e as armas, o que sobra é o tamanho do território que o Império adquiriu ou perdeu. É o acesso às riquezas do outro. Ouro, mármore, azeite e vinho nos tempos do Império Romano. Petróleo, gás, urânio beneficiado nestes nossos tempos de Império globalizado.
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