top of page
criativos 2022.png

Carnaval deixa de ser festa para ser política pública




O Ministério da Cultura recebe, entre 6 e 13 de fevereiro de 2026, a economista Mariana Mazzucato para o lançamento de uma missão internacional dedicada a estudar o Carnaval brasileiro como política pública estruturante.


A iniciativa, realizada em parceria com o Institute for Innovation and Public Purpose (IIPP), da University College London (UCL), propõe analisar o Carnaval não como evento pontual, mas como um sistema produtivo contínuo, capaz de articular cultura, economia criativa e desenvolvimento.


A missão percorre Rio de Janeiro, Brasília e Salvador e inaugura oficialmente a cooperação MinC–IIPP com a conferência O valor público das artes e da cultura, nos dias 9, em Brasília, e 10 de fevereiro, em Salvador. O movimento sinaliza uma inflexão nas políticas culturais brasileiras: a cultura passa a ser tratada como eixo estratégico do planejamento estatal, da inovação institucional e do desenvolvimento econômico.


Referência internacional no debate sobre valor público, Mazzucato questiona as métricas econômicas tradicionais e defende políticas orientadas por missões capazes de articular objetivos sociais, econômicos e institucionais de longo prazo. Para a economista, grandes manifestações culturais produzem valor que não se esgota nas estatísticas convencionais. “Com demasiada frequência, a economia mede valor apenas em termos de PIB, ignorando dimensões centrais da vida coletiva”, afirma. “O Carnaval demonstra como a cultura gera valor econômico, social, urbano e simbólico de forma integrada.”


A agenda dialoga com o programa Valor Público das Artes e da Cultura, desenvolvido pelo IIPP, que desloca o debate para além da noção restrita de “setores criativos”. Nessa abordagem, a cultura deixa de ser vista como atividade periférica e passa a ser compreendida como força estruturante da economia criativa, moldando capacidades institucionais, identidades coletivas e dinâmicas territoriais.


Tratar o Carnaval como política pública implica reconhecê-lo como sistema produtivo ativo ao longo de todo o ano. Escolas de samba, blocos de rua, músicos, técnicos, costureiras, designers, produtores audiovisuais e trabalhadores informais compõem cadeias produtivas complexas que exigem coordenação contínua entre comunidades, instituições públicas e agentes econômicos.


Esse ecossistema se insere em um setor que, segundo dados recentes, responde por cerca de 3,6% do Produto Interno Bruto brasileiro e gera mais de 1,2 milhão de empregos formais, evidenciando o peso econômico da cultura para além de seu valor simbólico.


Nesse contexto, a missão também ilumina uma dimensão estrutural da economia criativa frequentemente invisibilizada: a infraestrutura que sustenta a circulação e a apropriação do valor cultural. Em ambientes intensivos em criação e reutilização de obras, a ausência de identificação adequada de músicas, gravações e conteúdos audiovisuais compromete o pagamento de direitos autorais, fragiliza cadeias produtivas e limita a geração de renda. Garantir que esses ativos estejam organizados e aptos ao licenciamento é condição para que o valor cultural se converta em trabalho, renda e sustentabilidade econômica, em sintonia com agendas de desenvolvimento urbano, inovação e redução das desigualdades.


A pesquisa de campo tem como objetivo coletar evidências preliminares, engajar gestores públicos, pesquisadores, artistas e lideranças comunitárias e estruturar as bases metodológicas de uma parceria de longo prazo entre o MinC e o IIPP, prevista para o período de 2026 a 2028. No Rio de Janeiro, a agenda se concentra na governança do Carnaval e em seus ecossistemas produtivos; em Brasília, na articulação interministerial; e, em Salvador, nos arranjos territoriais e culturais que caracterizam o Carnaval baiano, com destaque para os blocos afros.


Ao colocar o Carnaval no centro de uma agenda internacional de pesquisa sobre valor público, o Brasil se afirma como laboratório vivo de políticas culturais contemporâneas. Mais do que celebrar uma festa, a missão propõe compreender como a cultura pode estruturar economias, fortalecer instituições e ampliar horizontes de desenvolvimento em um momento em que o mundo busca novas formas de medir o que realmente importa.


BOX | Infraestrutura cultural também é política pública

A economia criativa depende de uma base invisível, mas decisiva: a correta identificação e organização de obras culturais para fins de uso econômico. Na música e no audiovisual, dados incompletos sobre autoria e titularidade dificultam o pagamento de direitos autorais, reduzem a transparência do mercado e limitam políticas públicas baseadas em evidências.


O CertCon atua na certificação de obras e gravações, permitindo rastreabilidade, segurança jurídica e licenciamento adequado. Criado pela Cedro Rosa e desenvolvido pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), com apoio da EMBRAPII e do SEBRAE RJ, o serviço exemplifica como tecnologia aplicada pode fortalecer cadeias culturais complexas e contribuir para que o valor cultural gerado se traduza em renda, trabalho e desenvolvimento econômico.


CRIATIVOS!, hub de inteligência em cultura, economia criativa e tecnologia aplicada.

Mulheres no Samba, escute essa playlist na Spotify / Cedro Rosa.


 

CRIATIVOS! atua na articulação entre cultura, economia criativa e tecnologia aplicada.

 Organiza informações, experiências e projetos em contexto, conectando produção cultural, pesquisa, políticas públicas e mercado.

 O portal opera como um laboratório editorial e um hub de inteligência aplicada, apoiando eventos, iniciativas territoriais e ações concretas no campo cultural e criativo.


Mariana Mazzucato esteve no CBAE - Colégio Brasilleiro de Altos Estudos, a convite da professora Ana Celia Castro, para a palestra Crescimento inclusivo e sustentável liderado pela inovação: uma abordagem orientada por missões


Ana Celia Castro e Mariana Mazzucato
Ana Celia Castro e Mariana Mazzucato

 

+ Confira também

Destaques

Essa Semana

bottom of page