Revi dia desses O Mágico de Oz e alguma coisa me remeteu a Trump
- Lais Amaral Jr.

- há 1 dia
- 3 min de leitura

p
(E viva Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho)
Já se foi aquele tempo que era comum ouvirmos nessa época, que o ano só começa depois do Carnaval. Janeiro era um mês protocolar. Só existia na folhinha. Mas o janeiro de 2026 resolveu contrariar essa tradição com a chegada de um ciclone que se agiganta ameaçador, tomando conta do horizonte e levando tudo que encontra pelo caminho. E esse ciclone, que no ano anterior já deixara a sociedade estadunidense de cócoras, com instituições básicas minadas, destruídas, a democracia desmoralizada e ferida, chega a 2026 ventando muito mais.
E tome invasão da Venezuela, sequestro do presidente, ameaça de invasão a outros países do continente, anexação da Groenlândia, defecação no direito Internacional, além de outras excrecências como o terrorismo desenfreado contra imigrantes culminando com o assassinato brutal de uma mulher por um agente do ICE (Serviço de Imigração e Alfandega), na cidade de Minneapolis. Um crime que levantou de vez grande parte da sociedade contra ele. Um 'Fuderú de caçarola', como diria minha saudosa mãe.
Fora o escandaloso absurdo de invadir um país por interesse meramente comercial e de poder, o cara transborda em soberba e arrogância ao relançar a política mercantilista, quando os impérios obrigavam suas colônias a comprarem produtos da matriz. O ditador, à moda Francos, Salazares, Mussolinis e Adolfos, quer impor à Venezuela-colônia, que importe somente produtos do seu país.
A China, na moita de sempre, mandou um aviso, dizendo à Venezuela que há um contrato comercial a cumprir e que será cumprido. Era uma indireta ao Tio San. A Rússia colocou submarinos carregados de armamentos, para escoltar navios petroleiros saindo da Venezuela. A coisa vai piorando. Pode ser que Pato Donald Trump não entenda de subtexto, mas algum assessor seu, manja.
De descalabro em descalabro, nem a sociedade estadunidense aguenta mais. São inúmeras as manifestações de protesto em muitas cidades do país. Como o Laranjão atropelou o Congresso ao decidir invadir a Venezuela, sem autorização daquele poder, agora os deputados apertaram mais o ferrolho e outro desrespeito ao poder legislativo pode ter consequências ruins para o ditador topetudo. Hoje esse sujeito não seria reeleito.
Certamente tem gente que discorda da afirmação acima. Principalmente aqueles desmiolados que transformaram o ‘7 de Setembro’, num ‘4 de Julho’, em plena Avenida Paulista. Lembram? Pois é. Nas redes sociais e até em nosso Congresso tem gente aplaudindo os atos imperialistas e fascistas de Trump. Pegando carona na máxima rodrigueana: o complexo de vira-latas explica isso. O Totó da Dorothy ficaria envergonhado.
Claro que a Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo entre outras preciosidades minerais que interessam ao vampiro laranjão. Mas está óbvio que o objetivo maior das ações desvairadas do trumpismo é dar um aviso à China: “não se meta em nosso quintal”. E a bronca é também com o BRICS, claro, que tem uma proposta de mudança do sistema monetário nas relações comerciais no mundo, tirando o dólar como moeda única e hegemônica.
O ataque ao BRISCS é a tentativa de impedir a China de ser uma grande aliada da América Latina, consolidando a proposta multilateralista para o mundo. Trump vai sobretaxar, outra vez, os países do bloco. A nova notícia é que Portugal, membro da OTAN, está de namoro com o BRICS também. Ampliam-se as frentes de oposição ao ditador estadunidense.
Mas temos que estar atentos, afinal, o Brasil é o ‘B’ do BRICS e ele vai fazer o que puder, para a exemplo de Argentina, Chile e outros menos cotados, emplacar um presidente aliado da sua causa. Só espero que até a campanha eleitoral decolar por aqui, ele já tenha sido varrido do cenário político. Vamos ser otimistas, Trump é a bruxa má do Oeste, mas o mundo multipolar usa sapatinhos de rubi. Sigamos a estrada de tijolinhos amarelos com coração, inteligência e coragem.
Leia outros artigos de Lais Amaral Jr no portal CRIATIVOS!
Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade


















Comentários