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Três Desejos para o Ano Novo

Atualizado: 5 de jan.

 


É usual, nesta época do ano, formular planos, estabelecer metas e alimentar aspirações sobre o que poderá ocorrer no ciclo que se inicia. Opto aqui por permanecer no plano das aspirações.

 

A primeira — e a mais prioritária do ponto de vista pessoal, familiar e social — é a de um mundo menos desigual e menos violento. Que a inflexão rumo a essa realidade comece a se materializar por meio de medidas efetivas ao longo de 2026.

 

Para que isso ocorra, há uma pré-condição essencial: o renascer da esperança em um futuro melhor. Quando deixamos de acreditar no futuro, tendemos à resignação diante do estado presente das coisas. Aceitamos como imutáveis sistemas políticos corrompidos, a degradação da Justiça e a intolerável passividade das autoridades diante de cerca de 50 milhões de brasileiros vivendo em condições sub-humanas, em um país reconhecidamente rico.

 

Recuperar a esperança significa, desde já — e especialmente a partir da próxima campanha eleitoral — assumir o compromisso de levar ao Congresso Nacional e aos Executivos estaduais e federal pessoas diferentes das que aí estão. Muitas delas ocupam o poder há tempo demais, e os resultados nefastos de sua permanência falam por si. Nas democracias, a possibilidade de mudança reside na alternância no poder. Que ela se manifeste de forma ampla e disseminada em todo o país. Não é pela repetição dos mesmos erros que se constrói um futuro melhor.

 

A segunda aspiração também é de natureza política, embora não seja algo passível de concretização em apenas um ano. Trata-se da implantação de um princípio que deveria ser a regra de ouro da democracia e uma verdadeira cláusula pétrea da Constituição: o voto de um cidadão, seja do Amapá ou de São Paulo, deve ter o mesmo peso na eleição de um deputado federal.

 

Hoje, um deputado se elege no Amapá com cerca de 90 mil votos, enquanto em São Paulo são necessários aproximadamente 650 mil — uma desproporcionalidade de cerca de sete para um. Essa distorção fere o pacto federativo e gera profundas aberrações na alocação e gestão dos recursos públicos. O equilíbrio federativo já se expressa, corretamente, na igualdade do número de senadores por estado; não há justificativa democrática para que a equivalência dos votos individuais de cada eleitor não se expresse na composição da Câmara dos Deputados.

 

Se as duas aspirações anteriores dizem respeito a questões urgentes da vida política e social do país, a terceira se projeta sobre aquilo que é vital para a própria sobrevivência da espécie humana com dignidade no planeta.

 

É fundamental que uma verdade simples — que sustentou todo o desenvolvimento científico — seja amplamente assimilada: não existe efeito sem causa. E as causas têm explicações naturais, não sobrenaturais ou metafísicas. Assim, quando nos deparamos com enchentes inéditas no Rio Grande do Sul, seis dias consecutivos sem energia elétrica após temporais em São Paulo, recordes históricos de temperatura na capital paulista (36 °C), ou a trágica seca nos rios Solimões, Negro e Amazonas em 2024, devemos relacionar esses eventos ao aumento das emissões de gases de efeito estufa.

 

Outros fatores — como incompetência administrativa, má gestão pública e uso inadequado da terra — podem agravar os efeitos, mas não substituem a causa principal. A questão da sustentabilidade, que a COP-30 não conseguiu tratar com a seriedade necessária, transformando-se em um extemporâneo festival folclórico, precisa ser enfrentada com rigor por cidades, empresas e países.

 

Em matéria de aspirações, portanto, é preciso pensar grande, porque grandes são as nossas necessidades.

 

Viva 2026 — com Copa do Mundo e tudo o que ainda está por vir.


Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade.

 

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