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Poliedro 2026

Jorge Cardozo
Jorge Cardozo


Todas as linhas de um polígono são retas. Todas as faces de um poliedro são partes diversas de um sólido.


Assim também nós, humanos, somos feitos: qualidades e defeitos, muita luta, algum medo e todas as possibilidades.


Não nos pauta o degredo de nós mesmos. Ao contrário, buscamos o diverso, o vário, a polifonia.

Segundo algumas teorias, de um ponto a outro não há apenas uma reta e sim um mundo de probabilidades.


No filme 2001 – Uma Odisseia no Espaço, feito em 1968, o diretor Stanley Kubrik previu e questionou o relacionamento entre um ser humano e uma inteligência artificial, com gravíssimas consequências.


Duas décadas e meia depois (da data em que se passa o filme) estamos lidando com IAs, que talvez venham a nos substituir em diversos campos.


Nosso planetinha azul continua belo, embora estremeça vez ou outra com a possibilidade de algum maluco apertar o botão do juízo final.


O clima está tão alterado que a maior ilha do mundo, a Groenlândia, tradicionalmente coberta de gelo, derrete e mostra suas muitas riquezas guardadas abaixo do solo, atraindo a cobiça de larápios internacionais.


Enquanto isso no deserto do Saara começa a surgir uma área verde, um princípio de vegetação onde antes só havia areia.


Tudo muda o tempo todo. “Toda asa para, toda ave pousa, toda face cobre-se de rugas.”

Afinal, “Cronos é um deus que devora os seus filhos. Não há saída ou fuga de sua fome.


Por isso antes que a tristeza nos domine, brindemos à vida e ao seu ofício: fazer de conta que somos eternos.”


(Textos entre aspas copiados do poema CRONOS, livro Peixe na Rede, Editora Patuá.)

Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade

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